sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A APR rejeita com veemência a primeira proposta de regulamentação da nova lei do Cinema

RESPOSTA DA APR À PROPOSTA DE REGULAMENTAÇÂO DA LEI DO CINEMA

Após consulta aos associados entende a direcção da APR responder do modo seguinte:

Durante mais de um ano, em nome de uma nova Lei de Cinema para apoio e desenvolvimento à arte cinematográfica em Portugal, os cineastas portugueses sofreram um ano de produção zero, com um corte de 100% em 2012, contribuindo para a construção de uma legislação que apontava para a defesa do cinema português.  A Lei foi aprovada e está em vigor desde início de Outubro do corrente ano.

Inacreditavelmente somos agora confrontados com uma proposta de regulamentação que viola e perverte o espírito da Lei.

Ao contrário do que tinha sido acordado, estas 56 páginas de regulamentação, muitas delas confusas e outras que atentam à independência da arte cinematográfica portuguesa, foram elaboradas sem consulta nem discussão com os realizadores portugueses.

A própria Secção Especializada de Cinema e Audiovisual no Conselho Nacional de Cultura, como órgão máximo de decisão e onde a APR não está representada, viola o princípio da Lei, que prevê um apoio ao cinema de 80% e um apoio ao audiovisual de 20% dos financiamentos previstos. A constituição desta Secção inverte violentamente essa relação entre o cinema e o audiovisual. Igualmente grave é que as personalidades da referido Secção, demasiado numerosas e de interesses contraditórios para uma decisão coerente sobre o cinema, foram nomeadas pelo director do ICA e não eleitos pelas respectivas associações que nem sequer foram consultadas.

Se nós somos defensores da transparência e do rigor orçamental dos nosso projectos não podemos aceitar um controle burocrático e corporativo desmedido que condicione a criação artística. O cinema português sempre se pautou pela independência, inovação e criatividade.

A Secção Especializada não pode definir uma visão estratégica de investimento mas sim promover a igualdade justa e democrática de acesso aos apoio ao cinema. Quer isto dizer, que o acréscimo de receitas previsto na Lei deve sempre garantir o aumento do número de filmes e a sua diversidade. Dinheiros públicos devem ser sempre atribuídos em concursos públicos e em condições de igualdade. Também deve ser do conhecimento prévio de todos os concorrentes as regras que regulam os concursos. As verbas a atribuir devem ser igualitárias, da responsabilidade decisória de júris independentes, todos os anos renováveis, e cujas decisões se devem pautar pela transparência.

Por isso rejeitamos liminarmente a existência de um Conselho chamado de Peritos que emana directamente da Secção Especializada reproduzindo na forma e na substância uma ideia que favorece a manipulação e a corrupção.

A manifesta tentativa expressa nestes regulamentos de introduzir as reminiscências do FICA – que trouxe o maior número de fraudes e de corrupção no cinema português dos últimos tempos, e a que ainda não foi feita qualquer auditoria (a Secretaria de Estado da Cultura pediu-a e nós não desistimos de a exigir) – com programas de apoios plurianuais sem limites nem controlo, vem aumentar a nossa inquietação sobre a seriedade destes regulamentos.

Queremos de uma vez por todas, sabendo a situação trágica do país, que tudo seja claro.

Que seja claramente definida a percentagem de financiamento atribuída pelo ICA a cada um dos projectos aprovados. Por exemplo, nunca poderemos aceitar uma variação arbitrária (entre 50% e 80% do orçamento) de apoio a projectos, o que é mais uma medida passível de favorecimentos.

Também não está previsto nos regulamentos, o anúncio das receitas anuais para o apoio ao cinema nem o anúncio prévio das verbas atribuídas a cada um dos concursos previstos na Lei o que provoca a arbitrariedade contínua de quem tutela.

Assim também não está previsto nestes regulamentos o acesso directo do realizador a todos os concursos, o que atenta ao princípio fundamental da criação cinematográfica, a liberdade.

Nós, a Associação de Realizadores, não admitimos a classificação de autores "consagrados" e autores "não consagrados", previstos no ridículo e absurdo artigo 5º. A história tem demonstrado abundantemente que “a consagração” de hoje é o esquecimento de amanhã. A APR não aceita que a direcção de um organismo público decida quem são os "consagrados" (ou "não consagrados") porque todos somos iguais perante os concursos públicos.

Os critérios de selecção dos projectos a apoiar devem incidir maioritariamente na sua qualidade e consistência, no currículo do realizador e na afirmação da identidade do cinema português, e nunca em valorações de bilheteira, planos de promoção e contratos de pré-aquisição, etc. Há muito que defendemos uma relação directa custo/receita dos projectos e não uma valoração que só tem em conta os números da exibição ou transmissão televisiva.

Estas são as razões mais graves que nos levam a rejeitar com veemência esta proposta de regulamentação da nova Lei do Cinema. E como há mais de um ano o cinema português está paralisado exigimos de acordo com o artigo 27º, do Capítulo V, norma transitória número 1, que sejam imediatamente regularizados os concursos públicos anteriores já aprovados, e que se abram imediatamente os novos concursos de 2013 previstos na Lei.

Estaremos dispostos a participar na elaboração de uns novos regulamentos que sejam transparentes e que defendam o futuro do cinema português.

Fomos surpreendidos ontem com a nomeação de um novo Secretário de Estado da Cultura. Esperamos dele, acima de tudo, duas atitudes:

1. A defesa da autonomia financeira do cinema português tal como está inscrita na Lei.

2. Uma posição firme, que faça inflectir as propostas absurdas e ofensivas com que fomos confrontados neste projecto de regulamentos.

Lisboa, 26 de Outubro de 2012

A Direcção da APR - Associação Portuguesa de Realizadores

 

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Carta da APR ao Secretário de Estado da Cultura - 03.09.2012

Lisboa 3 de Setembro de 2012

Ao Excelentíssimo Senhor Secretário de Estado da Cultura
Dr. Francisco José Viegas

A Associação Portuguesa de Realizadores vem nesta data solicitar o agendamento de uma reunião com V. Exc., com o objectivo de dar continuidade ao trabalho desenvolvido anteriormente e que culminou com a aprovação da nova Lei do Cinema.

A crise financeira e estrutural do cinema português, quer do ponto de vista artístico quer profissional, tem pelo menos uma década e é urgente reanimar, renovar e dinamizar o sector.

Sem a abertura de concursos públicos em 2012 e sem recursos por parte do ICA para fazer face a compromissos de 2011 e mesmo de anos anteriores a situação dos profissionais é no imediato, catastrófica.

As questões que gostaríamos de pôr e ter oportunidade de discutir nessa reunião são as seguintes:

1. Para quando a aplicação dos financiamentos previstos na nova Lei?

2. Em que ponto se encontram a regulamentação da Lei e os novos regulamentos dos concursos do ICA?

3. Em que momento poderá a APR dar o seu contributo a essa regulamentação?

 4. Para quando a abertura de concursos do ICA em 2012, conforme O Senhor Secretário de Estado da Cultura anunciou em Julho? E que concursos?

5. Vai ter lugar, também segundo promessa do Senhor Secretário de Estado da Cultura, um plano de emergência financeiro para suprir e ultrapassar o impasse actual?

6. Qual o valor do imposto devido ao sector - os 4% da publicidade televisiva - que não foi ainda aplicado em 2012? E em 2011? Porque é que esses números nunca foram tornados públicos? As televisões têm vindo a cumprir com esse financiamento?

7. De que modo está salvaguardada a participação financeira da RTP no cinema português?

8. O que é que está previsto para o reequilíbrio da dotação financeira da Cinemateca Portuguesa?

Aguardando confirmação no mais breve prazo possível,
Com os nossos melhores cumprimentos,
A Direcção  de APR - Associação Portuguesa de Realizadores

domingo, 9 de setembro de 2012

Da Comissão de Trabalhadores da RTP à APR

A Comissão de Trabalhadores da RTP recebeu com grande satisfação a mensagem de solidariedade da APR. Trata-se, desde logo, de um documento significativo por trazer a assinatura de uma associação com um papel relevante na cultura portuguesa.

Permitimo-nos sublinhar ainda, entre os acordos que temos com todos os pontos essenciais da vossa mensagem, a afirmação de que cabe ao Estado garantir a memória, a diversidade, a defesa das minorias, bem como a formação de uma identidade, de um país, de uma língua, de uma cultura distintivas. E subscrevemos com igual convicção a vossa afirmação de que essa competência é característica de todas as sociedades civilizadas, como ainda agora vieram sublinhar em carta ao primeiro-ministro português os dois máximos dirigentes da União Europeia de Rádio e Televisão.

Estamos de acordo com críticas feitas ao serviço público, tal como ele hoje existe, nomeadamente com críticas que se encontram expressas na vossa mensagem. A luta por um SPRT à altura das suas obrigações sociais, culturais e constitucionais pressupõe contudo que se barre o caminho à ofensiva de desmantelamento da RTP.

Os trabalhadores da RTP prosseguirão, assim, uma luta que também diz respeito a todo o público e que visa, em primeira linha, a defesa, consolidação e aperfeiçoamento do serviço público de rádio e televisão. O apoio da APR é um valioso factor de encorajamento para todos nós.
(...)

Cordiais Saudações

Secretariado da Comissão de Trabalhadores da RTP

7 de Setembro de 2012

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Sobre a extinçao do serviço público estatal da RTP

Posição oficial da APR sobre a extinção do serviço público estatal  da RTP.

A APR, Associação Portuguesa de Realizadores, indigna-se contra a declaração do Governo, através de interposto consultor, ex-funcionário da Goldman Sachs, empresa indissociável do descalabro da economia mundial e, muito concretamente da de Portugal, da intenção de concessionar (?) o Canal 1 da RTP e de extinguir o Canal 2.

A APR considera essa intenção irresponsável e de uma extrema gravidade, impensável numa Europa onde o Serviço Público de Televisão é um bem colectivo, inquestionável (nem mesmo pela Srª Merkel).

A RTP é insatisfatória e muito a temos criticado nós, realizadores, este canal tem dado uma percentagem de apoio e divulgado o cinema português de uma forma mínima, a sua contribuição em programas audiovisuais de produção independente de qualidade é residual. Muito mais teríamos a esperar da RTP, através de um contributo financeiro significativo, de promoção e divulgação activa do cinema Português e de produções audiovisuais nacionais (ficção, documentário e animação) no âmbito do cumprimento serviço público de televisão.

No entanto como cidadãos não podemos aceitar sequer a intenção de matar o Serviço Público de Televisão. De facto é de morte que devemos falar. Uma vez fechado, nada será como antes. Há males irreparáveis e custa a aceitar que o próprio PS, o maior partido da oposição, não se oponha veementemente e mobilize todas as suas forças para impedir esta situação. É inadmissível que o PS faça uma proposta de reposição  do serviço público, num futuro ciclo político, em que supostamente irá repor os dois canais da RTP, que estarão em condições mais precárias das que já se encontram actualmente.

É próprio das sociedades civilizadas, a preservação da sua memória, a defesa da diversidade, o respeito pelas minorias, a formação de uma identidade, de um país, de uma língua e cultura distintivas; esse trabalho contínuo deve chegar àqueles que não possuem meios de subscrever os canais pagos, que não têm hábitos ou possibilidades de acesso ao entretenimento inteligente ou à formação através de programas de divulgação de vários ramos do saber.

É tarefa do Estado (vem na Constituição, Sr. Borges, Sr. Relvas, Sr. Passos Coelho) garantir a independência e o pluralismo (basta ler a lei da Televisão).

Cabe ao Serviço Público de Televisão garantir o funcionamento das regras da Informação numa sociedade democrática - ser uma alternativa sustentada aos interesses comerciais das outras estações, privadas.

É para isso que os contribuintes “contribuem”, é isto que pagam os portugueses.

Achamos uma falta de vergonha, que a todos nós nos envergonha, que o Estado pague (neste caso um pretenso Serviço Público) para que os privados lucrem, como acontece na generalidade empresas público/privadas.

O Serviço Público de Televisão tem uma longa história e está presente na memória colectiva do povo português, é com perplexidade e horror que assistimos à leviandade com que se põe a hipótese de liquidar um bem comum, a educação de boa parte da população sem voz, desmunida e cada vez mais empobrecida.

Um país sem memória, sem sentimento de si, é o que estes senhores nos querem impor. Os Portugueses não podem e não vão permitir.

APR - Associação Portuguesa de Realizadores

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Lei do Cinema 69/XII - Declaração de Voto do GP do PCP

O Grupo Parlamentar do Partido Comunista Português votou contra a Proposta de Lei no 69/XII, comummente designada por Lei do Cinema, por entender que esta Proposta de Lei representa um retrocesso e uma degradação do quadro legal, particularmente no que diz respeito ao papel do Estado perante a criação artística, neste caso, a produção cinematográfica.

Além dos muitos erros da Proposta, dos que se destacam i) o financiamento da produção em função do sucesso de bilheteira obtido no passado pelas equipas financiadas; ii) a imposição de uma política do gosto, introduzindo uma clivagem entre o cinema português e o cinema apoiado pelo ICA, sendo este o único a merecer os mecanismos de divulgação que a lei preconiza; iii) a total desresponsabilização do Estado na participação do financiamento, colocando sobre o mercado da comunicação, do entretenimento e do espetáculo a totalidade das responsabilidades financeiras, agudizando a dependência do mercado privado, da livre criação; iv) a taxação até cinco euros anuais dos serviços de televisão por subscrição, recaindo sobre o utilizador; v) a atribuição de titularidade de direitos de autor aos canais de televisão nas obras co produzidas, o que até aqui não sucedia; entre outras tantas questões que tiveram do PCP contributos para serem ultrapassadas na especialidade.

Das inúmeras propostas do PCP, da responsabilização do Estado por metade do orçamento do ICA, à taxação das ligações 3g e 4g, passando pela taxação do valor acrescentado líquido das empresas de serviços de televisão por subscrição e pela criação de um regime de quotas para o cinema português nas salas de cinema, independentemente de ser ou não selecionado para apoios do ICA; nenhuma mereceu o acolhimento da maioria PSD/CDS que garantiu, no essencial, a preservação do texto inicial, ou seja, não permitindo a sua melhoria.

Da mesma forma, o PCP propôs a concretização de um Plano de Emergência para o apoio à produção cinematográfica através da realização de concursos promovidos pelo ICA ainda durante o ano de 2012. Essa proposta de alteração à Proposta de Lei do Governo garantia a plena concretização dos processos de financiamento à produção cinematográfica, independentemente da capacidade de obtenção da receita prevista nas normas transitórias, sobre a qual incidem as mais legítimas dúvidas.

A postura dos Grupos Parlamentares do PSD e do CDS, rejeitando todas as propostas do PCP e o Plano de Emergência, surgem no seguimento da estratégia de chantagem política do Governo sobre o sector. A Lei do Cinema que vier a resultar desta Proposta de Lei será sempre uma má lei, independentemente da receita que venha a ser capaz de gerar, na medida em que, simultaneamente demite o Estado do financiamento, mas responsabiliza-o pela aplicação de um crivo de gosto ou mesmo de mercado. O critério assumido pela lei é o imposto pela ditadura do mercado: o da promoção apenas do que é passível de gerar receita.
(...)
O PCP sabe que esta lei não matará a Arte e a Cultura, nem a produção cinematográfica livre, pois a arte e o cinema são também armas de resistência. Todavia, esta Proposta de Lei prossegue esse objetivo e, por isso mesmo, merece a firme rejeição do Grupo Parlamentar do PCP.



Palácio de S. Bento, 25 de Julho de 2012
Miguel Tiago

Lei do Cinema - versão final - aprovada - 25.07.2012

Foi hoje aprovado na Assembleia da República, o texto final da  Lei do Cinema (Lei nº69/XII) que estabelece os princípios de acção do Estado no quadro de fomento, desenvolvimento e proteção da arte do cinema e das actividades cinematográficas e audiovisuais.
O Plano de Emergência para o Cinema, apresentado pelo PCP, foi rejeitado.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A Lei do Cinema aprovada na generalidade - 06.07.2012

Foi hoje aprovada na generalidade, na Assembleia da República, a Lei do Cinema (Projecto de Lei nº69/XII do Governo) que estabelece os princípios de ação do Estado no quadro de fomento, desenvolvimento e proteção da arte do cinema e das atividades cinematográficas e audiovisuais.
A Lei do Cinema baixará agora à Comissão de Educação, Ciência e Cultura.

Europa Criativa - Criando a Europa - Declaração da AG da FERA - Copenhaga - 06.2012

EUROPA CRIATIVA - CRIANDO A EUROPA

Declaração da Assembleia Geral da FERA, Copenhaga, Junho de 2012

Uma vibrante indústria de cinema e audiovisual cria uma força cultural e económica conjunta. O cinema é um produto real, gerador de emprego e de desenvolvimento, estimulando uma mais valia, longa e duradoura, possibilitando a reflexão e a renovação das nossas sociedades. Trata-se de um meio de comunicação universal, que atravessa literalmente fronteiras, descrito pelo Presidente cessante da FERA, István Szabó (Mephisto, Sunshine) como ‘a linguagem do rosto humano’, oferecendo um significante narrativo ao nosso passado e ao nosso futuro.

Enquanto a Europa procura reconstruir a sua economia, os realizadores Europeus de 29 países reunidos em Copenhaga aperceberam-se de um sector sob ataque. Membros de alguns países comunicaram a sua apreensão, antecipando que no espaço de dois anos se perspectiva a total inexistência de produção nacional, consequência do fim dos apoios estatais a esta actividade. A FERA acredita que uma política de  cortes ao financiamento dos sectores criativos pelos governos nacionais é errada e de ‘vistas curtas’, já que muitos muitos países estão a assistir a um acréscimo na procura de filmes nas suas línguas nacionais pelas suas audiências locais. A diversidade cultural não é apenas um princípio crucial para a Europa: ela funciona.

Os novos media digitais oferecem estimulantes oportunidades para o crescimento e uma maior acessibilidade para novas audiências, especialmente entre os jovens, muitos deles ambicionando um futuro profissional no nosso sector. A FERA saúda a paixão de uma nova geração interessada nos nossos filmes, através das salas de cinema e da internet, e está convicta que todos juntos iremos defender, a arte e a produção cinematográfica Europeia. Num período em que a Europa de forma inteligente aposta na criatividade, no seu crescimento e na sua sustentabilidade,  é importante que os seus cidadãos tenham uma maior compreensão sobre a importância dos direitos de autor, como sendo a base da viabilidade das actividades culturais e de todas as indústrias criativas.

Os Realizadores Europeus apelam para:

- Todos os países Europeus reforçarem os seus apoios para o cinema através de legislação específica e de incentivos financeiros que permitam que os seus cineastas contribuam para a riqueza cultural e económica Europeia:

-  A Comissão Europeia, que tem o dever de “apoiar os aspectos culturais através de medidas específicas na sua acção conforme o determinado em diversos Tratados, especialmente através do respeito e promoção da diversidade das suas culturas” (Artigo 167 Tratado Operacional da União Europeia) actualmente no processo de revisão do diploma ‘Comunicação e Cinema’ sobre os apoios estatais ao cinema, alertamos que qualquer dano provocado no nosso sector, num momento tão crucial como o da sua transição para um media digital será muito difícil de reparar.

- A comunidade cultural Europeia, nas suas diversas áreas, mobilizar-se para lutar em conjunto pelo sector criativo.

- A FERA defende os direitos de autor, faz campanha pela protecção dos arquivos nacionais, pelo crescimento da produção cinematográfica e pelo encorajamento da distribuição nos diversos países da Europa dos filmes Europeus, quer nas salas de cinema quer através da internet.

SEM CRIATIVIDADE, NÃO HÁ ECONOMIA!

Assinada por:

Marco Bellocchio, Agnieszka Holland, Alan Parker, István Szabó


Fundada em 1980, a Federação Europeia de Realizadores de Cinema (FERA) representa 29 países. A FERA fala por aproximadamente 20.000 realizadores de cinema, que trabalham em diversos formatos e géneros, promovendo e defendendo culturalmente, a sua criatividade e interesses económicos tanto em Bruxelas, como no âmbito nacional dos seus membros.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Em defesa da Proposta de Lei do Cinema

Em defesa da Proposta de Lei do Cinema

Os subscritores deste documento manifestam publicamente o seu apoio à proposta de Lei do Cinema n.o 69/XII, aprovada em Conselho de Ministros de 31 de Maio último e agendada pela Assembleia da República para discussão na generalidade no próximo dia 6 de Julho. Vêm também procurar contribuir para o esclarecimento público das incidências da sua aplicação. Neste sentido, propomos analisar os méritos da proposta de Lei e esclarecer e comentar as incidências específicas do modelo de financiamento que será instituído.


Genericamente,


1. A proposta de Lei do Cinema vem dar um contributo decisivo para tirar o sector do Cinema e Audiovisual da total paralisia em que há muito se encontra, conferir-lhe uma importância estratégica no quadro do desenvolvimento económico e social do país e reconhecer a sua importância como uma das actividades que melhor afirma nacional e internacionalmente a identidade cultural do País.


2. No caso do Cinema, a proposta reconhece explicitamente a necessidade de criar um quadro de incentivos e apoios à produção, co-produção, distribuição, exibição e internacionalização, assente num modelo de financiamento diversificado e reforçado que pode garantir a curto e médio prazo condições para a sustentabilidade das actividades cinematográficas.
3. No plano do audiovisual, consagra-se um quadro de apoios e incentivos que possibilita a criação de uma verdadeira produção independente;


4. A proposta de Lei reafirma a importância da conservação e acesso ao património cinematográfico e audiovisual Português e disponibiliza à Cinemateca parte dos meios que necessita para cumprir esta função.


5. A proposta de Lei define princípios gerais sobre os programas de apoio financeiro a conceder pelo Instituto do Cinema e Audiovisual, remetendo para posterior regulamentação os aspectos relacionados com o funcionamento, modalidades de apoio, critérios de selecção e avaliação de projectos, estabelecendo implicitamente o modelo de concursos públicos como a forma de atribuição dos financiamentos, o que merece a nossa concordância.


6. Estabelece ainda a proposta de Lei, e bem, uma norma transitória que possibilita a vigência do quadro regulamentar anterior enquanto o novo não entrar em vigor, o que significa em termos práticos a possibilidade de o ICA, IP abrir os programas de apoios à escrita, produção, co-produção, distribuição e exibição ainda durante o ano de 2012.


Especificamente


7. Na base da sustentabilidade das políticas públicas de fomento do sector, consagra-se um modelo de financiamento diversificado, assente em contribuições obrigatórias e em obrigações de investimento dos agentes que operam na cadeia de valor do cinema e audiovisual, aproximando-o dos modelos que os países membros da União Europeia aplicam;


8. Como contribuições obrigatórias mantém-se a já existente taxa de exibição de 4% (taxa a ser suportada pelos anunciantes de publicidade comercial nas diferentes “janelas” onde se processa a comunicação comercial audiovisual e não pelos operadores privados de televisão, como erradamente tem vindo a ser referido em público por estes) e cria-se nova taxa progressiva de 3,5 euros / ano até ao limite máximo de 5 euros / ano por cada subscrição de acesso a serviços de televisão (cabo, satélite, fibra óptica e IPTV);


9. Estas contribuições obrigatórias são receitas próprias do Instituto do Cinema e Audiovisual (no caso da taxa de exibição 0,8% são receita própria da Cinemateca) para fazer face aos seus custos fixos, aos compromissos internacionais (participação nos fundos de fomento a co-produções Europeias, Ibero- americanas e Luso-Brasileiras, respectivamente Eurimages, Ibermedia e protocolo Luso-Brasileiro de co- produção cinematográfica), aos programas de apoio à escrita, desenvolvimento, produção, distribuição, exibição e internacionalização de obras cinematográficas nacionais, aos programas de apoio ao audiovisual e multimédia (escrita, desenvolvimento, produção e distribuição) e aos programas de apoio à formação de públicos de cinema (apoio a festivais, redes alternativas de exibição e formação de públicos nas escolas);


10. Regista-se que no domínio das contribuições obrigatórias, o Governo reconhece a imperiosa necessidade de reforçar os meios financeiros ao dispor do ICA para cumprimento das suas competências legais.


11. Complementarmente, o modelo de financiamento consagra, ainda que de forma tímida, um conjunto de obrigações de investimento directo anual por parte dos operadores de televisão (0,75% das suas receitas líquidas totais com uma progressividade até ao limite máximo de 1,5% para os operadores privados de televisão e 8% das receitas anuais com a contribuição para o audiovisual do operador público de Televisão), por parte dos distribuidores cinematográficos (3% das suas receitas brutas com distribuição de cinema e 1% das receitas brutas dos distribuidores de videogramas) e por parte dos operadores de serviços de televisão a pedido (1% das suas receitas);


12. As obrigações de investimento mencionadas no ponto 11 (e não taxas, mas sim obrigações de investimento directo) têm a particularidade de permitir às entidades por elas abrangidas o poder de escolher os projectos objecto desses investimentos, apenas as “obrigando” a estreitar a sua relação com os produtores e criadores independentes;


13. No domínio do audiovisual, a consignação de 20% da receita do ICA para programas de apoio à escrita, desenvolvimento, produção e distribuição de obras audiovisuais de produção independente (artigo 12o da proposta de Lei), vai contribuir decisivamente para a criação de uma dinâmica de desenvolvimento deste sector específico e potenciar o melhor cumprimento das obrigações estabelecidas na Lei da Televisão (artigo 46o) de inclusão na programação audiovisual de produção independente Europeia por parte dos operadores de Televisão nas suas grelhas de programação;


14. Relativamente ao papel dos operadores de televisão consagrado nesta proposta de Lei, estranhamos a reacção desproporcionada de oposição pelos dois operadores privados de televisão (SIC e TVI), uma vez que tanto as contribuições obrigatórias previstas (manutenção da taxa de exibição de 4% paga pelos anunciantes e entregue ao estado pelas Televisões) como as obrigações de investimento (0,75% progressivos até ao limite máximo de 1,5%) irão, em última análise, beneficiar as suas grelhas de programação (no caso das contribuições obrigatórias com os programas de fomento do audiovisual; e no caso das obrigações de investimento o benefício será total);


15. Ainda a este propósito das obrigações de investimento, convém sublinhar que o alcance da Lei até é bastante tímido se comparado com o que estabelecem os quadros jurídicos de países como França, Alemanha, Bélgica, Suíça e Brasil (com alterações recentes que introduzem um sistema de quotas de produção independente para os operadores de Televisão por cabo), entre muitos outros, porquanto exigem aos operadores públicos e privados de Televisão enormes responsabilidades no incremento da produção independente de cinema e audiovisual.


16. Por último, a proposta de Lei estabelece uma obrigação de investimento aos exibidores cinematográficos - as salas – porquanto regula o antigo adicional de 7,5% do preço do bilhete de cinema (com os tempos transformado numa receita exclusiva das salas de cinema) definindo que 5% do valor do bilhete é receita exclusiva da sala e 2,5% serão alocados como quotas mínimas de exibição de obras cinematográficas Europeias e Portuguesas.
Consideram assim os subscritores deste texto que a proposta de Lei do Cinema reúne as condições mínimas necessárias para promover o fomento das actividades cinematográficas e audiovisuais, possibilitando uma oportunidade real para o crescimento deste sector, pelo que esperamos: 
1. a sua aprovação por parte dos deputados da Assembleia da República, independentemente de alguns ajustes que poderão ser introduzidos na discussão na especialidade, antes do início das férias parlamentares; 
2. subsequentemente, a promoção pela Secretaria de Estado da Cultura da discussão com o sector de todo o quadro regulamentar que esta Lei carece para ser aplicada em toda a sua plenitude.


Os subscritores

Os Realizadores Manoel de Oliveira, Alberto Seixas Santos, André Godinho, Anna Da Palma, António Escudeiro, António Loja Neves, Aya Koretzky, Bruno de Almeida, Carlos Braga, Catarina Alves Costa, Catarina Mourão, Cátia Salgueiro, Fátima Ribeiro, Fernando Vendrell, Gabriel Abrantes, Gonçalo Tocha, Ivo Ferreira, Jeanne Walz, João Botelho, João Mário Grilo, João Matos Silva, João Pedro Rodrigues, João Pinto Nogueira, João Rui Guerra da Mata, João Salaviza, João Viana, Jorge Cramez, Jorge Silva Melo, José Miguel Ribeiro, José Nascimento, José Pedro Cavalheiro (Zepe), José Sacramento, Júlio Alves, Leonor Areal, Luis Alvarães, Manuel Mozos, Margarida Cardoso, Margarida Gil, Margarida Leitão, Maria Estela Graça, Miguel Clara Vasconcelos, Miguel Fonseca, Miguel Gomes, Nuno Amorim, Pedro Caldas, Pedro Serrazina, Pierre- Marie Goulet, Renata Sancho, Raquel Freire, Rita Azevedo Gomes, Sandro Aguilar, Sérgio Tréfaut, Solveig Nordlund, Teresa Garcia, Teresa Villaverde, Vicente Alves do Ó, Virgílio Almeida.

Os Produtores, Alexandre Oliveira, João Figueiras, João Matos, Luís Urbano, Luís Galvão Teles, Rodrigo Areias, Joana Ferreira, Maria João Mayer, Pandora da Cunha Telles, Henrique Espírito Santo.

e Dario Oliveira, Luís Apolinário, Miguel Dias, Miguel Valverde, Nuno Rodrigues, Paulo Milhomens, Salette Ramalho e Vanessa Ventura.

Lisboa, 20 de Junho de 2012

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Sobre o novo enquadramento legal para o cinema e audiovisual em Portugal

Sobre o novo enquadramento legal para o cinema e audiovisual em Portugal

Recentes declarações públicas dos operadores privados de televisão SIC e TVI foram mediaticamente difundidas rejeitando o regime de taxação implementando o novo quadro legal . São declarações que pecam pela mentira e falsidade demagógica.

Estes operadores televisivos não falam verdade quando alegam como despesa sua a actual taxa de 4% sobre o custo de publicidade, esta taxa é suportada pelas entidades que solicitam e contratam os serviços de publicidade sendo portanto integralmente suportada pelos clientes destes operadores. Também omitem o impacto positivo nas suas próprias empresas das medidas implementadas por este quadro legal nomeadamente a taxa de 1,5% sobre a facturação de publicidade, que os operadores televisivos  vão preservar para  o seu reinvestimento em produções cinematográficas e audiovisuais de produtores independentes, produtos que se encontram previstos na própria Lei da Televisão e nas directivas europeias e que qualquer serviço de televisão transmite no mundo.


Sobre o contexto das reclamações convém esclarecer:

1.    Que o incremento de taxação que estes operadores alegam ser "insuportável",  constitui-se uma verba para utilizarem, mediante decisão própria, na produção de conteúdos de cinema e audiovisual com recurso a produtores independentes.

2.    Estes montantes vão ser aplicados de forma directa na sua grelha de programação e os operadores vão passar a ser detentores parciais dos direitos, já que a legislação pressupõe a co-produção dos mesmos.

3.    Trata-se pois de obterem direitos de difusão de uma produção com um valor superior ao por eles investido, podendo usufruir dos direitos futuros na sua comercialização, lucrando assim através da sua participação em filmes e em séries.

4.    Que esta medida pretende tornar natural a sua relação com a produção independente, situação que é extremamente deficitária em Portugal, em comparação com qualquer outro país da União Europeia. Algo que já estava previsto e previamente regulado na lei da televisão e que infelizmente estes operadores cumprem de forma muito deficitária.

5.    De salientar que este incentivo/colaboração na produção independente vai apoiar as pme's do sector audiovisual, gerar emprego e potenciar a obtenção de apoios, estrangeiros e europeus, nomeadamente do programa MEDIA (onde Portugal tem uma das mais baixas taxas de execução). Apoios que um difusor, ou uma produtora pertencente a difusores está impossibilitada de obter

6.    O valor anual em causa, segundo as estimativas actuais, é inferior ao investimento que estes difusores aplicavam anualmente no FICA (Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual) organismo que se encontra paralisado e com um futuro indefinido, tendo executado apenas cerca de 24 dos 83 milhões de euros inicialmente anunciados.

7.    Caso se recusem ou não usem este recurso por si captado, os difusores vêm esta verba  ser alienada e obrigatoriamente entregue, no ano posterior, ao  ICA Instituto do Cinema e do Audiovisual. Está em causa apenas a sua eficácia estratégica na decisão e na execução dos projectos que pretendem desenvolver.

Não é crível que estes operadores não consigam investir os montantes em causa em futuras produções para os seus canais, ainda mais prevendo que os referidos investimentos irão ser  parciais, que não se obrigam portanto a suportar o seu custo integral.

Ao não quererem entender esta disposição legal e rejeitarem a interacção que este incentivo propõe para a abertura de um novo mercado audiovisual, os operadores SIC e TVI afastam-se inevitavelmente das dinâmicas do futuro, da sua inovação e da própria possibilidade de internacionalização das suas cadeias de televisão.

realizador

domingo, 17 de junho de 2012

MÁ-FÉ, MENTIRAS E INTERESSES

Uma mentira mil vezes repetida é, e será sempre, mil vezes mentira. Os porta-vozes dos patrões, directores de programas da SIC e da TVI, Luís Marques e José Fragoso, apareceram em sintonia, no horário “nobre” dos seus canais, em 11 de Julho de 2012. Encapotando a sua ganância enganaram, mais uma vez, os espectadores.

Primeiro: É falso que os tão falados 4% sobre as receitas da publicidade (que servem para o financiamento do ICA, da Cinemateca, do Arquivo Nacional de Imagens, dos festivais, da produção, da distribuição, da promoção dos filmes portugueses e de outros programas de apoio) tenham sido alguma vez retirados às receitas ou ao orçamento das televisões privadas. Esses 4% são pagos pelos anunciantes de publicidade, e retidos pelas televisões privadas, com a obrigação de os devolver. Não é mais do que um imposto, tal como o IVA. Entregam-no tarde e a más horas e muitas vezes não na sua totalidade. E ainda mais, a publicidade directa ou o patrocínio de programas, que desviam grande parte das receitas de publicidade, iludem muitas vezes a aplicação desse imposto. Os ditos “sete milhões de euros” que eles dizem investir não lhes pertencem, nunca lhes pertenceram. São do Estado e são do cinema. Esta é a grande mentira que há anos impingem aos portugueses.

Segundo: As televisões privadas portugueses, apesar de ser previsto na lei, nunca foram sujeitas à legislação europeia que na maior parte dos países obriga, no caderno de encargos para a obtenção da utilização de frequência, a aplicação de uma taxa para investimento na produção do audiovisual e do cinema de cada país. (Por exemplo, 50% do volume de negócios do Canal Plus – nem é sequer sobre os lucros! – é obrigatoriamente investido nas séries e no cinema de França. Estes senhores só são europeus para as coisas que lhes convêm.)

Terceiro: Outro grande privilégio das duas televisões privadas concedido pelo Estado português é a possibilidade de arrecadarem entre si mais de 80% das receitas de publicidade. O que querem mais? Senhor Luís Marques, senhor José Fragoso tenham pudor!

Quarto: Ao contrário dos senhores, nós não queremos entrar nas questões do gosto. Nós, que defendemos a liberdade a todo o preço, nunca nos atreveríamos a pôr em causa o gosto dos vossos programas. Mas queremos dizer-vos que os grandes actores e técnicos a quem vocês por vezes dão trabalho, foram formados no teatro e no cinema português. (É tão triste vê-los tantas vezes abaixo do seu talento!)

Quinto: Para terminar por agora. Ao contrário do que os senhores afirmam, se há coisa de que Portugal se pode orgulhar é do seu cinema.

Público - 16 de Junho de 2012

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Lei do Cinema na Assembleia da República a 6 de Julho de 2012

A proposta de lei do Governo (ppI69-XII) para o cinema e o audiovisual será discutida em plenário no Parlamento a 06 de julho, disse hoje à agência Lusa fonte oficial da secretaria de Estado da Cultura (SEC).

Texto da nova versão da proposta de Lei (aqui em pdf)
ou
no site da APR (aqui)
ou
no site da Assembleia da República (aqui em word e pdf)

sábado, 2 de junho de 2012

Comunicado da APR: Sobre a aprovação da Proposta de Lei do Cinema

1 - A APR congratula-se que, através da aprovação em Conselho de Ministros da Proposta de Lei do Cinema e Audiovisual, tenha sido dado um passo importante para a existência de um novo quadro legal que possa dar uma perspectiva de futuro a este sector.

2 - Não sabemos qual a redacção final aprovada, que esperamos que mantenha na sua essência a base de aumentar a sustentabilidade do cinema e do audiovisual nacional. Solicitamos que o documento aprovado seja disponibilizado e tornado público. 
Pretendemos também que a futura Regulamentação seja redigida com uma contribuição efectiva dos agentes do sector.

3 - Ao cumprir atentamente os prazos para a aprovação governamental o Senhor Secretário de Estado da Cultura tem agora que honrar o seu compromisso de que a Lei seja agendada no Parlamento ainda antes das férias parlamentares, para que o processo não se volte a atrasar. É vital que haja uma calendarização rápida e objectiva  que vise a sua célere implementação.

4 - A APR relembra que a situação actual de paralisia no sector é dramática e vem solicitar desde já a nomeação imediata da nova Direcção do ICA, que possa trabalhar com o Secretário de Estado da Cultura de forma a estabelecer um plano de emergência para o cinema, assumindo os compromissos contratuais e financeiros do ICA não deixando o cinema parar por incapacidade técnica desta instituição.

A APR - Associação Portuguesa de Realizadores

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O Conselho de Ministros aprovou a proposta de Lei do Cinema e do Audiovisual - 31.05.12

O Conselho de Ministros aprovou [no dia 31 de Maio de 2012] uma proposta de Lei do Cinema e do Audiovisual, que estabelece os princípios de ação do Estado no quadro de fomento, desenvolvimento e proteção da arte do cinema e das atividades cinematográficas e audiovisuais.

Esta proposta de lei lança as bases dos sistemas de apoio, prevendo um programa para o cinema, destinado a conceder incentivos financeiros à escrita e desenvolvimento, à produção, à coprodução, à exibição e à distribuição de obras cinematográficas nacionais.

Está ainda consignado um programa de apoio ao audiovisual e multimédia, com o objetivo de apoiar financeiramente o reforço do tecido empresarial da produção independente, e promover a transmissão televisiva e a fruição pelo público das obras criativas audiovisuais nacionais.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Projeto de Resolução do Bloco de Esquerda que recomenda ao Governo a criação de mecanismos imediatos e urgentes para apoio à criação, produção e divulgação do cinema português

Projeto de Resolução do Bloco de Esquerda que recomenda ao Governo a criação de mecanismos imediatos e urgentes para apoio à criação, produção e divulgação do cinema português.

O financiamento ao cinema português está a sofrer um corte inimaginável e incomparável com qualquer outro setor da economia: um corte de 100%. Estão paralisados todos os mecanismos de financiamento para o corrente ano, mas também estão parados os pagamentos referentes a concursos de financiamento de anos anteriores.

Numa altura em que o Cinema Português é premiado e reconhecido em todo o mundo, o governo, de modo completamente irresponsável, paralisa todo o setor com a sua inação. Não são novas as dificuldades de financiamento do setor, nem são novas as soluções. É o próprio governo que reconhece que uma nova lei do cinema, com novas formas de angariação de receita, é essencial à sobrevivência do cinema e audiovisuais portugueses. Mas essa lei tarda e a paralisia a que se chegou determina falências, desemprego, cancelamento de projetos, exclusão de coproduções nacionais, perda de cofinanciadores e, naturalmente, perda de criação.

O modelo de financiamento do cinema que em Portugal se segue, e a atualização que os agentes agora reclamam, não é novo e segue a prática um pouco por toda a Europa. As receitas que alimentam o sistema de financiamento público são angariadas através de taxas cobradas ao próprio setor do cinema e audiovisual, não pesando no Orçamento do Estado. Este facto, torna ainda mais incompreensível a situação de paralisia em que o setor se encontra.

No debate da especialidade do Orçamento do Estado para 2012, o Bloco de Esquerda propôs a adoção de novos mecanismos de financiamento ao cinema e audiovisual, infelizmente chumbados pela maioria, que evitariam a situação que agora se vive. A cada dia de paralisia se perde mais capacidade de criação e produção de cinema; pelos profissionais que emigram ou mudam de atividade, pelas empresas que encerram, pelas oportunidades de coprodução internacional que se perdem. Uma nova lei é essencial, mas, neste momento, é necessário um mecanismo urgente que quebre a paralisia.

O Bloco de Esquerda propõe assim a afetação de fundos comunitários do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) ao financiamento ao cinema e audiovisual para dar resposta excecional a uma situação também ela excecional. Enquanto se aguarda que uma nova lei entre em vigor, o financiamento à criação e produção de cinema português através do QREN pode evitar o descalabro no setor. Acresce que esta é uma opção que não pesa nas contas públicas. A contrapartida nacional exigida neste momento é apenas de 15% e, sendo o cinema uma área de emprego intensivo de mão-de-obra e gerador de muitas cadeias produtivas, é certo que o Estado arrecadará bem mais em contribuições à segurança social e em IVA do que terá de despender para assegurar a execução das verbas comunitárias que dedique a esta área.

Finalmente, e como os encerramentos das tradicionais salas de cinema um pouco por todo o país têm demonstrado, o acesso da população ao cinema está também em risco. Fora das zonas mais densamente povoadas e das salas multiplex dos centros comerciais, quase exclusivamente dedicadas ao cinema norte-americano, é hoje praticamente impossível ver cinema. A digitalização do cinema ditou o encerramento de muitas salas de cinema e impede em grande medida a atividade regular dos cineclubes, uma vez que o equipamento digital exige uma capacidade financeira ao alcance de poucos. Para que o Estado cumpra a tarefa constitucionalmente consagrada de garantir o acesso à cultura de toda a população, e portanto também o acesso ao cinema, é essencial a promoção de um mecanismo que garanta a possibilidade de exibição de cinema digital em todo o país. Nesse sentido, propomos também que o governo estabeleça uma linha de financiamento no quadro do QREN, dirigida aos cineteatros municipais e aos cineclubes, para o apoio à aquisição de equipamento digital para exibição de cinema.

Assim, ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda propõe que a Assembleia da República recomende ao Governo que:

1.     Garanta um procedimento excecional e urgente de financiamento à criação e produção do cinema português através do recurso a verbas do QREN;
2.     Estabeleça ainda uma linha de financiamento no quadro do QREN, dirigida aos cineteatros municipais e aos cineclubes, para o apoio à aquisição de equipamento digital para exibição de cinema.

Assembleia da República, 18 de maio de 2012.

As Deputadas e os Deputados do Bloco de Esquerda

Este projecto foi debatido em sessão plenária, na Assembleia da República na sexta-feira, 25 de Maio de 2012.

actualização - 02.06.2012: "O projeto de resolução do BE, que recomendava ao Governo a criação de mecanismos imediatos e urgentes para o apoio ao setor, foi [...] rejeitado pelos votos contra da maioria e do PS (que votou favoravelmente um dos pontos). " Jornal de Notícias

Projeto de Lei do PCP, que “Estabelece medidas de valorização e divulgação do cinema português”

Projeto de Lei n.º 214/XII-1.ª
Estabelece medidas de valorização e divulgação do cinema português

A cultura, como direito fundamental, quer do ponto de vista da produção, quer do ponto de vista da criação, está longe, e cada vez mais, de ser assegurada a todas as pessoas. A cultura é elemento fundamental na construção de uma sociedade democrática. Como expressão de ideias, de crenças, de convicções, de materialização.
Em Portugal, a política cultural tem vindo a ser traduzir-se em menos teatro, menos música, menos cinema, menos arqueologia, menos museus, menor acesso por parte de todos e de cada um à sua fruição.
No panorama cinematográfico nacional, a aposta tem sido nos êxitos de bilheteira, ditados pela unicidade ideológica dominante em contínua desvalorização do cinema produzido em Portugal e por portugueses.
O cinema português apenas é falado quando a sua qualidade é reconhecida além-fronteiras. Mas muito é o cinema – curtas-metragens, longas-metragens, documentários, cinema de animação – produzido ou coproduzido nacionalmente.
E, todavia, o cinema português aparenta ser a crónica de uma morte anunciada.
A perda de autonomia administrativa da Cinemateca Portuguesa, integrada numa estrutura que engloba outras quatro instituições culturais (o Agrupamento Complementar de Empresas); a venda, da Tobis, histórico laboratório do cinema português e a perda da prestação de um serviço de pós-produção; a suspensão do programa de apoios à produção cinematográfica do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), cujos concursos, paralisam os dois únicos mecanismos de investimento público no cinema: o ICA, instituto público com personalidade jurídica e autonomia financeira desde 1982 (surgido em 1971, sob a designação de Instituto Português de Cinema), e o Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA), que pressupõe contribuições do Estado e de entidades privadas como televisões e distribuidores de TV (nascido em 2006, e que está imobilizado desde 2009).
 
Em 2012, o ICA sofreu um corte de receitas na ordem dos 4,4 milhões de euros face à estimativa de execução para 2011.
Atualmente, a produção cinematográfica é financiada com uma taxa de 4% sobre as receitas da publicidade das salas de cinema e operadores ou distribuidores de televisão.
Em França, os canais de televisão têm que contribuir todos os anos com 5,5% do seu volume de negócios para a produção cinematográfica e audiovisual, são cobradas taxas sobre bilhetes de cinema, DVD's,; em Espanha, as televisões privadas dão 5% do seu lucro anual e as públicas 6% para a produção independente, existe um sistema de incentivos fiscais para atrair capital privado. No Brasil é conhecido e reconhecido o apoio estatal à produção cinematográfica, sendo que esse apoio se estende à divulgação europeia dos filmes brasileiros, contribuindo este país até para a realização de eventos em Portugal de divulgação de produções luso-brasileiras.
Para o PCP, o apoio às artes e à cultura em Portugal tem que passar pelo imprescindível incentivo à criação e à produção nacional, encarada como prioridade política. É também no cinema português que está a História do nosso povo. O que fomos, o que somos, o que fizemos e fazemos.
A inviabilização da produção nacional, em curso, é também a inviabilização do registo histórico, da educação e formação de públicos, o afastamento de jovens criadores, atores, técnicos, o empobrecimento e desemprego de cineastas que contribuem com a sua criação para o enriquecimento cultural, económico e social do país.
A ditadura do lucro não pode ser o ponto de partida nem de chegada do investimento público em nenhuma área. No setor cultural, tal afirmação é ainda mais premente.
«Fala-se na morte do cinema desde que nasceu. Antecipa-se esse momento, como se não houvesse futuro. Mas há.»[1].

Com o presente Projeto de Lei o PCP cria mecanismos que, sem qualquer investimento do Estado, são um passo fundamental para a divulgação do cinema português nas salas de cinema, arquitetando um sistema de projeções de obras nacionais por forma a dinamizar a sua distribuição, fomentar a sua visualização e divulgação.
«Se deixar de haver apoio do Estado à produção cinematográfica, deixa de haver cinema português.»[2]

[1]  Edgar Pêra
[2]  Teresa Villaverde

Este projecto foi debatido em sessão plenária, na Assembleia da República na sexta-feira, 25 de Maio de 2012.

actualização - 02.06.2012:  "O projeto de lei do PCP contou com os votos favoráveis da bancada comunista e do PEV, mas foi rejeitado pelo PSD, pelo CDS-PP e PS, contando ainda com a abstenção do BE." Diario de Notícias

segunda-feira, 21 de maio de 2012

O secretário de Estado da Cultura confirmou que pretende ter no Parlamento a proposta de nova lei do cinema, no prazo de 15 dias - 20.05.2012

O secretário de Estado da Cultura, o escritor Francisco José Viegas, confirmou neste domingo [20 de Maio de 2012] que pretende ter no Parlamento a proposta de nova lei do cinema, no prazo de 15 dias.

Se o prazo legislativo decorrer com normalidade, acho que há essa possibilidade de, no prazo de 15 dias, termos a Lei do Cinema disponível para circular, portanto para entrar na Assembleia da República”, afirmou Francisco José Viegas à Lusa.

O secretário de Estado da Cultura confirmou assim o que antecipara na sexta-feira, no final de uma reunião com a Associação Portuguesa de Realizadores (APR), um grupo de subscritores do documento “Cinema Português: Ultimato ao Governo”, entre os quais os realizadores Miguel Gomes e João Salaviza, e os produtores Humberto Santana e Luís Urbano.

Segundo Francisco José Viegas, esta nova proposta de enquadramento legal “
não é uma lei para financiar o cinema, é uma lei para criar um ambiente para o cinema e o audiovisual, ou seja, desde o Plano Nacional de Cinema, que entra em vigor já no início do ano lectivo de 2013/2014 para as escolas, à semelhança com o que acontece com o Plano Nacional de Leitura, até aos apoios à exibição à produção e à promoção internacional”.

É uma lei geral do cinema e do audiovisual que, pela primeira vez, traz o audiovisual para o mundo também do cinema”, acrescentou ainda o secretário de Estado, referindo que a situação de falta de verbas “não é singular do nosso país, vive-se em toda Europa”.

Segundo Francisco José Viegas, “
há países onde há financiamento zero, há países onde foi cortado 50 por cento, mas esses países onde o corte foi muito radical, tinham já uma estrutura montada e essa estrutura é a que nós queremos montar com esta Lei do Cinema e do Audiovisual”.

Quanto ao “
plano de emergênciareferido pelos representantes dos realizadores no final da reunião de sexta-feira, o secretário de Estado afirmou compreender “as dificuldades e a situação de penúria em que o sector foi deixado”, por isso está “a ver em que medida é que se podem arranjar soluções muito pontuais para alguns dos casos mais dramáticos”.

A sua vontade é “
ver se a partir do momento em que a lei é a aprovada, se podem abrir os concursos habituais do ICA [Instituto do Cinema e do Audiovisual] ainda este ano, tal como os concursos pontuais das artes”. (...)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Comunicado após a audiência com o Sr. Secretário de Estado da Cultura - 18-05.2012

Um grupo de subscritores do documento “Cinema Português: Ultimato ao Governo”, a APR Associação Portuguesa de Realizadores e a Associação dos Produtores de Animação reuniram-se com o Sr. Secretário de Estado da Cultura hoje, dia 18 de Maio de 2012. No âmbito dessa reunião foi concluído:

1.     O Sr. Secretário de Estado da Cultura deu a sua palavra de que as alterações decorrentes do processo de discussão pública do projecto da Nova Lei de Cinema não ferem os princípios e a substância do documento inicial que foi tornado público em Fevereiro deste ano.

2.     O Sr. Secretário de Estado da Cultura garantiu que no prazo máximo de duas semanas o processo inter-ministerial da nova lei será concluído de modo a ser agendada, com carácter de urgência, a sua discussão na Assembleia da República antes das férias parlamentares.

3.     O Sr. Secretário de Estado da Cultura assegurou ainda que, estando aprovada a nova lei, poderão existir condições para a abertura de concursos no ICA ainda este ano.

4.     O Sr. Secretário de Estado da Cultura assegurou que está a trabalhar num plano de emergência, independente do processo de aprovação da nova lei, que vise atenuar ou resolver parcialmente o problema financeiro que afecta o ICA, de modo a que, tão rápido quanto possível, os compromissos assumidos pelo ICA em anos anteriores sejam integralmente cumpridos.

5.     Foi assegurado também pelo Sr. Secretário de Estado da Cultura que logo que a Lei do Cinema esteja aprovada no Parlamento, iniciará o processo de discussão do Decreto-Lei regulamentador com o sector do cinema.

Lisboa, 18 de Maio de 2012

Sobre os recentes acontecimentos do cinema português - comunicado da APR - 18.05.2012

A APR exige uma política de desenvolvimento para o cinema em Portugal e a aprovação  imediata da nova Lei do Cinema.

Foi anunciado no final de 2011 que não haveria concursos públicos no primeiro semestre de 2012, o Secretário de Estado declarou a retoma dos concursos no segundo semestre de 2012, após a aprovação da nova Lei.

A incapacidade da Direcção demissionária do ICA para assumir os compromissos financeiros com o sector, quer os previamente contratualizados, quer os actuais e futuros,  pôs dramaticamente em causa o trabalho de todos os profissionais do sector e a continuidade do cinema português.

A APR  espera que  a futura direcção do ICA tenha capacidade para defender os direitos de todos os profissionais do sector e garantir a continuidade do nosso cinema.

O futuro do cinema português depende da inscrição na nova Lei de uma maior diversidade de fontes de financiamento,  provenientes dos operadores e plataformas que utilizam as nossas imagens. E este Governo deve manifestar independência face aos interesses dos grupos  económicos e financeiros que  se opõe à nova Lei.

A APR, desafia o governo a assumir as suas responsabilidades perante os vários sectores do universo da cultura, e garantir a  continuidade do nosso cinema.

A APR - Associação Portuguesa de Realizadores
Lisboa - 18 de Maio de 2012

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Demitiu-se a direcção do ICA - Instituto do Cinema e do Audiovisual

José Pedro Ribeiro apresentou a demissão do cargo de director do Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA). Esta notícia, avançada esta manhã pela Agência Lusa, segue-se à da demissão da directora adjunta do Instituto, Leonor Silveira, que no caso desta foi apresentada à tutela (Secretaria de Estado da Cultura) no passado dia 9 de Maio.

Leonor Silveira demitiu-se no passado 9 de Maio, dia em que vários profissionais do cinema exibiram um documentário sobre o cinema português, ao ar livre, nas escadarias do Palácio de S. Bento, numa acção de protesto contra o atraso na aprovação da nova Lei do Cinema.

Em nota enviada ao Público, a SEC confirma o pedido de demissão da direcção do ICA, acrescentando que ambos os responsáveis se “encontravam actualmente em regime de substituição”, e que se manterão em funções até serem designados os seus substitutos. (...)

Crise : le cinéma portugais en première ligne

Le Monde - 15.05.2012 (com assinatura)

Crise : le cinéma portugais en première ligne

Au Portugal, les cinéastes tournent... leurs pouces, à défaut de pouvoir tourner un film. Les caisses sont vides. Le signe ne trompe pas : en 2012, l'Institut du cinéma et de l'audiovisuel - l'ICA, l'équivalent du Centre national du cinéma en France - n'a pas réuni de commission en vue de soutenir de nouveaux projets.

Ce n'est pas faute de talents : le Portugal est peuplé de grands cinéastes, dont les figures historiques sont Manoel de Oliveira, 103 ans, toujours actif, et Joao Cesar Monteiro, mort le 3 février 2003, et la nouvelle génération a conquis la critique internationale et accumule les prix dans les plus grands festivals : Miguel Gomes (Ce cher mois d'août, Tabu), Joao Pedro Rodrigues (Odete, Mourir comme un homme), Sandro Aguilar, cinéaste expérimental, Joao Botelho, Joao Canijo... sans compter deux autres "Joao", plus jeunes, Nicolau (37 ans) et Salaviza (28 ans) - ce dernier a reçu la Palme d'or du court-métrage à Cannes, en 2009, avec Arena, puis l'Ours d'or cette année à Berlin pour un autre court, Rafa. (...)

Tous ces réalisateurs, mais aussi des producteurs, des directeurs de festivals, de ciné-clubs, au total 1 500 personnes viennent de signer une pétition en forme d'"ultimatum" au gouvernement, dénonçant la "situation dramatique" d'un cinéma laissé "à l'abandon"."Tout soutien a été coupé, l'Institut du cinéma est en rupture financière totale (...). La production est paralysée, ainsi que les soutiens à la distribution, aux festivals, aux ciné-clubs. La plupart des entreprises de production sont sur le point de fermer leurs portes, envoyant des milliers de gens au chômage", écrivent les signataires.

Une loi, en cours d'élaboration, vise à soutenir la production et à conforter les moyens de l'Institut du cinéma. Mais le texte tarde à voir le jour, les signataires s'impatientent et réclament une "mesure de secours" pour l'ICA. (...) Cela fait plusieurs années que la profession est menacée, et se mobilise. Depuis le milieu des années 1980, l'ICA est financé par une taxe de 4 % assise sur la publicité des chaînes de télévision. (...)

Depuis l'arrivée de la droite au pouvoir, à l'issue des législatives de juin 2011, il n'y a plus de ministère de la culture au Portugal, mais un simple secrétariat d'Etat : confié à l'écrivain Francisco José Viegas, ce portefeuille est rattaché au premier ministre. La culture n'a pas échappé au plan d'austérité budgétaire qui sévit à l'échelle du pays et, au-delà du cinéma, les coupes dans le spectacle vivant s'élèvent à 38 % pour la période 2009-2012. (...)

Joint par téléphone, Manoel de Oliveira lance cet avertissement : "Le cinéma portugais a toujours connu des difficultés. Mais, aujourd'hui, il risque de s'effondrer. Sur le plan esthétique et technique, il est pourtant irremplaçable. " Sa fille, Adélaïde Trêpa, qui assure la traduction, précise : "Notez bien, il a dit : "La culture, c'est ce qui reste après que tout a disparu"."

Clarisse Fabre

quinta-feira, 10 de maio de 2012

EUROPA CRIATIVA – CRIANDO A EUROPA Carta da APR ao Secretário de Estado da Cultura - 08.05.2012

EUROPA CRIATIVA – CRIANDO A EUROPA

Ao Excelentíssimo Senhor Secretário de Estado da Cultura
Dr. Francisco José Viegas

Na perspectiva do próximo encontro do Conselho, em Bruxelas no dia 10 de Maio, onde esperamos que Sua Excelência esteja presente, gostaríamos de o sensibilizar e chamar a atenção sobre os nossos pontos de vista sobre a actual proposta do Programa EUROPA CRIATIVA.

Por mais de 20 anos o Programa MEDIA apoiou a formação, o desenvolvimento e a promoção das obras cinematográficas e audiovisuais Europeias estimulando cineastas, actores e técnicos a colaborarem entre si atravessando as fronteiras nacionais. Proporcionou uma contribuição única para o desenvolvimento deste sector na Europa e no seu impacto no mundo.

Durante 10 anos o Programa CULTURA incentivou e apoiou produções artísticas, traduções,  colaborações internacionais,  intercâmbios que fomentaram as melhores práticas  para uma aprendizagem comum. Teve um efeito estruturante  na capacitação do sector cultural, contribuindo para políticas eficazes de intercâmbio efectuadas ao mais alto nível Europeu.

O Programa EUROPA CRIATIVA irá no futuro ser o instrumento único da UE exclusivamente dedicado ao apoio do sector cultural e do sector audiovisual. Vai uni-los e prolongar o sucesso consolidado e a experiência destes dois Programas.

A APR - Associação Portuguesa de Realizadores apoia fortemente a criação do novo Programa EUROPA CRIATIVA, que poderá ter um papel crucial para auxiliar estes sectores a adaptarem-se às novas oportunidades do advento do mundo digital,   providenciando os meios e as ferramentas para superar os desafios inerentes e aproveitar as novas oportunidades criadas.

Os realizadores portugueses  acreditam que a criatividade e a inovação, características das artes e da cultura,  são fundamentais  para obter um desenvolvimento sustentado, constituindo um fundamento chave para atingir o crescimento inteligente e inclusivo  que está estabelecido pela Estratégia EU2020.

É importante recordar que  mesmo com um incremento orçamental de 37%, como consta da proposta da União Europeia, este Programa representa ainda uma infima fracção do orçamento total da UE.

Por isso vimos desta forma solicitar:

1. Que apoie a proposta de orçamento global para o EUROPA CRIATIVA.

2. Que seja estabelecida  uma alocação de verbas apropriada para cada uma das anteriores iniciativas (MEDIA e CULTURA) tendo em conta as suas características  e especificidade, suas necessidades e potencial, de forma a realizar de forma plena os objectivos deste novo Programa.

3. Que persista na defesa da diversificação da oferta de oportunidades de financiamento, e que estas estejam disponíveis de forma igualitária para os diversos operadores que constituem o “ecosistema” dos sectores da cultura e do audiovisual Europeu.

4. Que apele à Comissão para um compromisso no estabelecimento de um diálogo próximo com os intervenientes dos sectores audiovisual e cultural, durante o processo de definição  dos seus objectivos operacionais e do estabelecimento das normas de formulação das candidaturas para este novo Programa.

5. Que proponha soluções pragmáticas e funcionais para a continuidade da existência dos MEDIA Desks  e dos Pontos de Contacto do Programa Cultura, de forma a que a qualidade da informação, o serviço especializado e o  “know-how” existente  junto de cada iniciativa seja garantido beneficiando os seus utilizadores e maximizando os recursos para as iniciativas de raiz nacional.

6. Que reconheça  a especificidade do papel das entidades de ligação e das redes (“networking”) Europeias, como entidades chave da participação da sociedade civil na cooperação Europeia e na criação de novas políticas. Caso a Comissão substitua os apoios operacionais em curso para as redes  (“networking”) com projectos previamente apoiados, tal acção deve ser compatível e garantir a forma como essas redes funcionam na actualidade.

7. Que aceite a proposta de abertura do Programa EUROPA CRIATIVA para os países vizinhos do espaço Europeu, através  de uma base de acordos significativos.

Os realizadores portugueses e os profissionais do cinema já beneficiaram do suporte e apoio do Programa MEDIA. O próximo programa poderá maximizar este apoio suportando de uma forma determinante  o sector cinematográfico nacional através da introdução de parceiros Europeus e internacionais, maximizando assim o potencial de audiências para os nossos futuros filmes.

Com os melhores cumprimentos,

a APR - Associação Portuguesa de Realizadores

Lisboa, 8 de Maio de 2012


Resposta do Secretário de Estado da Cultura

Recebi [...] os pontos de vista da APR em relação ao programa EUROPA CRIATIVA. Agradeço a contribuição e pode estar confiante de que defenderei esses pontos de vista em Bruxelas, quer no Conselho, quer nos encontros bilaterais (que são mais importantes, como sabe) que realizarei amanhã e depois. (...)

Francisco José Viegas
Secretário de Estado da Cultura
9 de Maio de 2012

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A Árvore do Cinema, por Fernando Vendrell

Cabe aos cineastas do presente a continuidade do trabalho da criação dos filmes, das imagens em movimento e dos sons da actualidade. Estas imagens e sons constituem um "olhar" circunstanciado e único sobre a realidade que nos rodeia, um gesto criativo que plasma para o futuro o entendimento e a compreensão da sociedade, a vivência, o pensamento e o seu imaginário colectivo.

A existência destes filmes através da sua produção, divulgação e preservação é essencial para a compreensão e entendimento futuro da sociedade portuguesa, constituindo também um património para a humanidade. Os cineastas do presente são os responsáveis pela continuidade da realização destes filmes, constituindo perante a sociedade um garante da existência futura deste património de imagens e sons através da sua obra cinematográfica.

Neste momento, de profunda crise na produção cinematográfica em Portugal, é vital que os filmes continuem a ser produzidos, exibidos e difundidos, continuando a retratar a realidade, manifestando preocupações, enunciando as aspirações e os desejos mais profundos da população portuguesa.

Está em risco a possibilidade de reflectir, sonhar e perspectivar o presente, mas também de constituir um património fílmico que consubstancia a realidade histórica e o imaginário futuro de um país. A necessidade da população se poder rever, identificando-se e projectando-se através da fruição da sua imagem filmada é um direito essencial, sem imagens em movimento e respectivos sons o seu presente é empobrecido, a sua memória é omissa e o seu futuro será inquestionavelmente hipotecado. Há uma enorme responsabilidade perante a população portuguesa de assegurar a existência deste "espelho mágico" uma obrigação a que os governantes portugueses não se podem furtar.

Os realizadores portugueses, cientes da importância única deste património, herdando o legado de milhares de "olhares" dos cineastas do passado, têm o dever e a obrigação de preservar a sua continuidade e o seu futuro. Nesta tarefa não estão sós, estão rodeados de autores, artistas, produtores, técnicos, prestadores de serviços, estúdios, laboratórios e de todas as pessoas e instituições que contribuem para a realização de um filme. Um filme é uma obra colectiva, a sua existência depende de um colectivo de pessoas e de todos os seus contributos para um fim comum. Em cada filme está registado residualmente um pouco das nossas vidas, a dedicação e esforço de um grupo de pessoas durante um momento específico de criação.

Citando livremente Manoel de Oliveira, o cinema é como uma árvore, cada ramo correspondendo um cineasta, cada galho um filme. Cada olhar de um cineasta cria as suas ramificações e as respectivas raízes. Esta àrvore centenária tem raízes bem fundas, sem o conhecimento destas raízes ou desprezando-as, os ramos perdem o seu vigor, as raízes apodrecem e deixam de existir, a árvore fenece correndo o risco da sua própria morte. O enfraquecimento desta àrvore tem como consequência a sua morte. Daí afirmarmos como Manoel de Oliveira, que para o cinema português "parar é morrer".

Os cineastas, realizadores, autores, artistas, produtores, técnicos, prestadores de serviços, estúdios, laboratórios, pessoas e instituições que providenciam a continuidade do cinema português e o seu futuro, estão em luta pela preservação de algo maior, deste legado centenário e da sua continuidade e futuro. A responsabilidade última perante a sociedade portuguesa.

Está em risco a capacidade dos portugueses, através dos filmes e do seu cinema, sonharem, se confrontarem com os seus fantasmas, fruindo na sua vida uma experiência mais rica e intensa, através das suas emoções e da projecção do seu imaginário.

Viva o cinema português!

9 de Maio de 2012

segunda-feira, 7 de maio de 2012

TODOS AO CINEMA EM SÃO BENTO!


TODOS AO CINEMA EM SÃO BENTO!

Porque um país sem cultura não tem futuro
 
Porque um país sem cinema não tem memória
 
Para todos os que se recusam a assistir passivamente 
ao seu extermínio,
 
Projecção, ao ar livre, de mais de 100 anos 
de cinema português.
 
Pela aprovação da nova lei do cinema!

Todos a S. Bento9 de Maio, quarta-feira, 21h
Entrada livre

quarta-feira, 2 de maio de 2012

sábado, 31 de março de 2012

Portugese Film Directors debate new Cinema Law - FERA Março 2012


APR held an extraordinary General Assembly at the Cinemateca in Lisbon on 11 February de 2012
Portugese Film Directors debate new Cinema Law
APR (Portuguese Association of Directors) held an extraordinary General Assembly on 11 February to discuss the draft of the new Cinema Law which was released on 1 February. APR welcomed the fact that the Secretary of State for Culture has fulfilled his promise to publish the bill for public consultation.
There are very positive proposals for the government to assume the responsibilities of film funding through programmes intended to provide economic support to various activities for the development of film art. The draft law proposes measures to broaden funding sources and set the level of financing rates and contributions to be paid by the various service providers, platforms and broadcasters.
Although some of the articles raise questions which will need to be addressed, APR generally approves of the proposed law.
However, as the law leaves some important definitions for later clarification, APR insists that they be defined in close collaboration with the professional associations.
Given the critical situation the Portugese film industry is currently in, the directors of APR appeal to the Prime Minister, the Secretary of State for Culture and Members of Parliament to approve this law and its regulation as soon as possible.!
This General Assembly was attended by FERA CEO Elisabeth O. Sjaastad, who expressed FERA’s concern about the situation facing our Portugese members, and especially the uncertainty surrounding the Institute for Cinema and Audiovisual (ICA) where the open calls for project funding have been suspended, with no clear information about when they will resume.!
In a statement released on 24 February on the subject of the new Cinema Law, APR poignantly draws attention to the recent international success of Portugese filmmakers:
“Portuguese films, which will be in increasingly small numbers from this year onwards, have captured the attention of film professionals from around the world. The awards that the filmmakers John Salaviza and Miguel Gomes received at this year’s Berlinale, is a great achievement for Portuguese cinema. They have proven their enormous vitality and ability to cross all borders. It is urgent to let them live!”