quinta-feira, 11 de março de 2010

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

ERIC ROHMER



Sobre o Fica - Carta dos realizadores (APR) à Ministra da Cultura

Carta dos realizadores reunidos na APR à Ministra da Cultura - II- enviada no 28.12.2009 (texto completo da carta em pdf)

A Arte do Cinema tem sido alvo, nos últimos anos, de uma continuada política contra os seus criadores e profissionais. A expressão dessa política é a nova Lei do Cinema (em pdf) e a criação do Fundo de Investimento para o Cinema e o Audiovisual (FICA), que não teve a participação nem a aprovação dos realizadores portugueses. (...)
Dois anos passados sobre o aparecimento do FICA é forçoso reconhecer o fracasso de uma política baseada nas projecções de rentabilidade e na mediocridade dos seus produtos. A ser fundamentada, a indústria do Audiovisual devia estar enquadrada no Ministério da Economia e nunca no da Cultura.
Com uma bolsa de 83 milhões de Euros para os próximos anos, continuam a ser nebulosos os critérios do funcionamento do FICA no que respeita ao cinema e diminuto o espaço da sua intervenção no sector.
Cabe esclarecer que o capital do FICA tem maioritariamente origem em recursos oriundos de empresas com participações estatais ou instituições do Estado. Porque é que este Fundo é aparentemente “dirigido” pelo representante da ZON-Lusomundo que representa apenas 5%? Porque é administrado pelo BES-ESAF? Onde estão os fundos privados? Onde está o capital de risco? Que controle existe sobre a participação financeira das televisões?
Este fundo apresenta os seus apoios como empréstimos reembolsáveis. Face à conjuntura do mercado perguntamos: Como? Quando? E em quanto tempo? Foram dadas como garantias dos empréstimos as acções das empresas beneficiadas que valem zero. Daqui a 3 anos (5 anos) ficará provado que esta política foi um desastre mas será então demasiado tarde e não haverá nada para a substituir.
Associação Portuguesa de Realizadores - APR
(texto completo da carta em pdf)

Um grande e horrível crime - Isso é FICA - por Jorge Leitão Ramos

2009 teve alguns dos mais execráveis filmes portugueses de sempre.
Com dezanove longas-metragens em estreia nas salas, 2009 teve uma produtividade fantástica. Com Pedro Costa a tornar-se uma coqueluche internacional (retrospectivas na Tate Modern, em Londres e em Madrid, as principais revistas internacionais a dedicarem-lhe desusada atenção, edições em DVD em Espanha, Inglaterra, Estados Unidos, aplausos vigorosos em Cannes para "Ne Change Rien"), dir-se-ia que só temos motivos para regozijo. Com Oliveira, sempre, no primeiro plano das atenções dos meios intelectuais do cinema mundial (foi capa nos "Cahiers du Cinéma" e quinto entre os melhores filmes do ano na eleição pelos redactores da revista), será que nos podemos queixar? Com uma Palma de Ouro em Cannes no campo das curtas-metragens ("Arena", de João Salaviza), não é de acreditar no futuro da nossa cinematografia?
E, todavia, quando olho para o panorama dos dezanove filmes longos que os meus olhos viram no ano que ora se fina, lembro-me pouco de entusiasmos e muito de desgostos. Eu acho que o que se está a fazer no cinema português é mesmo um grande e horrível crime. Finalmente, pode-se avaliar o que o Fundo de Investimento para o Cinema e o Audiovisual (FICA) está a derramar. Lembram-se daquele filme que não sabia articular dois planos e que desconhecia por inteiro a gramática da linguagem fílmica ("Second Life")? Isso é FICA. E se soubermos que a empresa que o perpetrou já recebeu mais de cinco milhões de euros de financiamento - isso é FICA exponencialmente. Lembram-se de Salazar libidinoso nas teias de Soraia Chaves - com Diogo Morgado a fazer o papel mais ridículo da sua vida ("Salazar - A Vida Privada")? Isso é FICA. Lembram-se de Joaquim Leitão a perder-se nas teias do oportunismo numa fita com um argumento indigente? Isso é FICA, a abafar o único cineasta que não pertence à geração do Cinema Novo e que sabia fazer filmes comerciais com um toque de autorismo. E aquela coisa luso-qualquer-coisa com Romeu, Julieta e futebol de fazer corar qualquer um de vergonha ("Star Crossed")? Isso é FICA, a armar ao internacional... Com tudo isto, o ano saldou-se por uma misérrima colheita de espectadores - ou seja, os filmes para o mercado não serviram mercado algum. E, perante a debandada geral de espectadores que assola o cinema português, ninguém parece ter digna solução para mudar as coisas.
Assim sendo, eu acho que me quedo com o pouco que pude amar: o estremecimento de uma actriz-revelação num filme perturbantemente convulso - Margarida Carvalho no "Veneno Cura", de Raquel Freire (não era um grande filme, só tinha verdade a jorrar por todo o lado); Catarina Wallenstein no belíssimo "Um Amor de Perdição", de Mário Barroso, que bem merecia ter tido melhor sorte; o corajoso "Morrer como Um Homem", de João Pedro Rodrigues, a pôr em cena a identidade de género - um dos melhores filmes do ano; Rui Simões a filmar os que vivem nas margens da cidade - com os olhos secos e toda a perplexidade ("Ruas da Amargura"); Manuel Mozos cheio de autenticidade e ternura a falhar um filme ("4 Copas") - mas que bonito era aqui e ali; Fernando Lopes com humor no desespero ("Os Sorrisos do Destino"); a Balibar a cantar 'Johnny Guitar' no "Ne Change Rien". E disse.
Jorge Leitão Ramos

domingo, 10 de janeiro de 2010

NOVOS ASSOCIADOS DA APR - 11.2009

Na Assembleia Geral de 19 de Novembro, sete realizadores juntaram-se à A.P.R.
André Godinho
Frederico Serra
Hiroatsu Suzuki
João Salaviza
Miguel Cabral
Rossana Torres
Tiago Guedes

ICA: É fundamental diversificar as fontes de financiamento para o Cinema

Carta dos realizadores reunidos na APR à Ministra da Cultura - I
enviada no 28 de Dezembro - (excertos)
Desde 2002, o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), que nem sequer figura na nova Lei (aqui em pdf), tem sofrido uma descapitalização e burocratização brutais, com uma dotação orçamental dependente da flutuação das receitas da publicidade.
Temos assistido a uma redução significativa do número de filmes, a uma diminuição de montantes dos subsídios, sem qualquer visão estratégica sobre o sector. (...)
A Associação Portuguesa de Realizadores (APR), filiada na Federation of European Directors (FERA), pugna pela reformulação e reforço do ICA enquanto Instituto de Cinema e um verdadeiro instrumento de uma política Cultural nas vertentes de criação, produção, divulgação e formação. Nessa medida a APR defende que a dotação do ICA deve constar do orçamento de Estado, a exemplo das outras artes.
Actualmente o financiamento para o Cinema tem origem numa taxa de 4% sobre a publicidade difundida nas televisões generalistas: 3,2% para ICA e 0,8% para a Cinemateca.
É fundamental diversificar as fontes de financiamento para o Cinema.
A APR tem proposto entre outras medidas possíveis:
- A subida da taxa sobre a publicidade para 5%;
- O regresso do adicional sobre o preço dos bilhetes de cinema (10%);
- Afectar uma percentagem dos lucros da exploração cinematográfica estrangeira na produção nacional;
- A substituição da taxa de exibição agora existente por outra, progressiva, consoante o número de cópias tiradas;
- Uma taxa sobre as receitas das novas formas de exploração multimédia - cabo, vídeo, DVD, VOD, net, telemóveis;
- Uma taxa sobre os suportes virgens;
- Verbas de receitas de jogo (Santa Casa, Casinos);
- A criação de benefícios fiscais (tipo Tax Shelter para produção de cinema);
- A modificação da Lei do Mecenato e dos benefícios fiscais no apoio ao Cinema;
- Uma quota de filmes nacionais e europeus nos cadernos de encargos dos operadores televisivos, em canal aberto, codificado, cabo, VOD ou operador Internet com base em território nacional;
- A quem serve por exemplo a taxa para o audiovisual que todos pagamos na factura da EDP? Que percentagem desta taxa é aplicada em obras cinematográficas?(...)
Não é possível conceber a história do século XX e XXI sem o Cinema, uma nova forma de imprimir a realidade como dizia Jean Renoir, e uma nova forma de conhecimento que transformou o mundo, como as outras artes. Arte da memória, confronto com a realidade do presente, prefiguração do futuro, o Cinema estrutura a nossa identidade como país e como Cultura. Na Europa, a história do Cinema é também a história de uma ideia de Autor, contra a imposição de uma norma única e do marketing do entretenimento.
Lisboa, 28 de Dezembro de 2009
Associação Portuguesa de Realizadores - APR
(texto completo da carta em pdf)

Carta da APR à Ministra da Cultura - 28.12.2009

Lisboa, 28 de Dezembro de 2009
Exma. Sra. Ministra da Cultura

Fomos surpreendidos pela lista de apoios financeiros a atribuir pelo ICA em 2010 tornada pública no passado 23 de Dezembro.
Os realizadores consideram que todos os seus esforços manifestados em inúmeras reuniões e documentos numa dinâmica invulgar na defesa do cinema português ameaçam ser defraudados pelo manifesto atrofio e progressiva diminuição dos financiamentos, e portanto do número de filmes a produzir (montante financeiro igual ao de 2009).
A publicação dos programas de apoio financeiro para 2010 não teve em conta o esforço nem as expectativas dos cineastas reunidos na APR (em anexo proposta de alteração aos regulamentos dos programas de apoio do ICA entregue à direcção do ICA em 27 de Novembro).( aqui em pdf )
Já por duas vezes contactámos o Gabinete do seu Ministério para lhe comunicar as nossas apreensões e as nossas propostas.
Enviamos desta forma o documento elaborado por esta associação (aqui em pdf) sobre o estado actual do cinema português com propostas nossas para uma urgente dinamização do sector.
Os realizadores portugueses esperam da nova Ministra da Cultura uma politica nova para o cinema e aguardam com grande expectativa o anúncio dessa política.

a Direcção da APR

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

PROGRAMAS DE APOIO FINANCEIRO - 2010


O ICA, Instituto do Cinema e do Audiovisual, divulga, em 23 de Dezembro, os programas de apoio financeiro a decorrer em 2010. Não houve qualquer alteração em relação aos péssimos anos anteriores e o montante é igual ao montante de 2009!


um "Clic" na imagem abre-a

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ministra afirma que Cultura é prioridade e reiterou o seu objectivo de duplicar o orçamento para o Ministério de Cultura

Gabriela Canavilhas foi ontem ao Parlamento apresentar o programa do Governo para a Cultura e reiterou o seu objectivo de duplicar o orçamento do anterior Executivo para o ministério que dirige há oito semanas (de 0,3 para 0,6 por cento do Orçamento do Estado).
no Correio da Manhã, por Ana Maria Ribeiro

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Maria João Seixas é a nova directora da Cinemateca Portuguesa

O Ministério da Cultura anunciou hoje oficialmente a escolha de Maria João Seixas para a direcção da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema.
Comunicado do Ministério:
Quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009 -
O Ministério da Cultura informa que procedeu à nomeação de Maria João Seixas para o cargo de Directora da Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema. Entre as várias áreas de intervenção da Cinemateca que importam reforçar e imprimir uma nova dinâmica, no âmbito das orientações emitidas, incluem-se objectivos como a criação da Cinemateca do Porto, a instalar na Casa das Artes, a dinamização da Cinemateca Júnior, no Palácio Foz e o reforço dos projectos de descentralização. A nova direcção deverá, ainda, impulsionar o processo relativo ao depósito e preservação de arquivos fílmicos da RTP no âmbito de acordo protocolado. Com esta nomeação fica, assim, preenchido o lugar directivo que se encontrava vago desde o falecimento de João Bénard da Costa, em 21 de Maio de 2009, e, até à data, assegurado interinamente pelo Subdirector Pedro Mexia.

domingo, 29 de novembro de 2009

A ministra da Cultura disse ter a certeza que a Cultura vai ser alvo de uma atenção especial no Orçamento do Estado

Não tenho nenhuma dúvida que vai haver para a Cultura uma atenção especial do senhor primeiro-ministro e do senhor ministro das Finanças, tendo em conta o pressuposto de que, cada vez mais, é um eixo de desenvolvimento nacional, afirmou hoje Gabriela Canavilhas.
Em declarações aos jornalistas, a ministra da Cultura escusou-se a fazer uma previsão sobre a percentagem do OE que será atribuído ao seu ministério, mas lembrou que a Cultura movimenta 2,8 por cento do PIB [Produto Interno Bruto], em termos de receitas, o que, acrescentou, é mais do que o investimento público que é feito para a Cultura.
Ainda é cedo para falar de números, considerou, lembrando que os números estão a surpreender pela negativa, em termos gerais, e os números que vierem para a Cultura vão ter em conta esse contexto.
Apesar de estar consciente de que o OE tem que ter em conta as dificuldades económicas, Gabriela Canavilhas reforçou que o orçamento tem que permitir a promoção de iniciativas e de estratégias que façam da Cultura uma nova maneira de estar e de desenvolver o país.
A ministra da Cultura recordou que o primeiro-ministro já manifestou, quer antes das eleições quer no discurso de apresentação do programa de Governo (aqui em pdf), o interesse e a atenção que quer dar à Cultura como eixo estratégico de desenvolvimento nacional.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Programa do XVIII Governo para a área da cultura

Programa do XVIII Governo Constitucional para a área da cultura
(Diário da Assembleia da República - II Série A – nº 3 – 3 de Novembro de 2009)
Excertos:

Capítulo II – Conhecimento e Cultura

4. Investir na Cultura

A cultura constituirá, na legislatura de 2009-2013, uma prioridade do Governo, no quadro das políticas de desenvolvimento, qualificação e afirmação do País. São três os nossos compromissos centrais:
Reforçar o orçamento da cultura durante a legislatura, de modo a criar as condições financeiras para o pleno desenvolvimento das políticas públicas para o sector;
Assegurar a transversalidade das políticas culturais, garantindo a coordenação dos ministérios e departamentos envolvidos em políticas sectoriais relevantes para a cultura;
Valorizar o contributo decisivo da criação contemporânea para o desenvolvimento do País, fomentando a constituição de redes ou parcerias e promovendo o aumento e diversidade das práticas culturais, através de políticas transparentes de apoio aos criadores, à formação de públicos e a uma maior interacção entre cultura, ciência e educação. Assim, serão assumidos como objectivos da política cultural criar condições para que os cidadãos portugueses sejam culturalmente mais qualificados e mais participativos nas práticas culturais e na definição das políticas da cultura, no quadro de uma cultura do conhecimento, da criatividade e da inovação; assegurar que o ambiente social e urbano seja mais qualificado do ponto de vista do património e da memória, seja mais estimulante do ponto de vista do exercício dos talentos e mais facilitador da vida colectiva, criando espaços de encontro e interacção físicos e virtuais; disponibilizar meios económicos e instrumentos organizativos, estimulando a autonomia e incentivando os artistas e agentes culturais, permitindo-lhes exercer os seus talentos de forma mais livre, mais aberta e mais visível.
São de destacar três áreas: Língua; Património; Artes e Indústrias Criativas e Culturais. (...)
Artes e Indústrias Criativas e Culturais
O Governo reforçará os apoios aos artistas e aos criadores, bem como às artes e às indústrias criativas e culturais. Assim:
Promoverá a educação artística nos diferentes níveis de ensino e desenvolverá programas de incentivos à promoção das artes e à formação de novos públicos (...)
Reforçará a forma de financiamento de apoio às artes e ao cinema, reformulando, ouvidos os profissionais do sector, o Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual;
Defenderá um pleno empenhamento das televisões na produção e difusão do cinema português; (...)
Aperfeiçoará o estatuto de carreiras artísticas, visando o aprofundamento dos mecanismos de apoio no desemprego, na doença e na reforma às profissões artísticas e aos artistas cujas actividades estão sujeitas a permanentes intermitências (...)
Estimulará a produção audiovisual independente e promoverá, nesse contexto, a criação independente de conteúdos em Língua Portuguesa;
Promoverá, estimulará e apoiará a criação, o desenvolvimento e a internacionalização de programadores independentes e a sua disseminação em rede (...)
Dará especial atenção ao apoio à criação artística, em especial em áreas que não podem ser abandonadas à pura lógica do mercado, designadamente o teatro, a música, a dança, o circo, as artes visuais, o cinema e o audiovisual.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Governo: Cultura terá orçamento "reforçado"

O programa de Governo hoje entregue na Assembleia da República assegura que a Cultura vai ser "uma prioridade" do Executivo socialista para os próximos quatro anos, prometendo "reforçar o orçamento" do sector mas sem especificar valores.
A criação de "condições financeiras para o pleno desenvolvimento das políticas públicas" na área da Cultura é proposta no texto aprovado hoje em Conselho de Ministros e entregue no Parlamento, documento com um texto igual ao do programa eleitoral do PS.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

LEMBRANÇAS XVI - José Socrates : "deveríamos ter investido mais em cultura"

Sócrates assume erro de ter investido pouco na cultura.
O primeiro-ministro apontou, esta quarta-feira, como exemplo de um erro cometido pelo seu Governo nesta legislatura a ausência de um investimento volumoso na área da cultura, tal como aconteceu com a ciência nos últimos anos.
Querem um exemplo [de um erro], então vou dar-vos um exemplo, terão aí uma notícia, disse José Sócrates aos jornalistas no final do debate da moção de censura do CDS-PP ao Governo.
Se há um erro que é possível identificar ao longo destes anos é que talvez deveríamos ter investido mais em cultura, tal como fizemos em ciência, disse.

sábado, 25 de julho de 2009

Tribunal decide a favor do autor

no Público do 24.07.2009 (pagina 11), por Joana Amaral Cardoso:
Decisão judicial após providência cautelar do realizador João Maia impede filme baseado no seu guião

A produtora Utopia Filmes (Alexandre Valente) está judicialmente impedida de utilizar o guião ou qualquer material produzido e pesquisado pelo realizador João Maia para o projecto do filme sobre António Variações (...)
Seis meses depois da providência cautelar interposta por João Maia, o Tribunal Cível de Lisboa decidiu na última quarta-feira a favor do autor quanto à devolução dos seus guiões e pesquisa e impede ainda o Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA) de financiar qualquer projecto relacionado com o argumento trabalhado desde 2004 por Maia.(...)
A mesma decisão judicial determina que a Utopia Filmes elimine os registos "informáticos relacionados com" Variações e interdita o financiamento pelo FICA de um projecto sobre o trabalho de Maia. Em 2008, o FICA (gerido pela Espírito Santo Activos Financeiros e com os canais generalistas, a ZON e o IAPMEI como participantes) atribuiu cinco milhões de euros à Utopia Filmes para a realização de seis longas-metragens, por financiamento indirecto, constituindo com ela a sociedade Utopia Major Spot.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

DocLisboa e a pobreza do serviço público de televisão em Portugal

Na conferência de imprensa do Doclisboa 2009, que teve lugar em 15 de Julho na Culturgest, a direcção do DocLisboa pronunciou-se de forma oficial sobre a lamentável pobreza do serviço público de televisão em Portugal e suspendeu a parceria existente com a RTP:

(...) Em Portugal existem dois canais públicos de televisão, de costas voltadas para o cinema e para o documentário. O número de horas que exibem de documentário é insignificante. O orçamento que atribuem à compra e à co-produção (nacional e internacional), bem como a programação que fazem, são ridículos. Os valores investidos são menos do que um décimo do que seria necessário a um serviço público de televisão. (...)
O DocLisboa e a Apordoc tem relações estreitas com os canais de televisão europeus que coproduzem, compram e exibem documentários. O DocLisboa e a Apordoc sabem muito bem o que é um canal de televisão que se interessa por documentários. A RTP definitivamente não o é. (...) O que se passa na RTP há muito tempo é da ordem do crime. É um crime contra o património e um crime contra os cidadãos.

Nota final: a Apordoc e o DocLisboa pronunciam-se de forma especial sobre o estado do documentário no serviço público de televisão, mas tudo o que é aqui dito sobre documentário, e que revela o desprezo que por ele têm no serviço público português, aplica-se ponto por ponto ao cinema de ficção e aos programas de valor cultural.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cineastas iranianos denunciam golpe de estado

Cineastas iranianos denunciam golpe de estado no Irão:

Declarações de Moshen Makhmalbaf, realizador de Salam Cinema, Gabbeh e Kandahar, e Samira Makhmalbaf, realizadora de O Quadro Negro, no Les Inrocks e L'Humanité e no Ipsilon

Declaração de Marjane Satrapi, realizadora de Persepolis no Parlamento Europeu no site do Nouvel Observateur

Declaração do realizador Bahman Ghobadi no Télérama: L'inquiétude des cinéastes iraniens

terça-feira, 16 de junho de 2009

A APR integra a FERA - Federação Europeia de Realizadores

A convite da FERA (Federação Europeia de Realizadores do Audiovisual), a APR esteve presente na Assembleia-Geral anual que decorreu em Budapeste entre 11 e 13 de Junho.

A candidatura da APR para se tornar membro activo da FERA foi considerada oficialmente nesta Assembleia Geral e aprovada por unanimidade. A APR passa agora a representar os realizadores portugueses seus associados numa frente comum de associações de realizadores, que representam 27 países europeus, na defesa dos seus direitos e das suas obras.

A FERA defende a arte, o saber-fazer e os direitos morais e patrimoniais do realizador como elementos essenciais da diversidade da cultura cinematográfica e audiovisual na Europa e no mundo. A FERA representa os realizadores enquanto criadores principais das obras cinematográficas e audiovisuais. O realizador que toma as decisões relativas à criação no processo de colaboração artística tem a responsabilidade final de coesão estética e integridade artística da obra.

Nesta assembleia-geral onde estiveram presentes cerca de 60 realizadores delegados pelas 30 associações europeias, debateram-se ao longo destes três dias questões que, embora de forma diversa, são comuns às cinematografias europeias: os direitos de autor, o final-cut, o progressivo desaparecimento na distribuição e na exibição dos filmes europeus nas salas de cinema, televisão, cabo e novas tecnologias. Foi ainda amplamento discutida a necessidade de elaboração de um contrato europeu de realizador que respeite o estatuto do realizador como principal autor de uma obra cinematografica.

A APR considera que este foi um passo importante para a prossecução dos seus objectivos de intervenção e vai desenvolver o diálogo, partilha de informação e delineação de projectos comuns, iniciado durante este período, com as associações suas congéneres.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

João Salaviza: "Os filmes são anteriores aos prémios"


Parabéns João Salaviza!


A APR congratula-se com a Palma de Ouro que o realizador João Salaviza conquistou em Cannes para a melhor curta-metragem com o seu filme Arena e com a forte presença de realizadores portugueses este ano no Festival de Cannes e na Quinzaine des Réalisateurs.
Congratula-se ainda mais porque estes realizadores representam um cinema que neste momento está ameaçado.
Mas, estaremos nós no melhor dos mundos? Seria bom, mas a verdade é que os responsáveis da actual política para o cinema (ou seja: a não política) poderão retirar daí proveito politico, mas será suficiente para que deixem de programar a lenta asfixia deste cinema?

Entrevista de João Salaviza
por Francisco Ferreira no Expresso

domingo, 5 de abril de 2009

SERÁ QUE O ICA VIOLA O SEU PRÓPRIO REGULAMENTO?











Depois de apoiar o produtor de um filme sem realizador, o ICA apoia agora, contra o seu proprio regulamento, Amália, um filme apoiado pelo FICA:
" O ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual - I.P., anuncia que, por despacho de 13 de Março de 2009, do Senhor Director do Instituto, foi atribuído apoio financeiro no montante global de € 300.000,00, às produtoras abaixo identificadas: VC - Valentim de Carvalho - Amália - 109.875,00 euros"

No regulamento do ICA (aqui em pdf) relativo aos programas de apoio, está estipulado no artigo 8º, alinea 9:
Não são admitidas as candidaturas de projectos que já tenham sido objectos de investimentos do Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual previsto nos artigos 63º e seguinte do Decreto-Lei nº227/2006.

No site do FICA, está stipulado no FAQ's:
Um projecto subsidiado pelo ICA, I.P. pode candidatar-se ao FICA. O inverso é vedado legalmente.

O filme Amália foi objecto de investimentos do Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual de um montante de 342.000,00 euros e recebe agora um apoio do ICA de 109.875,00 euros!

Alguém sabe explicar?

domingo, 29 de março de 2009

Cinema: O Estado das Coisas em Portugal!

excertos da entrevista de Paulo Branco no Correio da Manhã

Como está o estado actual do cinema em Portugal?

A época de ouro do cinema português, anos 80 e 90, quando apareceram pessoas como o Pedro Costa, o Manoel de Oliveira, o João César Monteiro, a Teresa Villaverde, o João Botelho, e hoje, a comunidade política e a comunicação social têm tendência a esquecer-se desse período que levou o cinema português além-fronteiras. A qualidade do cinema em Portugal só foi possível graças a uma estrutura que, mal ou bem, resistiu às mudanças de governo, às mudanças de ministros. Essas estrutura é que tem de ser reforçada e não questionada. O Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), com as diversas denominações que teve ao longo dos tempos, foi o instrumento número um, que possibilitou ao cinema português ter aquela áurea enorme técnica.

Para si, o ICA foi então o grande impulsionador do cinema?
Exactamente. Fez aparecer poucos, mas alguns, produtores, muitos, e grandes realizadores e actores. Os grandes actores da televisão actual começaram no cinema. Rita Blanco, Bernardo Luís, Alexandra Lencastre, Margarida Vila-Nova... E o importante neste momento é não destruir esta base mas sim reforçá-la. E é preciso lembrar que nada disto foi feito com o orçamento geral do Estado, mas sim através da taxa de 4 por cento derivada da publicidade. Os contribuintes não tiveram participação e até deviam ter tido, como em tudo.

Então o que passa no cenário actual do cinema?
Há uma grande ignorância e novo-riquismo os decisores que estremeceram, nos últimos três anos, esta estrutura que é indispensável e devia ter mais fundos para além da taxa dos quatro porcento. Em vez de ter havido o reforço dos meios do ICA, houve um deslumbramento para caçar, a qualquer preço, espectadores. O grande cinema não pode ser feito com esse espírito. Mais do que isso, houve um desvio de uma lei que nos punha ao nível da Europa e que, de certa forma, obrigava qualquer operador audiovisual a investir em cinema e audiovisual. Isso foi transformado num projecto que só tem trazido a pior confusão e um grande oportunismo. É quase um caso de polícia.

Está a falar do Fundo de Investimento no Cinema e Audiovisual (FICA)?
Sim, é um discurso demagogo e aldrabão e uma caça ao dinheiro do Estado, através do Ministério de Economia. Este fundo é uma lei desviada dos contornos originais e que promete retornos impossíveis de obter. É um monstro, um aborto, que não tem nada a ver com critérios culturais. Mesmo que um filme faça 300 mil espectadores, o retorno ao produtor são 150 mil euros e os filmes são feitos com, pelo menos, um milhão e meio ou dois milhões de euros. Portanto não há retorno (como é regra para obtenção do fundo). A Lei que devia fomentar a cultura acabou por ser esquecida e desviada.
(...)
Os filmes apoiados pelo FICA não conseguem então cumprir a regra do retorno relativa a este fundo?
É uma profusão de audiovisual de baixa qualidade mas não consegue espectadores para dar retorno nem sequer a nível cultural. Só dá uma imagem do país inacreditável e ‘inexportável’.

Então acha que se devia abolir o FICA?
O FICA nunca devia ter existido. A única estrutura que devia gerir o audiovisual em Portugal era o ICA e sem permitir baixar a qualidade. Não sei quem vai querer comprar, lá fora, o ‘Equador’ e é inacreditável que o primeiro produto audiovisual sobre Salazar tenha sido aquilo (‘A Vida Privada de Salazar’). Estamos muito abaixo de Berlusconi. E isto tem sido feito com o beneplácito do próprio ministro da Cultura que diz que isto não tem nada a ver com ele e adoptou a posição de avestruz.

E o ICA serve os propósitos do cinema português?
Tenho muitas críticas ao funcionamento da instituição mas não ponho em causa a estrutura. Quero é o reforço da estrutura com um reforço de verbas e responsabilização na promoção e desenvolvimento da produção audiovisual, além da cinematográfica, e com critérios de qualidade. Deviam ser criadas condições para que o ICA funcionasse melhor: deixasse esta burocratização excessiva e reforçasse as suas receitas – até podia ser com o reforço de 1% do volume de negócios das televisões privadas –, ter uma maior preocupação na distribuição e exibição e uma transparência no apoio a festivais. E rever o incentivo a primeiras obras, assim é difícil surgirem novos realizadores...

Há novos talentos no cinema?
Eu fiz nascer muitos novos e bons realizadores mas só com 10 filmes por ano é muito difícil fazer surgir novos talentos. Ou se criam condições para mais filmes ou não só não surgirão novos como será difícil confirmar os que existem.

Concorreu nas duas edições (e únicas até à data) do seu Estoril Film Festival?
Sim, mas segundo o ICA o festival teria de existir há mais de três anos.

Só terá, eventualmente, apoio na quarta edição?
Mesmo aí já me disseram que atribuíram a maior parte das verbas, nos contratos-programa de três ou quatro anos.

Como vê esse facto?
Quem dirigia o ICA, muitas vezes, seguia directrizes, nem sempre muito claras, do Ministério da Cultura. Enquanto o ministério tinha condições, corria tudo bem...

Está a falar de que época no ministério, da de Manuel Maria Carrilho?
Até aos tempos dele. Desde então nenhum ministro se leva a sério. Era importante o ministério da Cultura ter uma parte, do orçamento geral do Estado para a Cultura. A partir do Manuel Maria Carrilho, tudo descarrilou. Durante esse período, havia pessoas mais ou menos qualificadas no ICA e uma preocupação e atenção por parte do ministério.

E agora...
A seguir a Carrilho, o ICA passou a ser um depósito de funcionários públicos, pessoas que desembarcaram ali por amizades políticas e sem nenhuma experiência no cinema. E os ministros deixaram essas pessoas ir gerindo a situação. Ultimamente, numa tentativa de criar uma maior transparência, houve uma burocratização kafkiana e começaram-se a criar regulamentos. Criou-se uma teia de regulamentações e uma forma incompreensível de eleger os júris e distribuir os apoios anacrónica e completamente errada, com um lavar das mãos dos ministros. Chegou-se a um ponto absurdo em que os funcionários têm um poder absoluto e inventaram regulamentos impraticáveis e agora dizem que já não os podem mudar...e foram eles que os criaram. Por exemplo, as curtas-metragens têm de ter até 90 minutos e as longas-metragens a partir dessa duração. E um dia eu comentei: ‘Mas há grandes obras-primas só como 70 ou 80 minutos, como é que fazemos?’ ‘Só tem de ampliar o genérico mais uns minutos, foi a resposta que me deram’...

Quem?
O Dr. Nuno Fonseca, que já não está na direcção. O caso de ‘Singularidades de Uma Rapariga Loira’, última obra de Manoel de Oliveira, tem 64 minutos é um caso fora-da-lei. Este é só um exemplo para se perceber o anacronismo dos regulamentos que foram inventados...

Mas considerando ‘Os Mistérios de Lisboa’, que o Paulo Branco quer produzir e filme com o qual se candidatou ao ICA, em que discordou do regulamento (ao ponto de interpor uma providência cautelar, entretanto dada como improcedente, e consequente recurso)?
Eles tentam objectivar situações difíceis de serem objectivas. E o ICA tem júris que não têm relação nenhuma com o cinema ou a produção de filmes. É muito grave que sejam essas pessoas que vão analisar quem deve ou não deve filmar. Neste caso, o que se passa é que é tudo objectivado. (...)

domingo, 22 de março de 2009

UMA LEGISLATURA PERDIDA EM TERMOS DE POLÍTICAS CULTURAIS

O antigo ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, lamenta que a política cultural se tenha tornado "cada vez mais invisível, ilegível e incompreensível, ameaçando fazer dos anos 2005/2009 uma legislatura perdida para a cultura" e sugere que "a Fundação Res Publica (ou o fórum Novas Fronteiras), retomando o espírito dos Estados Gerais - isto é, um espírito de real abertura e de efectivo debate- abra uma ampla discussão sobre a situação e o futuro das políticas culturais em Portugal, com a intenção de as refundar". (...) A difícil conjuntura económica pela qual Portugal passa “de modo algum justifica, seja o estado de abandono a que a cultura tem sido votada, seja o desinvestimento de que tem sido objecto e que pode provocar danos irreversíveis”.

CANDIDATURAS ÀS PRIMEIRAS OBRAS AUMENTAM 40% - PRIMEIRAS OBRAS APOIADAS DIMINUEM DE 50%

No seu site o ICA publicou a seguinte notícia:
"Candidaturas às 1as obras aumentam de mais de 40%. O ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual, I.P. informa que encerrou ontem, dia 18 de Março, o prazo para entrega de candidaturas ao Programa de Apoio à Produção de Primeiras Obras de Longas Metragens de Ficção. Foram presentes a concurso 63 candidaturas. Este número constitui um aumento de mais de 40% comparativamente ao ano transacto."

O que o ICA não menciona é que de 2001 até agora o programa de apoio às primeiras obras sofreu de uma redução de mais de 50%, o numero de primeiras obra apoiadas passou de 4 para 2 e os regulamentos do ICA obrigam as segundas obras, que antes podiam concorrer ao Programa de Apoio a Produção de Longas Metragens, a concorrer ao Programa de Apoio às Primeiras Obras.

sexta-feira, 20 de março de 2009

NÃO HÁ QUEM SE ESCANDALIZE? NÓS ESCANDALIZAMOS-NOS.

SÓCRATES E OS EMPREITEIROS

O ministro da cultura não deve ter uma politica de gosto
José António Pinto Ribeiro
ao Expresso em 12 de Julho de 2008.

A Arte não pode ser adiada pelo peso morto do público...
Henri Matisse, 1946


Não, não se trata nem do caso Freeport, nem do caso Lena, nem sequer das casitas da Beira. O assunto é outro e para nós mais sério.
Estrearam-se nos últimos tempos nas salas portuguesas O Crime do Padre Amaro, Corrupção, Call Girl, A Arte de Roubar, Amália, o Filme, Second Life e nos écrans de televisão as super-produções Equador e A Vida Privada de Salazar.
O senhor ministro não tem gosto? Tem. É este !
Gosto que ficará também para sempre ligado a este governo do Partido Socialista.
O dinheiro que pagou estes produtos audiovisuais é maioritariamente dinheiro público vindo do Fundo de Investimentos para o Cinema e o Audiovisual – FICA ( 40% do total – IAPMEI, Estado, 30% ZON Lusomundo, dedutíveis nos impostos, portanto Estado, 6% RTP ainda Estado. Só 12% vindos da SIC e 12% da TVI são fundos privados ). Quer isto dizer que 76% do total são fundos públicos.
Estes “conteúdos” foram anunciados como produções de montantes financeiros elevados. Acrescente-se ainda o custo de dezenas de cópias, das gigantescas campanhas publicitárias (televisão, imprensa, outdoors, transportes públicos, etc.) que podem calcular-se em milhões de euros.
Sabemos o que nos vão responder: é capital para recuperar. Mas, em vez de nos mostrarem a relação entre os investimentos e as receitas, como fazem as revistas profissionais da indústria americana que tanto admiram ( Variety, Hollywood Report, etc. ), vão atirar-nos com o número de espectadores. Não admira ! Com 72 cópias em exibição simultânea e com uma brutal campanha de promoção qualquer produto deste género terá resultados semelhantes.
Mas alguma vez será recuperado o dinheiro investido?
Vamos à Matemática. Por exemplo : um grande êxito de público que atinja os 200 000 espectadores, para as contas serem simples, faz de receita bruta € 900 000 que são distribuídos do seguinte modo : € 540 000 para o exibidor (a sala), € 108 000 para o distribuidor e finalmente € 252 000 para o produtor. Os empreiteiros do audiovisual anunciaram o custo de cada um dos seus produtos com um valor médio acima de € 1 500 000, alguns mesmo muito acima. Magnífico embuste ! Todos sabem isto e fingem que não sabem.
Santa hipocrisia !
Se fossem fundos privados nada tínhamos a dizer, mas são dinheiros públicos, senhores !
Curiosa contradição : porque é que o Ministério da Cultura através da Direcção Geral das Artes se recusou até hoje a atribuir apoios financeiros comerciais a Filipe la Féria , uma das quais até se chamava Amália e decidiu apoiar com entusiasmo estes conteúdos audiovisuais ? O que é que se está a passar na politica cultural deste governo ?
Expliquem-nos !
E o mais grave é que esses fundos do Estado foram entregues a empreiteiros gananciosos e grosseiros que levaram as imagens e os sons ao grau zero da escrita. Já nem sequer é o saudosismo das comédias pequeno burguesas dos anos 30 e 40. É o regresso à humilhante decadência do cinema salazarista dos anos 50 e 60 do século vinte ( Sarilho de Fraldas, A Raça, Tarzan do 5º Esquerdo, O Amor desceu em Pára-quedas, Os Toiros de Mary Foster, Rapazes de Táxi, Sonhar é fácil, etc. ) agora actualizados pelas cores berrantes e as lantejoulas do audiovisual.
Há uma ideia forte por detrás desta ideologia : o desprezo pelo público, a certeza da sua estupidez natural. Roça o fascismo. Terão estes empreiteiros pequeno-burgueses a noção da doutrina que os habita ?
E no meio disto o que faz e o que diz o Ministro da Cultura ? Nada ! Lava as mãos como Pilatos.
Ele, que aceitou o mais vergonhoso orçamento para a Cultura, 0,4 % !!! ( A maioria dos países Europeus têm orçamentos para a Cultura de 1% ou mais ), diz que não é nada com ele e pensa nos modelos escandinavos.
Explicará este gosto pelo estrangeiro a contratação de um tal Martin Dale que há cerca de uma década foi o teórico responsável de uma patética empresa de conteúdos ( Conteúdos S.A. ) que felizmente não medrou entre nós. O rapaz, agora mais velho, volta à carga para estruturar uma indústria cinematográfica, o audiovisual e a nossa vida. Já chega ! Já demos !
Nunca vimos tamanha caldeirada ( paga por quem e com que fim ? ) nas doze páginas da revista Variety, distribuída no Festival de Berlim do corrente ano, pagas pelo Estado Português e assinadas maioritariamente por Martin Dale. Alguém nos acuda ! Oxalá !

Para ocultar o desespero e a desgraça da vida das pessoas deste país, reina a euforia e o riso alvar neste novo mundo do audiovisual. É verdade que há uns rabitos e umas mamitas e que descobriram a “coisa lésbica” como sinal de modernidade para relançar o machismo mais rasteiro.
As narrativas são rudimentares e comandadas pela identificação simplista apelando ao voyeurismo congénito do espectador, apregoando o triunfo de uma gramática primária: hipertrofia do grande plano, indigentes campos, contra-campos, movimentos de câmara que tentam desesperadamente tornar grandes coisas que são ninharias, iluminação uniforme e monótona empastelando tudo, incapacidade de pensar a relação entre a luz e a sombra. E os seres humanos que deviam habitar essas luzes e essas sombras aparecem despojados da sua dignidade, do seu sangue, da sua vida, transformados em apenas “mercadoria”, coisas a vender, “enxúndia”!
As televisões e o seu audiovisual criaram este olhar pacóvio, infantilizaram a espécie humana, mas de um modo sebento, untuoso, porco. Esta ideologia hedonista que se exibe continuamente nos programas de televisão ( concursos, jogos e até na informação ) chegou ao cinema português.
Não há quem tenha vergonha? Não há quem se escandalize?
Nós ! Nós temos vergonha. Nós escandalizamo-nos.
E o que é que o senhor Augusto Santos Silva, Ministro das Televisões e da propaganda deste governo que é “quien todo lo manda” nesta área, tem a dizer ? Nada ! Cala-se, porque “quién todo lo manda” são as televisões.
E no entanto quando era da oposição, declarava:
Não aceitamos que a selecção dos apoiados caiba a uma oligarquia de gestores, não aceitamos a menorização de uma parte importantíssima da nossa criação contemporânea, que é o cinema português reconhecido e admirado em todo mundo."
Ou ainda:
Não pensamos, que compita ao Estado obrigar os investidores privados a investir, nem que se deva destruir a Cultura Cinematográfica que temos pela ilusão de uma grande produção de conteúdos ou de um cinema dito comercial para que o pais não tem escala nem o Ministério tem vocação.”
Que perda de memória ! Que tristeza !
...
Exigimos de uma vez por todas a separação total do cinema da ganga do audiovisual.
Exigimos a manutenção e o reforço da autonomia do Instituto do Cinema que deve voltar a designar-se Instituto Português do Cinema. ( Todos os grandes filmes portugueses foram a partir de 1974 assistidos financeiramente pelos fundos do Instituto e lembramos ao senhor Ministro da Cultura que nenhum deles foi produzido ou realizado por empreiteiros. )
Exigimos um Instituto que defenda e prolongue a tradição do novo no Cinema Português.
Exigimos regras transparentes e júris competentes para os concursos públicos. ( Saberão os portugueses que o nosso cinema não recebe um euro do orçamento geral do Estado ? )
Exigimos o aumento das dotações financeiras para o Instituto que se deverá reflectir num maior número de produções. Mais e sempre melhores filmes !

O Cinema Português não pode morrer. Se ele morrer a culpa é vossa, Sr. Ministro da Cultura, Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares, Sr. Primeiro Ministro. Haja respeito!

João Botelho, Alberto Seixas-Santos, José Nascimento,
Membros da Associação Portuguesa de Realizadores
in Publico - Espaço Público
23 de Fevereiro de 2009

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Não queremos esta política para o cinema

O Cinema Português - aquilo que se constituiu como actividade artística, ao arrepio das lógicas e das práticas de massificação embrutecedora - tem-se revelado um dos mais belos frutos da energia que, desde as importantes convulsões históricas em torno de Abril de 1974, impele todos quantos nele se envolvem (realizadores, actores, técnicos, espectadores...) a mexer na vida e no mundo. Basta atentar na maneira como os objectos artísticos que decorrem desse cinema singular interpelaram e continuam a interpelar quem, dentro e fora do país, os descobre e com eles dialoga.
Nós, realizadores, envolvidos a diversos títulos, nos olhares, nos modos de fazer e nas práticas de pensamento, que caracterizam o cinema que defendemos, queremos tornar claro que :
- Rejeitamos todas as manobras de gabinete que visam destruir, em lugar de alargar e aperfeiçoar, as estruturas de apoio ao cinema enquanto actividade artística.
- Recusamos a política - iniciada em 2002 - que tem levado o Instituto de Cinema, ao longo de sete anos, a um progressivo esvaziamento das suas funções: diminuição drástica de filmes apoiados, portas cada vez mais fechadas a novos realizadores e a projectos mais experimentais, falta de transparência dos júris, redução de tudo o que é essencial para o desenvolvimento de um cinema vivo e independente.
- Indignamo-nos contra todas as formas de capitulação ou cumplicidade dos responsáveis que — sob a pressão de agentes do mercado empenhados em reduzir o cinema a uma actividade puramente comercial e a coberto de escandalosas mentiras — visam transformar o frágil sistema de apoios financeiros à criação cinematográfica em linhas de crédito a fundo perdido para alimentar produtores sem escrúpulos e realizadores sem projecto artístico.
- Tudo faremos para impedir que os escassos meios de que o estado dispõe para promover a actividade de criação cinematográfica sejam desbaratados na produção de «conteúdos » boçais: a existência deles só deveria depender das receitas que as regras do mercado lhe concedessem. É inadmissível que sejam meios financeiros dependentes do Estado que os sustentem.
- Queremos um Instituto de Cinema, que apoie e redinamize o Cinema, que o defenda e que seja capaz de reestabelecer o diálogo - e não um simulacro de diálogo - com os realizadores, os seus principais responsáveis.
- Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para denunciar todas as tentativas de aniquilação do nosso cinema enquanto memória viva e instrumento para pensar os passados e os futuros de Portugal.
APR- Associação Portuguesa de Realizadores
texto aprovado na Assembleia Geral da APR do 12 de Fevereiro 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A política do cinema em 2009

A política para o cinema do Estado Português nos últimos anos consubstanciou-se na criação em 2007 do FICA, um fundo de capitais maioritariamente públicos gerido por uma entidade bancária e administrado pela Zon/Lusomundo e pelos canais de televisão. A criação deste Fundo foi o propósito prioritário, senão o único, da nova Lei do Cinema e do Audiovisual de 2005.
Este processo, e esta politica dos vários governos e ministros da Cultura do bloco central, foi efectuado sem a participação dos realizadores portugueses, que sempre pugnaram por uma clara distinção entre cinema e audiovisual.
O Fundo, no valor aproximado de 80.000.000 €, tem um horizonte de produção para 5 anos mais 2 anos de desinvestimento e funciona como parceiro financeiro dos produtores de cinema e televisão via apoio directo - projecto a projecto - ou indirecto às empresas com uma carteira de projectos.
O investimento, caso a caso, baseia-se num plano de negócios nos financiamentos e parcerias pré-existentes e na rentabilidade ou expectativas de reembolso. Serve como instrumento de auto-financiamento dos canais de televisão e, simultâneamente, como patrocinador de conteúdos e formatos de valor comercial secundarizando a figura do realizador enquanto autor e abolindo o cinema como actividade artística.
Paralelamente o ICA, Instituto do Cinema e ainda do Audiovisual, foi sob a sua actual direcção um dos principais impulsionadores do FICA e, no mesmo período, objecto de uma crescente descapitalização e burocratização, avalizada pela contenção do défice e pela filosofia do “fazer mais com menos“.
Este novo modelo, entre o subsídio a fundo perdido do ICA e o capital público de risco do FICA, acentua definitivamente uma visão dualista do cinema, opondo redutoramente arte e comércio e manietando quaisquer formas de renovação e diversidade.
O que é que o Ministro da Cultura diz disto tudo? Lamentavelmente pouco ou nada de novo. O sr. Ministro, embora demarcando-se dos produtos do FICA - não é da sua alçada nem de bom tom - quer uma indústria, com especial ênfase na feitura dos argumentos e, presume-se, de filmes mais consensuais. Que fazer com o ICA? É esta a questão que o sr. Ministro tarda em responder. Teme-se o pior. O ICA é actualmente uma instituição descaracterizada de competências e funções, com graves consequências para os realizadores e os profissionais de cinema.
Os realizadores portugueses exigem um Instituto do Cinema digno desse nome, independente dos interesses dos produtores e dos resultados de bilheteira. O cinema é uma arte e uma actividade económica e cultural relevante e não se reduz a um instrumento de massificação ou propaganda.
Um país que não respeita os seus artistas na sua pluralidade e nega a sua capacidade de expressão em nome dos valores de mercado é um país sem raízes nem visão para o futuro.

foto TVI24

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

LEMBRANÇAS XVI - Augusto Santos Silva : pontos chaves para uma política adequada

Augustos Santos Silva:
Os pontos chaves para uma política adequada.
Isto é, uma política que não desvalorize o importantíssimo percurso que o cinema português realizou e a sua reconhecida qualidade artística e uma política cujo princípio fundador seja incentivar e apoiar as actividades cinematográficas e audiovisuais pelo seu valor cultural.
A questão que se coloca é, portanto, saber se queremos uma política cultural de apoio ao cinema e audiovisual ou se queremos montar um sistema de canalização dos recursos públicos para um pequeno número de produtores de cinema dito com "atractividade comercial" e para grandes operadoras de televisão.
O Sr. Guilherme d'Oliveira Martins (PS): - Muito bem!

16 de Abril de 2004
IX Legislatura - 2.ª Sessão Legislativa (2004-2005)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A LINGUA INGLESA É A MINHA PÁTRIA

"A língua é absolutamente identitária. É instrumento de tudo, pensamos através da língua, somos e sentimos através da língua, relacionamo-nos, namoramos, fazemos negócios, escrevemos através dela. Esgotando a citação de Fernando Pessoa "A minha pátria é a língua portuguesa", devo dizer que essa língua portuguesa é muito mais vasta do que Portugal."
José António Pinto Ribeiro
Ministro da Cultura
entrevista publicada no Expresso
de 12 de Julho de 2008,
1.º Caderno, páginas 2-3.
apoiados no Fica
How to drow a perfect circle / Filmes Fundo / 200.000 euros
Strar crossed / Yellow / 350.000 euros
Second Life / Utopia / 550.691 euros
Pizzaboy / Utopia / 600.000 euros
A Arte de Roubar (eng.spoken) / Stopline / 200.000 euros
Gamelab / Be Active / 156.000 euros
Final Punishment / Be Active / 186.000 euros
Flatmates / Be Active / 232.000 euros
Surfschool / Be Active / 162.000 euros
The Weight / Be Active / 620.000 euros
Xams Tale / Be Active / 414.000 euros
Favela Story / Be Active / 248.000 euros
Beat Generation / Be Active / 207.000 euros

apoiados no ICA
A Arte de Roubar (eng.spoken) / Fado Filmes / 650.000 euros
How to drow a perfect circle / Filmes Fundo / 500.000 euros

e assim existem filmes nos quais:
Toda a gente fala em inglês (mesmo na praça de touros) e cada um com o seu sotaque (o que dá uma candura de "teatro amador", sem desprimor) sem que nada justifique o inglês ou os sotaques para além, como a produção explica, da facilidade de penetração no "mercado internacional" (salvo erro desde que o grande Fernando Fragata filmou em inglês "Pesadelo Cor de Rosa", que tanto furor fez no "mercado internacional", que esta justificação não se ouvia).

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

LEMBRANÇAS XV: Augusto Santos Silva critica o anteprojecto de lei do cinema

Refiro, por último, os aspectos mais negativos do anteprojecto, aqueles que provocariam, a meu ver, um enorme retrocesso nas artes cinematográficas portuguesas. Desde logo, a indistinção entre cinema e audiovisual (no sentido de obras cujo primeiro mercado de difusão é a televisão). É especialmente grave o facto de o financiamento plurianual (o Fundo/FICA, nota da A.P.R.) não prever modalidade e recursos próprios para apoio à produção de cinema. O risco de os fundos disponíveis serem "engolidos" pelos produtores de televisão é evidente. E o peso da lógica "industrial" na arquitectura do anteprojecto, a inexistência de uma referência explícita à obrigação de a concessionária do serviço público de televisão participar na produção de cinema português e as declarações repetidas do ministro Morais Sarmento só contribuem apara agravar tal risco. Confundir cinema e audiovisual significará deitar fora o principal valor e a principal vantagem comparativa da nossa arte de cinema. Os realizadores que já se manifestaram têm, neste ponto, inteira razão.
Augusto Santos Silva
Público - 5/4/2003

Nota: Apoios FICA 2008:
A Vida Privada de Salazar : Mini-série estreia-se domingo e o filme a partir de Abril
Amália: Em 2009, o filme será exibido numa mini-série na RTP de dois episódios de 90 minutos

ARTE no ICA

Na pagina do ICA "Quem somos?" na rúbrica "Natureza, Missão, Valores" encontra-se este curiosa(!) utilização da palavra "Arte".




A
VALIAÇÃO
Avaliação contínua das decisões tomadas, das actividades desenvolvidas e dos resultados obtidos, para aferir se o Instituto actua correctamente junto dos Stakeholders.
RIGOR
Rigor na aplicação de fundos públicos que sustentam parcialmente a actividade do sector.
TRANSPARÊNCIA
Transparência nos critérios de atribuição dos apoios financeiros e na informação disponibilizada.
EFICÁCIA
Eficácia de actuação de molde a obter mais e melhores resultados a um custo mais baixo.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

LEMBRANÇAS XIV - CONTEÚDOS S.A.

(...) "Há um momento de viragem, consubstanciado no Relatório da Comissão Inter-ministerial para o Audiovisual de 1997. À defesa do "cinema de autor" sucedeu-se a tónica na "indústria de conteúdos", integrando além do audiovisual o multimédia, de contornos mal definidos, levando, além de uma substituição de pessoas, à transformação do IPACA em ICAM. Contudo, a ideologia dos "conteúdos" levou à controvérsia em torno de uma empresa, a Conteúdos, S.A, empresa privada com capitais inteiramente públicos, 730.000 contos, provocando sucessivas afirmações contraditórias do ministro Carrilho e finalmente, já em 1999, a demissão do presidente do IPACA e da Conteúdos*, José Costa Ramos, que, como presidente da Comissão Interministerial havia sido o principal ideólogo da "indústria de conteúdos".
Augusto M.Seabra - Janus 1999-2000

*o "Managing Director" de Conteudos S.A.
chamava-se Martin Dale

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Second Life apoiado pelo ICA através de Corrupção?

No site do filme Second Life, produzido por Alexandre Valente, está mencionado o apoio do ICA - Instituto do Cinema e Audiovisual, além do apoio do FICA de 550.691 euros. Será este apoio do ICA recebido no âmbito do programa de apoio automático á produção de longas metragens 2008 no qual a produtora Utopia recebeu 186.418,50 euros gerado pelo filme Corrupção? Neste caso trata-se de um apoio gerado por um filme que, para todos os efeitos não tem Argumentista nem Realizador e a sua produção não respeitou a Legislação Europeia dos Direitos de Autor. Será que o ICA apoia produtores que fazem filmes sem e/ou contra o realizador?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Corrupção no Cinema em Portugal e em português

A maneira mais fulminante, embora insidiosa de acabar com ele de vez, coisa que até agora não conseguiram, por existir muito forte um desejo de filmar, uma diferente forma de ver o mundo, e de o ouvir, e personalidades que o defendiam, com a própria vida se fosse o caso, como o faria João César Monteiro, o Manoel de Oliveira, e outros, o golpe fulminante está a acontecer perante os nossos olhos. Filmes só para quem eles querem, de preferência sem realizador, em inglês ou num linguajar televisivo-publicitário audiovisual. Produtores que são uma espécie de Zanuks da Picheleira, malandros que aprenderam os truques para vender um “produto” para o mercado à conquista da tal indústria que atrás do nevoeiro é paga pelo contribuinte, esse sim cada vez mais estúpido, graças a Deus e à ausência de crítica. Essa também e isso vem de muito longe, se formatou em puro golpismo ou posições de defesa de gosto, muitas vezes circunstancial. Mas o pior é a própria corrupção dentro das imagens, a pornografia inerente àquele olhar, àquele falar, àquele modo de ser. E ainda o inenarrável João Lopes agora armado em virgem púdica e luminária, grande educador da classe cinematográfica, ele que foi provavelmente o primeiro a trabalhar neste logro, que esmagou o que pôde de tudo o que lhe parecia para além dele próprio, e sobretudo o que fosse frágil e indefeso. O que o Cinema em Portugal sempre foi, frágil, e singular, agora, não tem nem quem o faça nem quem o defenda. Porque agora eles podem.
Lisboa, 26 de Janeiro de 2009.

SEM COMENTÁRIOS: Cinha Jardim vai trabalhar com o ICA?

Segundo TV7dias, em 27 de Janeiro, Cinha Jardim vai cruzar o Atlântico para ter reuniões em Hollywood. "Estou com um projecto novo, que me vai obrigar a estar entre cá e lá e volto no início de Fevereiro. Não posso dizer é dizer de que projecto se trata (...). Não é representação, há coisas interessantes que se podem fazer atrás das câmaras", afirma. Cinha vai trabalhar com a Valentim de Carvalho e com o Instituto de Cinema.(sic)

LEMBRANÇAS XIII - Alexandre Valente agradece o ICA

Todos os anos, durante o Festival Internacional de Cinema de Cannes, a European Film Promotion realiza o evento "Producers on the Move", no qual produtores representantes dos países membros participam em workshops, e encontros com outros produtores e co-produtores, tendo a oportunidade de apresentar os seus projectos e procurar possíveis parceiros.

No âmbito da presença portuguesa em 2006 e da representação institucional do ICA na EFP – European Film Promotion, Alexandre Valente participará nas actividades agendadas por esta organização como Producer on the Move.

Entrevista de Alexandre Valente no Cineuropa, 19 de April de 2006
:
Which directors would you like to work with?
I would love to continue working with Manoel de Oliveira, as I admire him and there is a friendship (...) and with all those who believe in their projects and defend them right to the end. (...)
What do you expect from your participation in the "Producers on the Move" initiative?
First of all I have to thank ICAM for this nomination. Once I am in Cannes, I would like to meet other dynamic "utopian" producers, able to create synergies, challenges and co-produced with Utopia Filmes.