quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cineastas iranianos denunciam golpe de estado

Cineastas iranianos denunciam golpe de estado no Irão:

Declarações de Moshen Makhmalbaf, realizador de Salam Cinema, Gabbeh e Kandahar, e Samira Makhmalbaf, realizadora de O Quadro Negro, no Les Inrocks e L'Humanité e no Ipsilon

Declaração de Marjane Satrapi, realizadora de Persepolis no Parlamento Europeu no site do Nouvel Observateur

Declaração do realizador Bahman Ghobadi no Télérama: L'inquiétude des cinéastes iraniens

terça-feira, 16 de junho de 2009

A APR integra a FERA - Federação Europeia de Realizadores

A convite da FERA (Federação Europeia de Realizadores do Audiovisual), a APR esteve presente na Assembleia-Geral anual que decorreu em Budapeste entre 11 e 13 de Junho.

A candidatura da APR para se tornar membro activo da FERA foi considerada oficialmente nesta Assembleia Geral e aprovada por unanimidade. A APR passa agora a representar os realizadores portugueses seus associados numa frente comum de associações de realizadores, que representam 27 países europeus, na defesa dos seus direitos e das suas obras.

A FERA defende a arte, o saber-fazer e os direitos morais e patrimoniais do realizador como elementos essenciais da diversidade da cultura cinematográfica e audiovisual na Europa e no mundo. A FERA representa os realizadores enquanto criadores principais das obras cinematográficas e audiovisuais. O realizador que toma as decisões relativas à criação no processo de colaboração artística tem a responsabilidade final de coesão estética e integridade artística da obra.

Nesta assembleia-geral onde estiveram presentes cerca de 60 realizadores delegados pelas 30 associações europeias, debateram-se ao longo destes três dias questões que, embora de forma diversa, são comuns às cinematografias europeias: os direitos de autor, o final-cut, o progressivo desaparecimento na distribuição e na exibição dos filmes europeus nas salas de cinema, televisão, cabo e novas tecnologias. Foi ainda amplamento discutida a necessidade de elaboração de um contrato europeu de realizador que respeite o estatuto do realizador como principal autor de uma obra cinematografica.

A APR considera que este foi um passo importante para a prossecução dos seus objectivos de intervenção e vai desenvolver o diálogo, partilha de informação e delineação de projectos comuns, iniciado durante este período, com as associações suas congéneres.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

João Salaviza: "Os filmes são anteriores aos prémios"


Parabéns João Salaviza!


A APR congratula-se com a Palma de Ouro que o realizador João Salaviza conquistou em Cannes para a melhor curta-metragem com o seu filme Arena e com a forte presença de realizadores portugueses este ano no Festival de Cannes e na Quinzaine des Réalisateurs.
Congratula-se ainda mais porque estes realizadores representam um cinema que neste momento está ameaçado.
Mas, estaremos nós no melhor dos mundos? Seria bom, mas a verdade é que os responsáveis da actual política para o cinema (ou seja: a não política) poderão retirar daí proveito politico, mas será suficiente para que deixem de programar a lenta asfixia deste cinema?

Entrevista de João Salaviza
por Francisco Ferreira no Expresso

domingo, 5 de abril de 2009

SERÁ QUE O ICA VIOLA O SEU PRÓPRIO REGULAMENTO?











Depois de apoiar o produtor de um filme sem realizador, o ICA apoia agora, contra o seu proprio regulamento, Amália, um filme apoiado pelo FICA:
" O ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual - I.P., anuncia que, por despacho de 13 de Março de 2009, do Senhor Director do Instituto, foi atribuído apoio financeiro no montante global de € 300.000,00, às produtoras abaixo identificadas: VC - Valentim de Carvalho - Amália - 109.875,00 euros"

No regulamento do ICA (aqui em pdf) relativo aos programas de apoio, está estipulado no artigo 8º, alinea 9:
Não são admitidas as candidaturas de projectos que já tenham sido objectos de investimentos do Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual previsto nos artigos 63º e seguinte do Decreto-Lei nº227/2006.

No site do FICA, está stipulado no FAQ's:
Um projecto subsidiado pelo ICA, I.P. pode candidatar-se ao FICA. O inverso é vedado legalmente.

O filme Amália foi objecto de investimentos do Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual de um montante de 342.000,00 euros e recebe agora um apoio do ICA de 109.875,00 euros!

Alguém sabe explicar?

domingo, 29 de março de 2009

Cinema: O Estado das Coisas em Portugal!

excertos da entrevista de Paulo Branco no Correio da Manhã

Como está o estado actual do cinema em Portugal?

A época de ouro do cinema português, anos 80 e 90, quando apareceram pessoas como o Pedro Costa, o Manoel de Oliveira, o João César Monteiro, a Teresa Villaverde, o João Botelho, e hoje, a comunidade política e a comunicação social têm tendência a esquecer-se desse período que levou o cinema português além-fronteiras. A qualidade do cinema em Portugal só foi possível graças a uma estrutura que, mal ou bem, resistiu às mudanças de governo, às mudanças de ministros. Essas estrutura é que tem de ser reforçada e não questionada. O Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), com as diversas denominações que teve ao longo dos tempos, foi o instrumento número um, que possibilitou ao cinema português ter aquela áurea enorme técnica.

Para si, o ICA foi então o grande impulsionador do cinema?
Exactamente. Fez aparecer poucos, mas alguns, produtores, muitos, e grandes realizadores e actores. Os grandes actores da televisão actual começaram no cinema. Rita Blanco, Bernardo Luís, Alexandra Lencastre, Margarida Vila-Nova... E o importante neste momento é não destruir esta base mas sim reforçá-la. E é preciso lembrar que nada disto foi feito com o orçamento geral do Estado, mas sim através da taxa de 4 por cento derivada da publicidade. Os contribuintes não tiveram participação e até deviam ter tido, como em tudo.

Então o que passa no cenário actual do cinema?
Há uma grande ignorância e novo-riquismo os decisores que estremeceram, nos últimos três anos, esta estrutura que é indispensável e devia ter mais fundos para além da taxa dos quatro porcento. Em vez de ter havido o reforço dos meios do ICA, houve um deslumbramento para caçar, a qualquer preço, espectadores. O grande cinema não pode ser feito com esse espírito. Mais do que isso, houve um desvio de uma lei que nos punha ao nível da Europa e que, de certa forma, obrigava qualquer operador audiovisual a investir em cinema e audiovisual. Isso foi transformado num projecto que só tem trazido a pior confusão e um grande oportunismo. É quase um caso de polícia.

Está a falar do Fundo de Investimento no Cinema e Audiovisual (FICA)?
Sim, é um discurso demagogo e aldrabão e uma caça ao dinheiro do Estado, através do Ministério de Economia. Este fundo é uma lei desviada dos contornos originais e que promete retornos impossíveis de obter. É um monstro, um aborto, que não tem nada a ver com critérios culturais. Mesmo que um filme faça 300 mil espectadores, o retorno ao produtor são 150 mil euros e os filmes são feitos com, pelo menos, um milhão e meio ou dois milhões de euros. Portanto não há retorno (como é regra para obtenção do fundo). A Lei que devia fomentar a cultura acabou por ser esquecida e desviada.
(...)
Os filmes apoiados pelo FICA não conseguem então cumprir a regra do retorno relativa a este fundo?
É uma profusão de audiovisual de baixa qualidade mas não consegue espectadores para dar retorno nem sequer a nível cultural. Só dá uma imagem do país inacreditável e ‘inexportável’.

Então acha que se devia abolir o FICA?
O FICA nunca devia ter existido. A única estrutura que devia gerir o audiovisual em Portugal era o ICA e sem permitir baixar a qualidade. Não sei quem vai querer comprar, lá fora, o ‘Equador’ e é inacreditável que o primeiro produto audiovisual sobre Salazar tenha sido aquilo (‘A Vida Privada de Salazar’). Estamos muito abaixo de Berlusconi. E isto tem sido feito com o beneplácito do próprio ministro da Cultura que diz que isto não tem nada a ver com ele e adoptou a posição de avestruz.

E o ICA serve os propósitos do cinema português?
Tenho muitas críticas ao funcionamento da instituição mas não ponho em causa a estrutura. Quero é o reforço da estrutura com um reforço de verbas e responsabilização na promoção e desenvolvimento da produção audiovisual, além da cinematográfica, e com critérios de qualidade. Deviam ser criadas condições para que o ICA funcionasse melhor: deixasse esta burocratização excessiva e reforçasse as suas receitas – até podia ser com o reforço de 1% do volume de negócios das televisões privadas –, ter uma maior preocupação na distribuição e exibição e uma transparência no apoio a festivais. E rever o incentivo a primeiras obras, assim é difícil surgirem novos realizadores...

Há novos talentos no cinema?
Eu fiz nascer muitos novos e bons realizadores mas só com 10 filmes por ano é muito difícil fazer surgir novos talentos. Ou se criam condições para mais filmes ou não só não surgirão novos como será difícil confirmar os que existem.

Concorreu nas duas edições (e únicas até à data) do seu Estoril Film Festival?
Sim, mas segundo o ICA o festival teria de existir há mais de três anos.

Só terá, eventualmente, apoio na quarta edição?
Mesmo aí já me disseram que atribuíram a maior parte das verbas, nos contratos-programa de três ou quatro anos.

Como vê esse facto?
Quem dirigia o ICA, muitas vezes, seguia directrizes, nem sempre muito claras, do Ministério da Cultura. Enquanto o ministério tinha condições, corria tudo bem...

Está a falar de que época no ministério, da de Manuel Maria Carrilho?
Até aos tempos dele. Desde então nenhum ministro se leva a sério. Era importante o ministério da Cultura ter uma parte, do orçamento geral do Estado para a Cultura. A partir do Manuel Maria Carrilho, tudo descarrilou. Durante esse período, havia pessoas mais ou menos qualificadas no ICA e uma preocupação e atenção por parte do ministério.

E agora...
A seguir a Carrilho, o ICA passou a ser um depósito de funcionários públicos, pessoas que desembarcaram ali por amizades políticas e sem nenhuma experiência no cinema. E os ministros deixaram essas pessoas ir gerindo a situação. Ultimamente, numa tentativa de criar uma maior transparência, houve uma burocratização kafkiana e começaram-se a criar regulamentos. Criou-se uma teia de regulamentações e uma forma incompreensível de eleger os júris e distribuir os apoios anacrónica e completamente errada, com um lavar das mãos dos ministros. Chegou-se a um ponto absurdo em que os funcionários têm um poder absoluto e inventaram regulamentos impraticáveis e agora dizem que já não os podem mudar...e foram eles que os criaram. Por exemplo, as curtas-metragens têm de ter até 90 minutos e as longas-metragens a partir dessa duração. E um dia eu comentei: ‘Mas há grandes obras-primas só como 70 ou 80 minutos, como é que fazemos?’ ‘Só tem de ampliar o genérico mais uns minutos, foi a resposta que me deram’...

Quem?
O Dr. Nuno Fonseca, que já não está na direcção. O caso de ‘Singularidades de Uma Rapariga Loira’, última obra de Manoel de Oliveira, tem 64 minutos é um caso fora-da-lei. Este é só um exemplo para se perceber o anacronismo dos regulamentos que foram inventados...

Mas considerando ‘Os Mistérios de Lisboa’, que o Paulo Branco quer produzir e filme com o qual se candidatou ao ICA, em que discordou do regulamento (ao ponto de interpor uma providência cautelar, entretanto dada como improcedente, e consequente recurso)?
Eles tentam objectivar situações difíceis de serem objectivas. E o ICA tem júris que não têm relação nenhuma com o cinema ou a produção de filmes. É muito grave que sejam essas pessoas que vão analisar quem deve ou não deve filmar. Neste caso, o que se passa é que é tudo objectivado. (...)

domingo, 22 de março de 2009

UMA LEGISLATURA PERDIDA EM TERMOS DE POLÍTICAS CULTURAIS

O antigo ministro da Cultura, Manuel Maria Carrilho, lamenta que a política cultural se tenha tornado "cada vez mais invisível, ilegível e incompreensível, ameaçando fazer dos anos 2005/2009 uma legislatura perdida para a cultura" e sugere que "a Fundação Res Publica (ou o fórum Novas Fronteiras), retomando o espírito dos Estados Gerais - isto é, um espírito de real abertura e de efectivo debate- abra uma ampla discussão sobre a situação e o futuro das políticas culturais em Portugal, com a intenção de as refundar". (...) A difícil conjuntura económica pela qual Portugal passa “de modo algum justifica, seja o estado de abandono a que a cultura tem sido votada, seja o desinvestimento de que tem sido objecto e que pode provocar danos irreversíveis”.

CANDIDATURAS ÀS PRIMEIRAS OBRAS AUMENTAM 40% - PRIMEIRAS OBRAS APOIADAS DIMINUEM DE 50%

No seu site o ICA publicou a seguinte notícia:
"Candidaturas às 1as obras aumentam de mais de 40%. O ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual, I.P. informa que encerrou ontem, dia 18 de Março, o prazo para entrega de candidaturas ao Programa de Apoio à Produção de Primeiras Obras de Longas Metragens de Ficção. Foram presentes a concurso 63 candidaturas. Este número constitui um aumento de mais de 40% comparativamente ao ano transacto."

O que o ICA não menciona é que de 2001 até agora o programa de apoio às primeiras obras sofreu de uma redução de mais de 50%, o numero de primeiras obra apoiadas passou de 4 para 2 e os regulamentos do ICA obrigam as segundas obras, que antes podiam concorrer ao Programa de Apoio a Produção de Longas Metragens, a concorrer ao Programa de Apoio às Primeiras Obras.

sexta-feira, 20 de março de 2009

NÃO HÁ QUEM SE ESCANDALIZE? NÓS ESCANDALIZAMOS-NOS.

SÓCRATES E OS EMPREITEIROS

O ministro da cultura não deve ter uma politica de gosto
José António Pinto Ribeiro
ao Expresso em 12 de Julho de 2008.

A Arte não pode ser adiada pelo peso morto do público...
Henri Matisse, 1946


Não, não se trata nem do caso Freeport, nem do caso Lena, nem sequer das casitas da Beira. O assunto é outro e para nós mais sério.
Estrearam-se nos últimos tempos nas salas portuguesas O Crime do Padre Amaro, Corrupção, Call Girl, A Arte de Roubar, Amália, o Filme, Second Life e nos écrans de televisão as super-produções Equador e A Vida Privada de Salazar.
O senhor ministro não tem gosto? Tem. É este !
Gosto que ficará também para sempre ligado a este governo do Partido Socialista.
O dinheiro que pagou estes produtos audiovisuais é maioritariamente dinheiro público vindo do Fundo de Investimentos para o Cinema e o Audiovisual – FICA ( 40% do total – IAPMEI, Estado, 30% ZON Lusomundo, dedutíveis nos impostos, portanto Estado, 6% RTP ainda Estado. Só 12% vindos da SIC e 12% da TVI são fundos privados ). Quer isto dizer que 76% do total são fundos públicos.
Estes “conteúdos” foram anunciados como produções de montantes financeiros elevados. Acrescente-se ainda o custo de dezenas de cópias, das gigantescas campanhas publicitárias (televisão, imprensa, outdoors, transportes públicos, etc.) que podem calcular-se em milhões de euros.
Sabemos o que nos vão responder: é capital para recuperar. Mas, em vez de nos mostrarem a relação entre os investimentos e as receitas, como fazem as revistas profissionais da indústria americana que tanto admiram ( Variety, Hollywood Report, etc. ), vão atirar-nos com o número de espectadores. Não admira ! Com 72 cópias em exibição simultânea e com uma brutal campanha de promoção qualquer produto deste género terá resultados semelhantes.
Mas alguma vez será recuperado o dinheiro investido?
Vamos à Matemática. Por exemplo : um grande êxito de público que atinja os 200 000 espectadores, para as contas serem simples, faz de receita bruta € 900 000 que são distribuídos do seguinte modo : € 540 000 para o exibidor (a sala), € 108 000 para o distribuidor e finalmente € 252 000 para o produtor. Os empreiteiros do audiovisual anunciaram o custo de cada um dos seus produtos com um valor médio acima de € 1 500 000, alguns mesmo muito acima. Magnífico embuste ! Todos sabem isto e fingem que não sabem.
Santa hipocrisia !
Se fossem fundos privados nada tínhamos a dizer, mas são dinheiros públicos, senhores !
Curiosa contradição : porque é que o Ministério da Cultura através da Direcção Geral das Artes se recusou até hoje a atribuir apoios financeiros comerciais a Filipe la Féria , uma das quais até se chamava Amália e decidiu apoiar com entusiasmo estes conteúdos audiovisuais ? O que é que se está a passar na politica cultural deste governo ?
Expliquem-nos !
E o mais grave é que esses fundos do Estado foram entregues a empreiteiros gananciosos e grosseiros que levaram as imagens e os sons ao grau zero da escrita. Já nem sequer é o saudosismo das comédias pequeno burguesas dos anos 30 e 40. É o regresso à humilhante decadência do cinema salazarista dos anos 50 e 60 do século vinte ( Sarilho de Fraldas, A Raça, Tarzan do 5º Esquerdo, O Amor desceu em Pára-quedas, Os Toiros de Mary Foster, Rapazes de Táxi, Sonhar é fácil, etc. ) agora actualizados pelas cores berrantes e as lantejoulas do audiovisual.
Há uma ideia forte por detrás desta ideologia : o desprezo pelo público, a certeza da sua estupidez natural. Roça o fascismo. Terão estes empreiteiros pequeno-burgueses a noção da doutrina que os habita ?
E no meio disto o que faz e o que diz o Ministro da Cultura ? Nada ! Lava as mãos como Pilatos.
Ele, que aceitou o mais vergonhoso orçamento para a Cultura, 0,4 % !!! ( A maioria dos países Europeus têm orçamentos para a Cultura de 1% ou mais ), diz que não é nada com ele e pensa nos modelos escandinavos.
Explicará este gosto pelo estrangeiro a contratação de um tal Martin Dale que há cerca de uma década foi o teórico responsável de uma patética empresa de conteúdos ( Conteúdos S.A. ) que felizmente não medrou entre nós. O rapaz, agora mais velho, volta à carga para estruturar uma indústria cinematográfica, o audiovisual e a nossa vida. Já chega ! Já demos !
Nunca vimos tamanha caldeirada ( paga por quem e com que fim ? ) nas doze páginas da revista Variety, distribuída no Festival de Berlim do corrente ano, pagas pelo Estado Português e assinadas maioritariamente por Martin Dale. Alguém nos acuda ! Oxalá !

Para ocultar o desespero e a desgraça da vida das pessoas deste país, reina a euforia e o riso alvar neste novo mundo do audiovisual. É verdade que há uns rabitos e umas mamitas e que descobriram a “coisa lésbica” como sinal de modernidade para relançar o machismo mais rasteiro.
As narrativas são rudimentares e comandadas pela identificação simplista apelando ao voyeurismo congénito do espectador, apregoando o triunfo de uma gramática primária: hipertrofia do grande plano, indigentes campos, contra-campos, movimentos de câmara que tentam desesperadamente tornar grandes coisas que são ninharias, iluminação uniforme e monótona empastelando tudo, incapacidade de pensar a relação entre a luz e a sombra. E os seres humanos que deviam habitar essas luzes e essas sombras aparecem despojados da sua dignidade, do seu sangue, da sua vida, transformados em apenas “mercadoria”, coisas a vender, “enxúndia”!
As televisões e o seu audiovisual criaram este olhar pacóvio, infantilizaram a espécie humana, mas de um modo sebento, untuoso, porco. Esta ideologia hedonista que se exibe continuamente nos programas de televisão ( concursos, jogos e até na informação ) chegou ao cinema português.
Não há quem tenha vergonha? Não há quem se escandalize?
Nós ! Nós temos vergonha. Nós escandalizamo-nos.
E o que é que o senhor Augusto Santos Silva, Ministro das Televisões e da propaganda deste governo que é “quien todo lo manda” nesta área, tem a dizer ? Nada ! Cala-se, porque “quién todo lo manda” são as televisões.
E no entanto quando era da oposição, declarava:
Não aceitamos que a selecção dos apoiados caiba a uma oligarquia de gestores, não aceitamos a menorização de uma parte importantíssima da nossa criação contemporânea, que é o cinema português reconhecido e admirado em todo mundo."
Ou ainda:
Não pensamos, que compita ao Estado obrigar os investidores privados a investir, nem que se deva destruir a Cultura Cinematográfica que temos pela ilusão de uma grande produção de conteúdos ou de um cinema dito comercial para que o pais não tem escala nem o Ministério tem vocação.”
Que perda de memória ! Que tristeza !
...
Exigimos de uma vez por todas a separação total do cinema da ganga do audiovisual.
Exigimos a manutenção e o reforço da autonomia do Instituto do Cinema que deve voltar a designar-se Instituto Português do Cinema. ( Todos os grandes filmes portugueses foram a partir de 1974 assistidos financeiramente pelos fundos do Instituto e lembramos ao senhor Ministro da Cultura que nenhum deles foi produzido ou realizado por empreiteiros. )
Exigimos um Instituto que defenda e prolongue a tradição do novo no Cinema Português.
Exigimos regras transparentes e júris competentes para os concursos públicos. ( Saberão os portugueses que o nosso cinema não recebe um euro do orçamento geral do Estado ? )
Exigimos o aumento das dotações financeiras para o Instituto que se deverá reflectir num maior número de produções. Mais e sempre melhores filmes !

O Cinema Português não pode morrer. Se ele morrer a culpa é vossa, Sr. Ministro da Cultura, Sr. Ministro dos Assuntos Parlamentares, Sr. Primeiro Ministro. Haja respeito!

João Botelho, Alberto Seixas-Santos, José Nascimento,
Membros da Associação Portuguesa de Realizadores
in Publico - Espaço Público
23 de Fevereiro de 2009

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Não queremos esta política para o cinema

O Cinema Português - aquilo que se constituiu como actividade artística, ao arrepio das lógicas e das práticas de massificação embrutecedora - tem-se revelado um dos mais belos frutos da energia que, desde as importantes convulsões históricas em torno de Abril de 1974, impele todos quantos nele se envolvem (realizadores, actores, técnicos, espectadores...) a mexer na vida e no mundo. Basta atentar na maneira como os objectos artísticos que decorrem desse cinema singular interpelaram e continuam a interpelar quem, dentro e fora do país, os descobre e com eles dialoga.
Nós, realizadores, envolvidos a diversos títulos, nos olhares, nos modos de fazer e nas práticas de pensamento, que caracterizam o cinema que defendemos, queremos tornar claro que :
- Rejeitamos todas as manobras de gabinete que visam destruir, em lugar de alargar e aperfeiçoar, as estruturas de apoio ao cinema enquanto actividade artística.
- Recusamos a política - iniciada em 2002 - que tem levado o Instituto de Cinema, ao longo de sete anos, a um progressivo esvaziamento das suas funções: diminuição drástica de filmes apoiados, portas cada vez mais fechadas a novos realizadores e a projectos mais experimentais, falta de transparência dos júris, redução de tudo o que é essencial para o desenvolvimento de um cinema vivo e independente.
- Indignamo-nos contra todas as formas de capitulação ou cumplicidade dos responsáveis que — sob a pressão de agentes do mercado empenhados em reduzir o cinema a uma actividade puramente comercial e a coberto de escandalosas mentiras — visam transformar o frágil sistema de apoios financeiros à criação cinematográfica em linhas de crédito a fundo perdido para alimentar produtores sem escrúpulos e realizadores sem projecto artístico.
- Tudo faremos para impedir que os escassos meios de que o estado dispõe para promover a actividade de criação cinematográfica sejam desbaratados na produção de «conteúdos » boçais: a existência deles só deveria depender das receitas que as regras do mercado lhe concedessem. É inadmissível que sejam meios financeiros dependentes do Estado que os sustentem.
- Queremos um Instituto de Cinema, que apoie e redinamize o Cinema, que o defenda e que seja capaz de reestabelecer o diálogo - e não um simulacro de diálogo - com os realizadores, os seus principais responsáveis.
- Faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para denunciar todas as tentativas de aniquilação do nosso cinema enquanto memória viva e instrumento para pensar os passados e os futuros de Portugal.
APR- Associação Portuguesa de Realizadores
texto aprovado na Assembleia Geral da APR do 12 de Fevereiro 2009

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A política do cinema em 2009

A política para o cinema do Estado Português nos últimos anos consubstanciou-se na criação em 2007 do FICA, um fundo de capitais maioritariamente públicos gerido por uma entidade bancária e administrado pela Zon/Lusomundo e pelos canais de televisão. A criação deste Fundo foi o propósito prioritário, senão o único, da nova Lei do Cinema e do Audiovisual de 2005.
Este processo, e esta politica dos vários governos e ministros da Cultura do bloco central, foi efectuado sem a participação dos realizadores portugueses, que sempre pugnaram por uma clara distinção entre cinema e audiovisual.
O Fundo, no valor aproximado de 80.000.000 €, tem um horizonte de produção para 5 anos mais 2 anos de desinvestimento e funciona como parceiro financeiro dos produtores de cinema e televisão via apoio directo - projecto a projecto - ou indirecto às empresas com uma carteira de projectos.
O investimento, caso a caso, baseia-se num plano de negócios nos financiamentos e parcerias pré-existentes e na rentabilidade ou expectativas de reembolso. Serve como instrumento de auto-financiamento dos canais de televisão e, simultâneamente, como patrocinador de conteúdos e formatos de valor comercial secundarizando a figura do realizador enquanto autor e abolindo o cinema como actividade artística.
Paralelamente o ICA, Instituto do Cinema e ainda do Audiovisual, foi sob a sua actual direcção um dos principais impulsionadores do FICA e, no mesmo período, objecto de uma crescente descapitalização e burocratização, avalizada pela contenção do défice e pela filosofia do “fazer mais com menos“.
Este novo modelo, entre o subsídio a fundo perdido do ICA e o capital público de risco do FICA, acentua definitivamente uma visão dualista do cinema, opondo redutoramente arte e comércio e manietando quaisquer formas de renovação e diversidade.
O que é que o Ministro da Cultura diz disto tudo? Lamentavelmente pouco ou nada de novo. O sr. Ministro, embora demarcando-se dos produtos do FICA - não é da sua alçada nem de bom tom - quer uma indústria, com especial ênfase na feitura dos argumentos e, presume-se, de filmes mais consensuais. Que fazer com o ICA? É esta a questão que o sr. Ministro tarda em responder. Teme-se o pior. O ICA é actualmente uma instituição descaracterizada de competências e funções, com graves consequências para os realizadores e os profissionais de cinema.
Os realizadores portugueses exigem um Instituto do Cinema digno desse nome, independente dos interesses dos produtores e dos resultados de bilheteira. O cinema é uma arte e uma actividade económica e cultural relevante e não se reduz a um instrumento de massificação ou propaganda.
Um país que não respeita os seus artistas na sua pluralidade e nega a sua capacidade de expressão em nome dos valores de mercado é um país sem raízes nem visão para o futuro.

foto TVI24

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

LEMBRANÇAS XVI - Augusto Santos Silva : pontos chaves para uma política adequada

Augustos Santos Silva:
Os pontos chaves para uma política adequada.
Isto é, uma política que não desvalorize o importantíssimo percurso que o cinema português realizou e a sua reconhecida qualidade artística e uma política cujo princípio fundador seja incentivar e apoiar as actividades cinematográficas e audiovisuais pelo seu valor cultural.
A questão que se coloca é, portanto, saber se queremos uma política cultural de apoio ao cinema e audiovisual ou se queremos montar um sistema de canalização dos recursos públicos para um pequeno número de produtores de cinema dito com "atractividade comercial" e para grandes operadoras de televisão.
O Sr. Guilherme d'Oliveira Martins (PS): - Muito bem!

16 de Abril de 2004
IX Legislatura - 2.ª Sessão Legislativa (2004-2005)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

A LINGUA INGLESA É A MINHA PÁTRIA

"A língua é absolutamente identitária. É instrumento de tudo, pensamos através da língua, somos e sentimos através da língua, relacionamo-nos, namoramos, fazemos negócios, escrevemos através dela. Esgotando a citação de Fernando Pessoa "A minha pátria é a língua portuguesa", devo dizer que essa língua portuguesa é muito mais vasta do que Portugal."
José António Pinto Ribeiro
Ministro da Cultura
entrevista publicada no Expresso
de 12 de Julho de 2008,
1.º Caderno, páginas 2-3.
apoiados no Fica
How to drow a perfect circle / Filmes Fundo / 200.000 euros
Strar crossed / Yellow / 350.000 euros
Second Life / Utopia / 550.691 euros
Pizzaboy / Utopia / 600.000 euros
A Arte de Roubar (eng.spoken) / Stopline / 200.000 euros
Gamelab / Be Active / 156.000 euros
Final Punishment / Be Active / 186.000 euros
Flatmates / Be Active / 232.000 euros
Surfschool / Be Active / 162.000 euros
The Weight / Be Active / 620.000 euros
Xams Tale / Be Active / 414.000 euros
Favela Story / Be Active / 248.000 euros
Beat Generation / Be Active / 207.000 euros

apoiados no ICA
A Arte de Roubar (eng.spoken) / Fado Filmes / 650.000 euros
How to drow a perfect circle / Filmes Fundo / 500.000 euros

e assim existem filmes nos quais:
Toda a gente fala em inglês (mesmo na praça de touros) e cada um com o seu sotaque (o que dá uma candura de "teatro amador", sem desprimor) sem que nada justifique o inglês ou os sotaques para além, como a produção explica, da facilidade de penetração no "mercado internacional" (salvo erro desde que o grande Fernando Fragata filmou em inglês "Pesadelo Cor de Rosa", que tanto furor fez no "mercado internacional", que esta justificação não se ouvia).

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

LEMBRANÇAS XV: Augusto Santos Silva critica o anteprojecto de lei do cinema

Refiro, por último, os aspectos mais negativos do anteprojecto, aqueles que provocariam, a meu ver, um enorme retrocesso nas artes cinematográficas portuguesas. Desde logo, a indistinção entre cinema e audiovisual (no sentido de obras cujo primeiro mercado de difusão é a televisão). É especialmente grave o facto de o financiamento plurianual (o Fundo/FICA, nota da A.P.R.) não prever modalidade e recursos próprios para apoio à produção de cinema. O risco de os fundos disponíveis serem "engolidos" pelos produtores de televisão é evidente. E o peso da lógica "industrial" na arquitectura do anteprojecto, a inexistência de uma referência explícita à obrigação de a concessionária do serviço público de televisão participar na produção de cinema português e as declarações repetidas do ministro Morais Sarmento só contribuem apara agravar tal risco. Confundir cinema e audiovisual significará deitar fora o principal valor e a principal vantagem comparativa da nossa arte de cinema. Os realizadores que já se manifestaram têm, neste ponto, inteira razão.
Augusto Santos Silva
Público - 5/4/2003

Nota: Apoios FICA 2008:
A Vida Privada de Salazar : Mini-série estreia-se domingo e o filme a partir de Abril
Amália: Em 2009, o filme será exibido numa mini-série na RTP de dois episódios de 90 minutos

ARTE no ICA

Na pagina do ICA "Quem somos?" na rúbrica "Natureza, Missão, Valores" encontra-se este curiosa(!) utilização da palavra "Arte".




A
VALIAÇÃO
Avaliação contínua das decisões tomadas, das actividades desenvolvidas e dos resultados obtidos, para aferir se o Instituto actua correctamente junto dos Stakeholders.
RIGOR
Rigor na aplicação de fundos públicos que sustentam parcialmente a actividade do sector.
TRANSPARÊNCIA
Transparência nos critérios de atribuição dos apoios financeiros e na informação disponibilizada.
EFICÁCIA
Eficácia de actuação de molde a obter mais e melhores resultados a um custo mais baixo.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

LEMBRANÇAS XIV - CONTEÚDOS S.A.

(...) "Há um momento de viragem, consubstanciado no Relatório da Comissão Inter-ministerial para o Audiovisual de 1997. À defesa do "cinema de autor" sucedeu-se a tónica na "indústria de conteúdos", integrando além do audiovisual o multimédia, de contornos mal definidos, levando, além de uma substituição de pessoas, à transformação do IPACA em ICAM. Contudo, a ideologia dos "conteúdos" levou à controvérsia em torno de uma empresa, a Conteúdos, S.A, empresa privada com capitais inteiramente públicos, 730.000 contos, provocando sucessivas afirmações contraditórias do ministro Carrilho e finalmente, já em 1999, a demissão do presidente do IPACA e da Conteúdos*, José Costa Ramos, que, como presidente da Comissão Interministerial havia sido o principal ideólogo da "indústria de conteúdos".
Augusto M.Seabra - Janus 1999-2000

*o "Managing Director" de Conteudos S.A.
chamava-se Martin Dale

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Second Life apoiado pelo ICA através de Corrupção?

No site do filme Second Life, produzido por Alexandre Valente, está mencionado o apoio do ICA - Instituto do Cinema e Audiovisual, além do apoio do FICA de 550.691 euros. Será este apoio do ICA recebido no âmbito do programa de apoio automático á produção de longas metragens 2008 no qual a produtora Utopia recebeu 186.418,50 euros gerado pelo filme Corrupção? Neste caso trata-se de um apoio gerado por um filme que, para todos os efeitos não tem Argumentista nem Realizador e a sua produção não respeitou a Legislação Europeia dos Direitos de Autor. Será que o ICA apoia produtores que fazem filmes sem e/ou contra o realizador?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Corrupção no Cinema em Portugal e em português

A maneira mais fulminante, embora insidiosa de acabar com ele de vez, coisa que até agora não conseguiram, por existir muito forte um desejo de filmar, uma diferente forma de ver o mundo, e de o ouvir, e personalidades que o defendiam, com a própria vida se fosse o caso, como o faria João César Monteiro, o Manoel de Oliveira, e outros, o golpe fulminante está a acontecer perante os nossos olhos. Filmes só para quem eles querem, de preferência sem realizador, em inglês ou num linguajar televisivo-publicitário audiovisual. Produtores que são uma espécie de Zanuks da Picheleira, malandros que aprenderam os truques para vender um “produto” para o mercado à conquista da tal indústria que atrás do nevoeiro é paga pelo contribuinte, esse sim cada vez mais estúpido, graças a Deus e à ausência de crítica. Essa também e isso vem de muito longe, se formatou em puro golpismo ou posições de defesa de gosto, muitas vezes circunstancial. Mas o pior é a própria corrupção dentro das imagens, a pornografia inerente àquele olhar, àquele falar, àquele modo de ser. E ainda o inenarrável João Lopes agora armado em virgem púdica e luminária, grande educador da classe cinematográfica, ele que foi provavelmente o primeiro a trabalhar neste logro, que esmagou o que pôde de tudo o que lhe parecia para além dele próprio, e sobretudo o que fosse frágil e indefeso. O que o Cinema em Portugal sempre foi, frágil, e singular, agora, não tem nem quem o faça nem quem o defenda. Porque agora eles podem.
Lisboa, 26 de Janeiro de 2009.

SEM COMENTÁRIOS: Cinha Jardim vai trabalhar com o ICA?

Segundo TV7dias, em 27 de Janeiro, Cinha Jardim vai cruzar o Atlântico para ter reuniões em Hollywood. "Estou com um projecto novo, que me vai obrigar a estar entre cá e lá e volto no início de Fevereiro. Não posso dizer é dizer de que projecto se trata (...). Não é representação, há coisas interessantes que se podem fazer atrás das câmaras", afirma. Cinha vai trabalhar com a Valentim de Carvalho e com o Instituto de Cinema.(sic)

LEMBRANÇAS XIII - Alexandre Valente agradece o ICA

Todos os anos, durante o Festival Internacional de Cinema de Cannes, a European Film Promotion realiza o evento "Producers on the Move", no qual produtores representantes dos países membros participam em workshops, e encontros com outros produtores e co-produtores, tendo a oportunidade de apresentar os seus projectos e procurar possíveis parceiros.

No âmbito da presença portuguesa em 2006 e da representação institucional do ICA na EFP – European Film Promotion, Alexandre Valente participará nas actividades agendadas por esta organização como Producer on the Move.

Entrevista de Alexandre Valente no Cineuropa, 19 de April de 2006
:
Which directors would you like to work with?
I would love to continue working with Manoel de Oliveira, as I admire him and there is a friendship (...) and with all those who believe in their projects and defend them right to the end. (...)
What do you expect from your participation in the "Producers on the Move" initiative?
First of all I have to thank ICAM for this nomination. Once I am in Cannes, I would like to meet other dynamic "utopian" producers, able to create synergies, challenges and co-produced with Utopia Filmes.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"Second Life" — que cinema português? por João Lopes

Que se está a passar com o filme português Second Life? Não falo do filme (...), mas sim do aparato ideológico que tem enquadrado o seu lançamento. Assim, através de uma conferência de imprensa de apresentação, ficámos a conhecer várias ideias e conceitos que vale a pena resumir e questionar.

1 - QUE CINEMA? Alexandre Valente, produtor do filme, declara que "vai ser o filme mais visto do ano". Quer isto dizer que não há nenhum valor especificamente cinematográfico com que o filme seja apresentado — a sua identidade é meramente financeira e só se (auto-)avalia pelos números de bilheteira. ...
João Lopes

sem comentários: "o público português está ávido por ver cinema comercial"

um "clic" na imagem abre-a

Second Life foi trabalhado "para o público", já que nas palavras de Alexandre Valente há que "pensar para quem estou a trabalhar".

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Realizador afastado do seu filme põe providência cautelar

No Público do 20.01.2009 por Joana Amaral Cardoso:
Na sexta-feira dá entrada num tribunal cível comum uma providência cautelar que visa parar o projecto do filme Variações, baseado na vida do cantor António Variações. A providência cautelar, destinada a salvaguardar os direitos de autor do argumentista e realizador João Maia, surge na sequência do seu afastamento pela produtora Utopia Filmes, de Alexandre Valente.(...)
João Maia, autor da curta O Prego (1996) e realizador do Programa da Maria (SIC), recebeu em 2004, com Catarina Portas, um subsídio de apoio à escrita do Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia para um guião sobre António Variações. Em 2006, assinava com a Utopia como autor de Variações. No início de 2008, o guião integrou a candidatura de seis projectos da produtora ao Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA), privado, e recebeu 550 mil euros.(...) A Utopia Filmes produziu O Crime do Padre Amaro e Corrupção (2007), cuja versão do produtor se estreou sem o realizador João Botelho, que se afastou após divergências com Alexandre Valente.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

sem comentários: financiamento do Fundo - Fica

um "CLIC" na imagem abre-a

aprensentação das linhas gerais do Fundo-FICA,
Lisboa, 3 de Março de 2004.
Ministério da Cultura / A.T.Kearney

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Aí estão eles outra vez

Voltou a falar-se de Manoel de Oliveira e reapareceu a chusma dos que o acham "chato". Daí não viria mal ao mundo, se essa malta não pretendesse passar por "snob", vagamente convicta de que o seu aborrecimento é uma categoria normativa e que cinema e arte em geral (não custa a crer que também achem "chatos" a "Ilíada" e o "Ulisses", ou o "Parsifal") são anfetaminas que é suposto que a entretenham acordada e hiperproséxica.
Cinema, para eles, é "acção" e Ridley Scott (na melhor das hipóteses) o seu profeta; planos com mais de cinco segundos e diálogos com mais do que uma frase entediam-nos; um "western" ainda vá, desde que não seja "Johnny Guitar"; um musical talvez, se não for "Os chapéus-de-chuva de Cherburgo"; o "Nascimento de uma nação" sim, mas falado e a cores; já "Viagem a Tóquio" ou "A palavra" são "parados", versão envergonhada de "chatos" para filmes de que parece mal dizer que não se gosta. Ainda por cima, Oliveira filma com o dinheiro dos "seus" impostos e não com os da minoria insone que o aprecia. Nem quero imaginar o género de filmes que não "chateiam" tal espécie de cinéfilos.

sábado, 15 de novembro de 2008

Resultado Concurso Primeiras Obras de Longas Metragem

O ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual , I .P. , anuncia o resultado do Programa de Apoio à Produção de Primeiras Obras de Longas Metragens de Ficção – 2008, no montante global de € 1.000.000,00.
Com base na proposta do júri foi homologada pelo Senhor Ministro da Cultura, em 12 de Novembro de 2008, a atribuição dos apoios financeiros constantes do quadro seguinte:
Quinze Pontos na Alma de Vicente Alves do Ó
produtor: FF- Filmesfundo / € 500.000
Guerra Civil de Pedro Caldas
produtor: Luz e Sombra / € 500.000

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

NOVOS ASSOCIADOS DA APR

Na Assembleia Geral de 12 de Novembro, quatro realizadores juntaram-se à A.P.R.
João Dias
João Trabulo
Jorge Cramez
João Pinto Nogueira

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

ASSEMBLEIA GERAL DA APR

ASSEMBLEIA GERAL DA APR
Quinta-feira dia 27 de Novembro
No Institut Franco-Portugais
Rua Luis Bívar, 91
1050-143 Lisboa

Entre as 16h e as 18h30

ORDEM DE TRABALHOS
1. Informações.
2. Novos sócios, outras situações e problemas pendentes.
3. Discussão sobre o plano de produção de 2009 e sobre o funcionamento do ICA
3. Definir qual a posição da APR perante a reacção (ou inacção) do ministro da cultura ao texto que lhe irá ser enviado no início da próxima semana.
4. Recepção e debate de propostas
para o plano de actividades da APR 2009

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Manoel de Oliveira teme falta de meios para continuar a filmar

Manoel de Oliveira planeia continuar a filmar, mas considera essa possibilidade uma "incógnita" perante a falta de meios, referiu domingo o cineasta, no final da homenagem que lhe foi prestada pelo Museu de Serralves, no Porto
na Visão 10 de Novembro
As dificuldades para filmar são hoje maiores, em sua opinião: «O financiamento estatal dá para cerca de metade do custo total e o resto é preciso encontrar noutras partes». O que acontece «é que parece que eles (os políticos) ainda não se aperceberam bem desta questão», considerou.«Cada filme dá trabalho a uma equipa completa, músicos, actores, figurantes, dá trabalho à Tóbis, que, veja, continua a tirar cópias do meu primeiro filme, que foi feito em 1931 (Douro, Faina Fluvial) e de todos os outros», acrescentou. «Sinto que o Estado ainda não vê bem as coisas. A equipa, o realizador, os músicos e essa gente toda que ganha dinheiro paga impostos ao Estado e pagam quase 46 por cento», argumentou Manoel de Oliveira. O realizador diz que não sente maltratado pelo Estado, mas considera que as entidades oficiais «recebem mais dos impostos do que aquilo que dão para fazer os filmes».

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uma lenta asfixia do cinema programada pelo ICA

É com a maior apreensão que a APR-Associação Portuguesa de Realizadores toma conhecimento do ICA - Instituto de Cinema para o ano de 2009.
Verifica-se desgraçadamente o que esta associação já temia. A continuação da lenta asfixia da produção cinematográfica em Portugal, asfixia essa iniciada em 2002.
A diminuição do número de filmes financiados a par com a ênfase colocada no mercado, quer seja exibindo o numero de espectadores presentes em festivais ou o numero de prémios, isto é, a tentativa de quantificar a qualidade de um filme pela sua expressão de sucesso, que se tem tornado obsessiva na presente política dos sucessivos ministros, e é com pena que a vemos repetida pelo presente Ministro da Cultura.
Pode uma cultura sobreviver sem o cinema? Pode, sim. O preço é incalculável.
Será a vez deste Ministro se associar também ele à progressiva liquidação da expressão cinematográfica? Do que tornou o nosso cinema tão singular?

domingo, 2 de novembro de 2008

PROGRAMAS DE APOIO FINANCEIRO - 2009


O ICA, Instituto do Cinema e do Audiovisual, divulga, em 31 de Outubro, pouco antes do Dia de Finados, os programas de apoio financeiros a decorrer em 2009.





Um "CLIC" na imagem abre-a

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

CASO INÉDITO EM PORTUGAL!

Um "CLIC" na imagem abre-a
O Ministério da Cultura através do ICA acaba de financiar a produtora Utopia do filme CORRUPÇÃO, produzido por Alexandre Valente, com 186.418,50 €.
Trata-se de um apoio gerado por um filme que, para todos os efeitos não tem Argumentistas e Realizador, a sua produção não respeitou a Legislação Europeia dos Direitos de Autor. A sua circulação enquanto Obra Cinematográfica é limitada por esse efeito, já que o produtor assumiu fazer a sua versão sem o acordo dos Autores do filme.

sábado, 10 de maio de 2008

LEMBRANÇAS XII - CANALIZAÇÃO DOS RECURSOS PÚBLICOS

Esta é que é a questão: saber se queremos montar uma política cultural de apoio ao cinema e ao audiovisual ou se queremos montar um sistema de canalização de recursos públicos para benefício de alguns. E é muito simples definir quais são as condições necessárias, que a lei deve respeitar, para não criar esse sistema perverso de desvio de fundos públicos.
Primeira condição: a política pública deve ser conduzida por institutos públicos dotados de autonomia administrativa e financeira e não entregue a gestores de fundos de investimento.

Augusto Santos Silva
16 de Abril de 2004
IX Legislatura - 2.ª Sessão Legislativa (2004-2005)

CURRÍCULO DE VC FILMS

Quem Somos...
A Valentim de Carvalho Filmes (VC Filmes) foi fundada no dia 1 de Julho de 2007. A produtora é parte integrante do Grupo Valentim de Carvalho, cujas empresas desenvolvem actividades nas áreas da música, de produção para televisão, estúdios de som, de televisão e multimédia. A VC Filmes tem como principal objectivo a produção de cinema. A VC Filmes vai igualmente desenvolver a produção de telefilmes, de mini-séries para televisão e de documentários.

Catálogo
A VC FILMES é uma produtora recente.
Finalizou um documentário e tem em curso a produção de 1 filme e 2 mini-séries.

N.B: Lembramos que VC Filmes recebeu 4.000.000 euros do FICA.(o que representa um investimento quase igual ao de sete longas metragens segundo valores actuais do ICA)

ESAF atribui financiamento estatal ao BES-Investimento!

O FICA apoia a VC Filmes - uma empresa da Valentim de Carvalho S.A. num montante aproximado de 4.500.000 € . Trata-se de um financiamento substancial para uma empresa sem qualquer histórico de Produção Cinematográfica.

Em 2001 o BES-Investimento, através da sua Divisão Créditos adquiriu o controle da Valentim de Carvalho, S.A. , através de um Take Over por Leveraged Buy Out (LBO).

É um case studie: O Estado Português apoia o BES-Investimento através da entidade de Gestão do FICA a BES-ESAF.

O Blog não oficial do FICA foi actualizado.

Informação detalhada sobre os financiamentos atribuído pelo FICA - (Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual). E uma pequena operação de engenharia financeira interna do BES patrocinada pelo Estado Português via IAPMEI.

Disfrute!

terça-feira, 6 de maio de 2008

Comunicado da APR sobre os investimentos do FICA

Num contexto em que o apoio do ICA à produção de cinema e sua sustentabilidade tem vindo a baixar drasticamente desde 2002, indignada com os investimentos do FICA tornados públicos no Site do ICA em 30 de Abril de 2008, no valor de 13 milhões cento e dois mil e seiscentos euros, dos quais oito milhões novecentos e oitenta mil euros (o que representa um investimento igual ao de treze longas metragens segundo valores actuais do ICA) são atribuídos a duas únicas empresas com currículos duvidosos, a Associação Portuguesa de Realizadores vem por este meio manifestar a sua profunda apreensão.

domingo, 4 de maio de 2008

Noticia ICA - FICA INVESTE NO CINEMA E AUDIOVISUAL PORTUGUÊS

O Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA), gerido pela ESAF – Espírito Santo Fundos de Investimento Mobiliários, S.A. (ESAF), a operar desde Setembro de 2007, apresenta as suas primeiras decisões. Assim, desde aquela data foram recebidos 30 projectos individuais de investimento para apreciação pelo FICA, tendo a Assembleia de Participantes do Fundo deliberado, até à presente data, o investimento em 10 desses projectos, num valor global de € 4.122.600 M..
Criado como alternativa aos Apoios à Criação Cinematográfica, do Instituto de Cinema e Audiovisual (ICA), com o objectivo de aumentar as oportunidades de financiamento da produção de obras cinematográficas, de multiplataforma e audiovisuais, o FICA tem investido em longas-metragens (How to Draw a Perfect Circle, Assalto ao Santa Maria, Entre os Dedos, Arte de Roubar, Morrer como um Homem e Quero Ser Uma Estrela, Star Crossed), documentários (Pare, Escute e Olhe e As Horas do Douro) e uma série de televisão (Equador).
Para além do investimento em projectos individuais (“investimento directo”), foram ainda objecto de análise planos de investimento em PME’s do sector da produção de cinema e audiovisual (“investimento indirecto”), tendo sido aprovados dois investimentos, respectivamente na Valentim de Carvalho Filmes (VC Filmes) e na Utopia Filmes, num montante global de € 8. 980 M.
A próxima Assembleia de Participantes onde serão analisados mais projectos realizar-se-á no próximo dia 5 de Junho, sendo que as candidaturas devem ser entregues na ESAF até 5 de Maio

terça-feira, 22 de abril de 2008

LEMBRANÇAS XI - O PS E A LEI DO CINEMA

Declaração de voto enviada à Mesa, para publicação, relativa à votação final global do texto final, apresentado pela Comissão de Educação, Ciência e Cultura, relativo à proposta de lei nº 113/IX - Estabelece o regime e os princípios da acção do Estado no quadro do fomento, desenvolvimento e protecção das artes e actividades cinematográficas e do audiovisual

Tal como foi aprovada pelo voto conjugado do PSD e do CDS-PP, a nova lei do cinema e audiovisual representa uma oportunidade perdida para o desenvolvimento do sector em Portugal. Apesar dos esforços de outros grupos parlamentares — designadamente o PS — nem sequer foi possível corrigir, na discussão da especialidade, os seus aspectos mais gravosos.

Em primeiro lugar, é certo que aumenta a base de financiamento; mas o aumento em nada beneficia o sistema de apoios por concurso, aquele que alegadamente privilegia a dimensão artística do sector. O que é tanto mais grave quanto neste sistema de apoios são agora incluídas novas modalidades, como o programa plurianual, e novas actividades, como as audiovisuais. A proposta apresentada pelo PS, de alargamento da incidência da taxa de exibição, foi recusada; assim, todos os recursos adicionais serão canalizados para o Fundo de Investimento, para promoção, como diz o Governo, de obras com «atractividade comercial», com a agravante de este mesmo Fundo poder ir buscar parte dos recursos do actual ICAM.

Os Deputados do PS, Augusto Santos Silva — Cristina Granada — Manuela Melo — Ana Benavente — Rosalina Martins — António Braga — António José Seguro — Fernando Cabral.

Assembleia da República, 1 de Julho de 2004

segunda-feira, 21 de abril de 2008

LEMBRANÇAS X -UM COMPROMISSO PELA CULTURA

O compromisso do Governo, em matéria de financiamento público da cultura, é claro: reafirmar o sector como prioridade na afectação dos recursos disponíveis. Neste sentido, a meta de 1% do Orçamento de Estado dedicada à despesa cultural continua a servir-nos de referência de médio prazo, importando retomar a trajectória de aproximação interrompida no passado recente.

Direcção da APR (2008-2010)

CORPOS GERENTES DA APR
ELEIÇÃO DO 18 DE ABRIL DE 2008

Foram eleitos, no dia 18 de Abril de 2008, os novos corpos gerentes da APR para os próximos 2 anos.
A lista eleita - com maioria absoluta - na Assembleia Geral do 18 de Abril de 2008 é composta por :

DIRECÇÃO
Presidente
Margarida Gil

Vice-Presidente
Fernando Vendrell
Inês de Medeiros

Luis Alvaraes
Nuno Amorim
Teresa Garcia
José Nascimento

ASSEMBLEIA GERAL
Antonio Loja Neves (Presidente)
António Escudeiro
Pierre-Marie Goulet

CONSELHO FISCAL
João Canijo (Presidente)
Jorge António
João Matos Silva

domingo, 20 de abril de 2008

Progama da Direcção (AG de 18 de Abril de 2008)

APR – Programa Lista nº1
Intervenção Geral

- Defender a existência clara e significativa de filmes de longa, media e curta metragem, primeiras obras, documentários de criação, filmes de animação etc, de forma a garantir a inovação, a renovação e a diversidade do cinema em Portugal sob a base do Programa Mínimo (em anexo)
- Exigir do ICA que se responsabilize por um apoio real a todo um tecido de produção, criação, divulgação, apresentação, exibição dos filmes, edição em DVD etc, apoio que tem vindo a esbater-se progressivamente.
- Defender os direitos dos realizadores junto das estruturas que gerem o cinema nomeadamente o ICA (Instituto de Cinema).
- Defender júris para os concursos de apoio ao cinema com capacidades artísticas de “ver” as potencialidades de um filme através de um projecto e menos virados para os interesses de bilheteira ou “audiências televisivas”.
-Combater a tendência de subordinação das politicas de apoio ao Cinema aos interesses comerciais e do cinema fast-food, defendendo que seja previligiada uma politica de apoio ao Cinema de autor e Cinema com interesse e valor cultural, único passivel de marcar a nossa especificidade e diversidade cultural e de projectar a nossa Cultura no mundo.

- Ter contactos regulares, com as outras Associações Profissionais do sector, defendendo junto destas a conjugação de esforços para a defesa dos interesses comuns aos profissionais do sector e ao Cinema.
- Estabelecer contactos regulares, ou protocolos com a SPA
- Formular contratos tipo com produtores e difusores e fornecer apoio jurídico

- Fomentar o contacto da APR com outras congéneres internacionais.

- Congregar os realizadores e incentivar o encontro e a troca de experiências
- Facilitar a circulação da informação sobre iniciativas, apoios, festivais e prémios
- Ajudar a difusão das obras dos associados, no circuito cinematográfico (comercial, arte e ensaio e alternativo) nacional e internacional
- Promover a divulgação do Cinema que defendemos através de blogs, revistas, publicações, encontros, colóquios, mostras e festivais.
- Criar encontros, mostras ou outras manifestações em torno dos filmes e dos realizadores com participações de cineastas ou outras pessoas ligadas ao cinema, portugueses e estrangeiros.
- Abrir as portas que estiverem ao nosso alcance ao surgimento de novos realizadores, de novos filmes.

- Elaborar com o concurso da camada mais jovem de realizadores um plano e calendário de actividades de utilidade e relevância para o sector , nomeadamente de apoio a estes novos realizadores que saiem todos os anos das escolas de Cinema, conseguindo para tal os apoios oficiais que permitam a auto-sustentabilidade destas actividades. 

- Assegurar através da correcta e atempada cobrança das quotas, da angariação de apoios, parcerias ou organização de eventos, a auto-sustentabilidade financeira da Associação, de modo a garantir o funcionamento do espaço a conseguir bem como de uma estrutura mínima de secretariado que mantenha a funcionalidade da Associação.
- Obter um espaço para a Sede da APR junto da CML, do ICA ou do MC, etc.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Direcção da APR - Cessação de Função na Direcção

No dia 27 de Janeiro de 2008, Miguel Gomes anunciou a cessação das suas funções dentro da Direcção da APR

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Direito de Autor: Dos Direitos Morais

CAPÍTULO VI
Dos direitos morais

Artigo 56.º
Definição
1 — Independentemente dos direitos de carácter patrimonial e ainda que os tenha alienado ou onerado, o autor goza durante toda a vida do direito de reivindicar a paternidade da obra e de assegurar a genuinidade e integridade desta, opondo -se à sua destruição, a toda e qualquer mutilação, deformação ou outra modificação da mesma e, de um modo geral, a todo e qualquer acto que a desvirtue e possa afectar a honra e reputação do autor.
2 — Este direito é inalienável, irrenunciável e imprescritível, perpetuando-se, após a morte do autor, nos termos do artigo seguinte.
(...)
Artigo 59.º
Modificações da obra
1 — Não são admitidas modificações da obra sem o consentimento do autor, mesmo naqueles casos em que, sem esse consentimento, a utilização da obra seja lícita.

Código do Direito de Autor - pdf
Diário da República,
1.ª série — N.º 64
1 de Abril de 2008
Código do Direito de Autor - Word

terça-feira, 30 de outubro de 2007

CORRUPÇÃO

A Associação Portuguesa de Realizadores entende ser seu dever alertar para a gravidade da situação despoletada pela estreia do filme Corrupção, que a partir de hoje se apresenta ao público numa versão amputada e sem realizador.
Sendo esta a primeira vez que tal acontece em Portugal, a Associação Portuguesa de Realizadores entende que tais práticas não favorecem a qualidade do cinema português nem protegem os direitos dos seus autores e dos seus espectadores, independentemente do fundamento que as tornem contratualmente legítimas.
É assim com pesar e preocupação que os realizadores portugueses têm seguido tal episódio, reivindicando que, num futuro próximo, possa ser acessível ao público a versão original deste filme, escrita, filmada, montada e assinada pelo realizador João Botelho.

sábado, 4 de agosto de 2007

A grande ilusão de uma indústria cinematográfica em Portugal

O cinema português não será nunca auto-sustentado. Entregá-lo às televisões e às empresas de telecomunicações só servirá para matar de vez o cinema nacional.
Com alguma pompa e muita circunstância, a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, e o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, apresentaram na semana passada ao país o "famoso" Fundo de Investimento ao cinema e audiovisual." (...)
O Fundo de Investimento conta com as participações fundadoras do Estado (33,2 Milhões de Euros - ME), da PT Multimédia (25 ME) e dos três canais de televisão RTP, SIC e TVI (no total outros 25 ME), ou seja, 40% dos Estado, 30% da PT e outros 30% das televisões, num total de 83,3 ME para os próximos sete anos. As verbas do Fundo serão geridas pela ESAF (a Sociedade Gestora do Grupo BES), entidade escolhida mediante concurso público.
Zeinal Bava, presidente executivo da PT Multimedia, foi ainda mais longe: afirmou que "este Fundo tem de ser gerido numa lógica de mercado, financiando obras que apresentem potencial sucesso comercial, de forma a gerar retorno para o próprio Fundo e, em consequência, criar disponibilidades para novos investimentos". (...)
Este Fundo de Investimento é a concretização da regulamentação da lei do Cinema e do Audiovisual aprovada no final do Governo Durão Barroso (1 de Julho de 2004), com a oposição do BE, PS e PCP.(...)
Esta lei tinha merecido uma fortíssima oposição da Associação dos Realizadores Portugueses, (APR) precisamente por causa do Fundo de Investimento que, previsivelmente, se transformaria numa forma de financiamento às televisões.
Alda Sousa
in Newsletter Esquerda (texto completo)
31 de Julho de 2007