segunda-feira, 24 de março de 2003

Resistência! Os cineastas portugueses apoiados na Internet

Merci de lire la déclaration suivante et si vous en êtes d'accord, de la signer avec votre nom, profession, ville.
Cela fait chaud au coeur de penser qu'il est un pays d'Europe où l'on fait encore beaucoup de films cousus main. Des films à penser, à ressentir, comme ceux de Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, Abi Feijo, João César Monteiro, João Botelho, Pedro Costa, ou auparavant António Reis, et bien d'autres dont l'oeuvre est parfois moins connue mais non moins essentielle pour que le monde des idées et des émotions continue de tourner.
Aujourd'hui, au Portugal, le dispositif qui permettait à ces films d'exister est menacé de disparaître au profit d'une vue "purement" mercantile du cinéma.
Nous tenons à faire savoir notre tristesse et notre révolte devant de telles perspectives

Résistance 7art
Teia Portuguesa

sexta-feira, 21 de março de 2003

Resistência! Os cineastas portugueses apoiados por personalidades de 51 países

texto do apoio:
Aquece o coração pensar que há um país na Europa onde ainda se fazem muitos filmes cosidos à mão. Filmes de pensar e de sentir, como os de Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, Abi Feijó, João César Monteiro, João Botelho, Pedro Costa ou, antes, António Reis, e muitos outros cuja obra é por vezes menos conhecida mas não menos essencial para que o mundo das ideias e das emoções continue a girar.

Hoje, em Portugal, o dispositivo que permitia que esses filmes existissem corre o risco de desaparecer em favor de uma visão "puramente" mercantil do cinema.
Fazemos questão de exprimir a nossa tristeza e a nossa revolta face a essa perspectiva.

as manifestações de apoio continuam a chegar.

Até este dia, 31 de Março de 2003.
chegaram manifestações de apoio dos 51 países seguintes

8 novos país seguintes:
China, Dinamarca, Filipinas, Índia, Luxemburgo, Peru, Suécia, Vietname
juntaram-se nos 43 anteriores:
Alemanha, Argentina, Albânia, Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Burkina Faso, Canadá, República Checa, Chile, Cuba, Coreia, Escócia, Espanha, E.U.A., Finlândia, França, Grécia, Haiti, Holanda, Israel, Itália, Inglaterra, Irlanda do Norte, Irlanda (Republica de), Japão, Jordânia, Líbano, Lituânia, México, Namíbia, Noruega, Polónia, Roménia, Suíça, Senegal, Síria, Tunísia, Turquia, Ucrânia, Uruguai, Jugoslávia

as assinaturas vêm de distribuidores, rede de salas de cinema:
Miramax Films( E.U.A.)
Cinéma en Lumière (França)
UCLA Film and Television Archive (E.U.A.)
Canyon Cinema (E.U.A.)
Association Clair Obscur (França)
que se juntam a :
- Syndicat des Distributeurs Indépendants (SDI) (França)
- Cinémas de la Ferme du Buisson-Scène Nationale de Marne-la-Vallée (França)
- Agence du Court Métrage (França)
- Groupement National des Cinémas de Recherche (França)
- Association Cinémas 93 (França)
- CRAC, Scène Nationale de Valence (França)
- Union Nationale Inter Cine-Clubs UNICC (França)
- Association des Cinémas de Recherche d'Ile de France
- Ecrans VO Association de salles de cinéma du Val d'Oise (França)
- Pierre Grise Distibution (França)
- MK2 (França)
- Zootrope Films (França)
- Héliotrope Films (França)

de jornalistas e críticos que escrevem para :
Time Out London magazine Londres (Inglaterra)
L'Image, le Monde (França/Bèlgica)
Agence France Presse New-York (E.U.A.)
Cineaste Magazine (E.U.A.)
The Independent on Sunday (Inglaterra)
Résistance 7ème Art (França)
Shomingeki (Alemanha)
Editions Paris Expérimental (França)
Tercer Ojo (Espanha)
Repérages (França)
que se juntam a
- Le Monde (França)
- Cahiers du Cinéma (França)
- Senses of Cinéma (Austrália)
- Telerama (França)
- L'Arche (França)
- 24 images (Québec/Canadá)
- Bref (França)

de representantes ou membros de associações profissionais tais como:
- Association des réalisateurs et réalisatrices de films (ARRF) (Bélgica)
- ARP, association des Réalisteurs et Producteurs (França)
- Associação Brasileira de Documentaristas/SE (Brasil)
- Polish Society of Cinematographers (Polónia)
- The Directors Association of Catalunha (Espanha)
- Association des Auteurs-Réalisateurs du Sud-Ouest (França)
- Lituanian Filmakers Union (Lituânia)
- Association des réalisateurs et réalisatrices du Québec (Canadá)

de professores e ensaistas de
UCLA School of Film and Television (E.U.A.)
INSAS (Bèlgica)
Université Paris 8 (França)
Rider University (E.U.A.)
École Nationale Supérieure d'Arts de Paris-Cergy (França)
que se juntam a :
- La Sorbonne (França)
- Yale University (E.U.A.)
- Observatorio do Audiovisual -Universidade de Santiago de Compostela (Espanha)
- University of Nagoya (Japão)
- CVK "KVADRAT" Film School (Jugoslávia)
- University of New Mexico Media Arts Dept. (E.U.A)

de directores, responsáveis ou programadores dos seguintes festivais
(longas e curtas metragens, documentários e animação)
VIENNALE (Áustria)
Rencontre du Court Métrage de St. Benoit de La Réunion (França)
Roma DocFest (Italia)
Brussels International Festival of Fantasy Films (Bèlgica)
Canadian Film Centre's Worldwide Short Film Festival (Canadá)
Festival Luso-Brasileiro de Curtas Metragens de Sergipe (Brasil)
Cinemanila International Film Festival (Filipinas)
que se juntam a :
- Leopards of Tomorrow - Festival de Locarno (Suiça)
- International Forum of New Cinema de Berlin (Alemanha)
- International Film Festival Rotterdam (Holanda)
- Quinzaine des Réalisateurs (França)
- Semaine Internationale de la Critique( França)
- Yamagata Intl. Doc Film Festival (Japão)
- Festival des Films du Monde de Montreal (Canadá)
- Festival Intl. du nouveau Cinéma de Montréal ( FCMM) (Canadá)
- Entrevues -Festival du Film de Belfort (França)
- International Short Film Festival de Siena (Itália)
- São Paulo Intl .Short Film Festival (Brasil)
- International Short Film Festival - Berlin ((Alemanha)
- Intl Leipzig Festival for Documentary and Animated Film (Alemanha)
- Valladolid International Film Festival (Espanha)
- Festival International du Film d'Amiens (França)
- Festival Int. du Court Métrage de Clermont-Ferrand (França)
- Tampere Film Festival (Finlândia)
- Kyiv International Film Festival Molodist (Ucránia)
- Premiers Plans - Festival du Film d'Angers (França)
- Festival International du Cinéma Méditerranéem de Montpellier (França)
- Festival Filmer à Tout Prix (Bélgica)
- Festival du Film de Femmes de Créteil (França)
- La Rochelle International Film Festival (França)
- Travelling - Festival de Rennes (França)
- Festival "Arcipelago" de Rome (Itália)
- Seoul International Cartoon and Animation Festival (Coreia)
- Rencontres Internationale du Documentaire de Montréal (Québec-Canadá)
- Festival Confrontation Perpignan (França)
- Rencontres des Cinémas d'Amérique Latine de Toulouse (França)
- Festival Courts sur Cour (Bélgica)
- Tribeca Film Festival - New York (E.U.A)
- Midnight Sun Film Festival (Finlândia)

de membros ou directores de Instituições Culturais, Museus, Cinematecas
National Film Theatre, London (Inglaterra)
UCLA Film and Television Archive (E.U.A.)
que se juntam a
- Centre Pompidou (França)
- Cinémathèque Française (França)
- Postdam Filmmuseum (Alemanha)
- Centre du Cinéma Grec (Grécia)
- Centre du Cinéma de la Communauté Française de Belgique (Bèlgica)
- Eurodoc
- Lieux Fictifs (França)
- Ecole et Cinéma (França)
- Cinémathèque de Toulouse(França)
- Media Institue of Southern Africa (Africa do Sul)
- Forum des images (França)

de directores de salas de cinema
- Le Mèlies (St-Etienne/França)
- Eldorado (Dijon/ França)
- Alhambra (Marseille/França)
- Vera Zienema (Groningen / Holanda)
- Lumiére Cinema (Bruges / Bélgica)
- Cinema Nova (Bruxelles/Bélgica)
- Le Dietrich (Poitiers / França)
- Cinéma Trianon (Ronainville / França)
- Les Visiteurs du Soir (Valbonne /França)
- Cinéma Les Toiles, (Saint Gratien / França)
- Cinéma Jean Vigo (Gennevilliers / Franca)

e também de centenas de cineastas, estudantes, professores e espectadores.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2003

Resistência! Personalidades de 43 paises em defesa do Cinema Português

Durante uma recente retrospectiva de cinema português em Bruxelas, onde foram projectados filmes de Antonio Reis, Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, Alberto Seixas Santos, João Botelho, Pedro Costa, entre outros. alguns participantes e cineastas presentes manifestaram a sua preocupação com a situação do cinema em Portugal, nomeadamente depois das notícias assustadoras relativas à situação do ICAM que apareceram na imprensa internacional.
A urgência pelo esclarecimento desta situação, fez com que fosse logo aí redigido um pequeno texto, que circulou durante esse ciclo de cinema e aí recolheu as suas primeiras assinaturas.
Foi esse texto, acompanhado dessas primeiras assinaturas, que logo a seguir começou a circular, e circula ainda, essencialmente, através do correio electrónico.
Este texto de "sensibilização" não tem portanto origem em nenhuma associação, organização, um ou mais produtores portugueses ou estrangeiros, permite fazer saber, que fora das fronteiras deste país, existem seres humanos que se interessam e gostam do cinema que se produz em Portugal, esse cinema "cosido à mão" que faz tanto pela felicidade de tantas pessoas por
esse mundo fora e que é orgulho de quem o faz e que devia ser orgulho do próprio país.

Texto:
Aquece o coração pensar que há um país na Europa onde ainda se fazem muitos filmes cosidos à mão. Filmes de pensar e de sentir, como os de Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, Abi Feijó, João César Monteiro, João Botelho, Pedro Costa… ou, antes, António Reis, e muitos outros cuja obra é por vezes menos conhecida mas não menos essencial para que o mundo das ideias e das emoções continue a girar.
Hoje, em Portugal, o dispositivo que permitia que esses filmes existissem corre o risco de desaparecer em favor de uma visão "puramente" mercantil do cinema. Fazemos questão de exprimir a nossa tristeza e a nossa revolta face a essa perspectiva
INFORMAÇÃO
Em Portugal, há meses que se está a elaborar uma lei do cinema cujo conteúdo só se adivinha pelos rumores, ideias gerais difundidos pelos responsáveis políticos, e cuja orientação apenas se pode deduzir com base no contexto actual subjacente à política cultural portuguesa.
Um dos problemas actuais é saber algo sobre o novo "dispositivo"; um dos principais motivos de preocupação é o "segredo" que rodeia a sua elaboração e o seu conteúdo
Contudo, havia sido prometido que o projecto de lei seria disponibilizado a todos os profissionais para que estes pudessem apresentar os seus comentários e sugestões sobre o texto. Até hoje, nenhum projecto de texto foi disponibilizado sendo que a nova lei deverá ser apresentada ao Parlamento daqui a dois meses!
Neste momento circulam os rumores mais "estranhos" e inquietantes. Os mais persistentes são: o fim dos apoios financeiros aos projectos individuais e a atribuição de "pacotes", sob a forma de contratos-programa estabelecidos com as produtoras, a supressão dos apoios específicos a primeiras e segundas obras, a diminuição progressiva do número de longas metragens produzidas com vista a favorecer as produções com orçamentos mais elevados, susceptíveis de competir com os filmes estrangeiros (?!)
O modo como foram organizadas as últimas atribuições de subsídios previstos para 2002, deixa antever o pior. O concurso para o apoio selectivo à produção de longas metragens onde estava oficialmente regulamentado o apoio a três filmes, foi aberto há uns dias, prevendo a atribuição de apoio a apenas a um filme.
O concurso previsto para as primeiras e segundas obras, também este oficialmente anunciado no início do ano, e também objecto de dotação orçamental, foi, pura e simplesmente, suprimido. Com a agravante de que no regulamento do concurso de apoio selectivo à produção de longas metragens, acima mencionado, se proíbe a apresentação de uma primeira ou segunda obra.
Quanto ao documentário, se é que o concurso previsto foi realmente aberto, ninguém tem a mínima ideia sobre as orientações da nova lei nesta matéria. E isto, numa altura em que, em Portugal, a necessidade de um apoio ao documentário de criação, que tanto demorou a ser aceite, começava, talvez, a dar alguns frutos.
De notar também que, em Janeiro de 2003, toda e qualquer perspectiva de produção se tornou inviável, já que não se poderá lançar qualquer novo concurso ou apoio antes da nova lei ser votada e promulgada.
Este projecto de lei surge em simultâneo com a reformulação total da estrutura da televisão pública. Depois de anunciada a supressão do segundo canal da RTP (aliás, praticamente o único que divulga o cinema português, longas metragens, curtas metragens e documentários, ou seja, cinema como o de Manoel de Oliveira, Paulo Rocha, João César Monteiro, João Botelho, Pedro Costa, etc...mas também cineastas estrangeiros desde Kaurismaki a Godard, passando por Kiarostami...), o governo fala agora em entregá-lo à "sociedade civil" (?!) sem que ninguém saiba o que tal significa.
Paralelamente, o cinema português foi violentamente abalado, durante 2002, por uma série de "crises". O ICAM (Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia), organismo que gere, especialmente, os subsídios que permitem a existência do cinema português, entrou numa crise financeira resultante do não pagamento, por parte das cadeias de televisão - tanto privadas como públicas - da taxa de publicidade que financia o ICAM e que as empresas de televisão têm por missão cobrar em seu nome. A falta de pagamento - ilegal - dessa taxa durou meses, fazendo com que o ICAM não pudesse honrar os seus compromissos contratuais tanto para com os produtores como para com os distribuidores e realizadores que haviam recebido apoios à preparação de projectos. Em suma, os apoios financeiros concedidos por concurso e por júri e contratualizados, foram atrasados.
O texto de sensibilização que, actualmente, circula tem como objectivo solidarizarmo-nos com a inquietação dos cineastas portugueses, apoiá-los e demonstrar que, fora das fronteiras de Portugal, há pessoas que se interessam e gostam do cinema que se faz em Portugal, "esse cinema a que é preciso pôr cobro já que os portugueses não o querem ver", como disse um responsável político.

Ultima noticia; 17.01.2003
O anteprojecto de lei do Governo para o Cinema, Audiovisual e Multimédia está concluído e deverá ser apresentado ao sector em Fevereiro, disse à Lusa o secretário de Estado da Cultura, José Amaral Lopes. O resultado do trabalho da comissão que elaborou o documento, liderada por Salvato Telles de Menezes e Anabela Afonso, será agora apreciado pelos ministros da Cultura, Pedro Roseta, e da Presidência, Nuno Morais Sarmento, podendo ser feitos «ajustes de pormenor».
DN -17/1/2003