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quinta-feira, 7 de agosto de 2008

CASO INÉDITO EM PORTUGAL!

Um "CLIC" na imagem abre-a
O Ministério da Cultura através do ICA acaba de financiar a produtora Utopia do filme CORRUPÇÃO, produzido por Alexandre Valente, com 186.418,50 €.
Trata-se de um apoio gerado por um filme que, para todos os efeitos não tem Argumentistas e Realizador, a sua produção não respeitou a Legislação Europeia dos Direitos de Autor. A sua circulação enquanto Obra Cinematográfica é limitada por esse efeito, já que o produtor assumiu fazer a sua versão sem o acordo dos Autores do filme.

domingo, 4 de maio de 2008

Noticia ICA - FICA INVESTE NO CINEMA E AUDIOVISUAL PORTUGUÊS

O Fundo de Investimento para o Cinema e Audiovisual (FICA), gerido pela ESAF – Espírito Santo Fundos de Investimento Mobiliários, S.A. (ESAF), a operar desde Setembro de 2007, apresenta as suas primeiras decisões. Assim, desde aquela data foram recebidos 30 projectos individuais de investimento para apreciação pelo FICA, tendo a Assembleia de Participantes do Fundo deliberado, até à presente data, o investimento em 10 desses projectos, num valor global de € 4.122.600 M..
Criado como alternativa aos Apoios à Criação Cinematográfica, do Instituto de Cinema e Audiovisual (ICA), com o objectivo de aumentar as oportunidades de financiamento da produção de obras cinematográficas, de multiplataforma e audiovisuais, o FICA tem investido em longas-metragens (How to Draw a Perfect Circle, Assalto ao Santa Maria, Entre os Dedos, Arte de Roubar, Morrer como um Homem e Quero Ser Uma Estrela, Star Crossed), documentários (Pare, Escute e Olhe e As Horas do Douro) e uma série de televisão (Equador).
Para além do investimento em projectos individuais (“investimento directo”), foram ainda objecto de análise planos de investimento em PME’s do sector da produção de cinema e audiovisual (“investimento indirecto”), tendo sido aprovados dois investimentos, respectivamente na Valentim de Carvalho Filmes (VC Filmes) e na Utopia Filmes, num montante global de € 8. 980 M.
A próxima Assembleia de Participantes onde serão analisados mais projectos realizar-se-á no próximo dia 5 de Junho, sendo que as candidaturas devem ser entregues na ESAF até 5 de Maio

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Carta ao S.E.C. Mario Vieira de Carvalho (01.2007)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR SECRETÁRIO DE ESTADO DA CULTURA
PROFESSOR DOUTOR MÁRIO VIEIRA DE CARVALHO
ATRAVÉS DE
DR JOSE PEDRO RIBEIRO
PRESIDENTE DO INSTITUTO DE CINEMA E AUDIOVISUAL

A Associação Portuguesa de Realizadores reafirma a sua frontal oposição à redução drástica dos meios financeiros postos à disposição da criação cinematográfica.
Neste momento o orçamento do ICA para apoio à produção de filmes diminuiu para cerca de um terço quando comparado com o montante existente à seis anos atrás (2001).

Assim causou revolta e profunda perplexidade em muitos artistas e profissionais do cinema português a anunciada concessão de um apoio financeiro selectivo a um projecto de filme do realizador americano, naturalizado francês, Eugène Green, por pôr em causa a fragilíssima base de sustentação económica e financeira do nosso cinema, que ameaça simplesmente desaparecer face ao número cada vez mais reduzido de projectos que são aprovados anualmente em Portugal.

A Associação Portuguesa de Realizadores nada têm contra a europeização do sistema de financiamento do cinema, mas afirma que a opção por tal modelo - que este apoio designa - implica um completo redimensionamento da economia do cinema e do audiovisual portugueses, sob pena de, caso contrário, se CONTRADIZER a própria filosofia imanente à nova Lei do Cinema e a legitimidade das respectivas instituições: o Instituto do Cinema e do Audiovisual e, em última instância, o próprio Ministério da Cultura.

Em conformidade, exigimos um esclarecimento URGENTE desta situação, bem como das medidas que, face a ela, pensam vir a tomar as entidades que, política e administrativamente, são responsáveis pela aplicação e defesa dos princípios da Lei do Cinema e do Audiovisual.

domingo, 20 de agosto de 2006

O PRESIDENTE DO ICAM E O PÚBLICO

"Se lhe derem bons filmes, filmes mais comerciais e atractivos, as pessoas vão ao cinema." José Pedro Ribeiro admite que os próximos tempos serão positivos: "Acredito que haja um indício no sentido de uma recuperação. Há um puxar para cima."

O presidente do ICAM também pensa que a produção nacional pode vir a "beneficiar de uma recuperação de públicos", como aquela que se sentiu nos primeiros seis meses do ano, embora acrescente não ser essa a prioridade do instituto que dirige. "O nosso objectivo é apoiar a produção de filmes de valor cultural e artístico e que a sua análise não se reduza ao número de espectadores.

Critérios de selecção e respectiva aplicação
Na avaliação dos projectos, o júri aplica os critérios estabelecidos no artigo 15º do Decreto-Lei n.º 227/2006, de 15 de Novembro, tendo especialmente em conta os seguintes parâmetros de apreciação:
CRITÉRIO C
Resultados de exploração, nacionais e internacionais de obras cinematográficas anteriormente produzidas, pela empresa requerente.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

O Balão do ICAM

O "balão financeiro" é a última invenção administrativa do ICAM para paralisar a produção, justificando essa paralisação a qualquer momento que apeteça ao seu Presidente.
Suspeita-se ser esta teoria do balão o suporte da "decisão ponderada" de suspender o plano de 2005 e que a Ministra da Cultura terá agora que justificar ao Parlamento.
Em que consiste esta teoria do balão - que caso venha a fazer escola noutros sectores da gestão pública ameaça paralisar o país ?
Essencialmente repousa sobre a declaração da "necessidade de satisfazer compromissos anteriores", embora ninguém saiba quando os eventuais comprometidos querem ser ressarcidos desses compromissos.
O ICAM faz contas num determinado dia e declara: "há n filmes para fazer que importam na quantia de x; como o ICAM só tem y, se esses filmes quiserem ser todos feitos na mesma altura não temos modo de lhes pagar". Solução: pára-se tudo à espera que esses compromissos sejam todos satisfeitos.
Sabendo que poucos filmes são feitos no ano em que os respectivos projectos são aprovados, percebe-se onde se quer chegar com tudo isto: em 2010, o ICAM pode muito bem ainda estar a viver em 2005 ou 2006.
Este tipo de gestão de mercearia é catastrófica para a economia em geral e especialmente para uma actividade como o cinema, que necessita sempre de uma certa dose de risco e do talento financeiro e político para o gerir.
Se há aqui alguma "ponderação" ela é absolutamente contrária aquela que o cinema precisa.
Estaríamos bem melhor se o ICAM, em vez de ponderar "futuros" que ninguém conhece, metendo o dinheiro debaixo do colchão, procurasse arranjar fundos para a produção cinematográfica, lutando continuamente, por exemplo, para que os cadernos de encargos das televisões tivessem essa obrigação bem especificada, como acontece na generalidade dos países civilizados.
Para já, o balãozinho do ICAM e os devaneios e a incompetência de quem o tripula custou ao cinema português, num único ano, 6 longas-metragens. É obra: pode andar um realizador um ou dois anos a cuidar de um único filme e vem a Direcção do ICAM dar cabo de seis em três meses !

domingo, 12 de fevereiro de 2006

"Uma decisão ponderada" - as respostas do Presidente do ICAM

O Presidente do Icam justificou a suspensão dos concursos do Plano de 2005 de todas estas diferentes formas.
Cada um pode escolher a que mais lhe convier:

"Com as dificuldades orçamentais do país, seria irreal mantê-los”.
Jornal de Notícias (07/02/06).

“Quando se anuncia um plano de produção, ele não é todo executado no ano a que diz respeito o concurso, alguns dos concursos são plurianuais. De facto, temos receitas próprias, resultantes da cobrança de taxa de publicidade da TV, mas (as receitas) estão alocadas no Orçamento de Estado para o seu fim específico, que vem por tranches e tem de ser utilizado no ano a que se destina. Por isso, a abertura de determinados concursos não pôde ser cumprida e, como nos parecia que não fazia sentido abrir concursos para 2005 em 2006, os que abrimos primeiro são nas modalidades que ficaram em falta o ano passado”.
Diário de Notícias (07/02/06)

“Foi uma opção estratégica para poder cumprir compromissos assumidos com filmes apoiados no passado”.
Público (07/02/06)

“Não há dinheiro desaparecido. Percebemos é que se continuassemos a abrir concursos ao ritmo com que o estávamos a fazer, chegaríamos a um ponto em que, na altura de assinar os contratos, não os poderíamos cumprir”.
O abandono de quase metade do Plano de Produção de 2005 é defendido pelo presidente do ICAM como “uma decisão ponderada”.
José Pedro Ribeiro alega ainda que as verbas cativadas em sede do PIDDAC no decorrer do ano passado ditaram “ a impossibilidade de cumprir na totalidade um plano de produção meramente indicativo"
Expresso (11/02/06)

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Supsensão de concursos de 2005

A Associação Portuguesa de Realizadores (APR) criticou ontem a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, e considerou "intrigante" a falta de verbas do Instituto de Cinema Audiovisual e Multimédia (ICAM) que levou à não abertura de alguns concursos aos subsídios no ano passado.
Em 2005 ficaram de fora concursos aos subsídios para as primeiras obras ou filmes de animação, quando no início do ano o ICAM anunciou que estes concursos iriam abrir. As críticas foram feitas num comunicado, que surge depois do ICAM ter anunciado, na semana passada, os concursos que vai abrir este ano e o número de obras a apoiar em cada. No comunicado, a APR, à qual pertencem realizadores como João Mário Grilo, Alberto Seixas Santos e Miguel Gomes, critica a ministra por defender a "continuidade da política do PSD [no ICAM] e do senhor ex-ministro Morais Sarmento, que nada tem que ver com as posições defendidas pelo partido do Governo quando este estava na oposição nem com o programa eleitoral apresentado para esta área", escrevem. Segundo o presidente do ICAM, José Pedro Ribeiro, os concursos de 2005 não foram lançados por falta de verbas. "Foi uma opção estratégica - disse - para poder cumprir compromissos assumidos com filmes apoiados no passado".

sexta-feira, 13 de janeiro de 2006

ICAM: Tomada de posse da nova direcção

Isabel Pires de Lima no DN
"O apoio às artes e ao tecido artístico, e a necessidade de apoio à preservação do património, são igualmente importantes para o Ministério da Cultura", disse a ministra. Mas apesar da proximidade proclamada em termos de importância entre as instituições representadas, Isabel Pires de Lima não deixou de realçar as diferentes políticas que as devem conduzir. "No ICAM vai haver uma continuidade, porque o trabalho da direcção anterior estava correcto."
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José Pedro Ribeiro, presidente do ICAM, assume a política da continuidade, sem deixar de reconhecer a existência de novos desafios. "As atenções do sector estão concentradas em boa parte nos desafios e nas oportunidades resultantes da Lei da Arte Cinematográfica e do Audiovisual aprovada em 2004, e cuja regulamentação recebeu um impulso decisivo em Julho passado", explica.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2005

Concurso 2005-Atrasos

Associação Portuguesa de Realizadores (APR)

Dr. José Pedro Ribeiro
Presidente da direcção do
ICAM
Rua S. Pedro de Alcântara, 45, 1º
1269-138 Lisboa

Lisboa, 30 de Dezembro de 2005

Exmo Senhor

A Associação Portuguesa de Realizadores, ao concluir o ano de 2006, vem manifestar o desagrado dos 56 realizadores seus associados, relativamente à actuação deste Instituto no que respeita à forma como os concursos de Apoio Financeiro à Criação e Produção Cinematográfica foram administrados durante o ano 2005, e quanto à politica desastrosa para o futuro do cinema que esta situação revela.

Os resultados dos concursos abertos em 2005 não foram até agora comunicados, apenas foi deliberado e anunciado de forma polémica nos Media o Directo Longa Metragem 2005. Encontram-se ainda por anunciar e concretizar concursos importantes para o sector como: o 2º Selectivo Longa Metragem de Ficção, Primeiras Obras de Longa Metragem, Obras Cinematográficas de Animação, Directo Documentário etc. Esta situação é de uma enorme gravidade provocando uma paragem no sector, adiando os resultados e o processamento dos concursos deste ano para datas indeterminadas.

O balanço que a APR faz do corrente ano, no que se refere aos concursos acima mencionados, é o de constatar a falta de diligência na sua activação e execução, bem como na apresentação dos resultados. O Instituto parece incapaz de ajudar a vencer uma crise que se arrasta há muito tempo e que tem aumentado seriamente a precaridade de trabalho no sector.

Enquanto aguardamos uma decisão rápida e uma profunda alteração do espírito dos regulamentos da nova Lei, esperamos que a nossa posição e proposta de alteração apresentada por escrito, seja atentamente tida em conta de forma a revelar e impedir erros nos regulamentos que podem vir a ser fatais para o cinema português.

De forma a responder às dúvidas e inquietudes dos nossos associados, aguardamos um esclarecimento com uma posição prática e realista sobre os concursos de 2005 e sua execução.
Aguardamos que o calendário para 2006 seja divulgado no princípio do ano como é hábito.

A Associação Portuguesa de Realizadores acredita que a intervenção do ICAM, como órgão do Ministério da Cultura, tem de ser dinâmica e deve criar as condições para que exista em Portugal um cinema com qualidade, singularidade, capaz de resistir ao tempo.

Aguardamos uma resposta o mais brevemente possível.
Com os melhores cumprimentos,

p. A Direcção da A.P.R.- Associação Portuguesa de Realizadores
os vice-presidentes

terça-feira, 20 de abril de 2004

LEI DO CINEMA: Relátorio, conclusões e parecer da Comissão de Educação, Ciência e Cultura da Assembleia da República - I

Actividade Parlamentar e Processo Legislativo
2285 | II Série A - Número 051 | 15 de Abril de 2004
Objecto da proposta de lei n.º 113/IX

(...) O Governo não considera negativo o resultado da política do Estado e dos planos de produção anuais, realizados através, nomeadamente, do Instituto de Cinema, Audiovisual e Multimédia (ICAM) [Chama a atenção, porém, que o ICAM só seja mencionado na exposição de motivos da proposta de lei, não aparecendo uma única vez no articulado]: "é indiscutível que, a partir da década de 80, [o cinema português] se impôs internacionalmente como uma das nossas artes prestigiadas. Tornou-se presença constante nos grandes festivais internacionais, conquistou prémios e galardões e tornou respeitados e famosos alguns dos seus maiores criadores, que se contam hoje entre os grandes nomes da nossa cultura. O Estado deve, por isso, manter meios e estruturas que permitam afirmações culturais e artísticas diversas e inequívocas, continuando a apoiar aqueles que, com os seus filmes, projectam e projectaram a cultura portuguesa e o nome de Portugal, interna e externamente".
Mas, na extensa enumeração de objectivos desta proposta de lei, volta a figurar em destaque a necessidade de fomentar "a constituição de um tecido empresarial equilibrado, adoptando medidas que garantam o exercício das actividades de realizador e de produtor sem hiatos prejudiciais à construção e continuação de uma obra pessoal coerente".

quarta-feira, 24 de março de 2004

Manifesto da APR sobre a Lei do Cinema (2004)

Depois de um longo processo, o Governo prepara-se para fazer aprovar, no próximo dia 30, no plenário da Assembleia da República, uma nova Lei do Cinema, desta vez intitulada Lei das Artes Cinematográficas (porquê o plural?) e do Audiovisual.
Do texto desta Lei desaparece o Instituto do Cinema e é criado um denominado Fundo para o Investimento e Fomento das Artes Cinematográficas e do Audiovisual, através do qual o Governo ameaça converter o (pouco) dinheiro disponível para a produção do cinema português no capital de um suspeito negócio a estabelecer com os distribuidores e exibidores americanos e as estações privadas de TV e destinado a financiar projectos com uma suposta “grande atractividade comercial”.
Tais manobras acontecem no momento em que o cinema português, para além de ter reforçado a sua identidade e os seus modos de produção, formou uma massa crítica ampla e extremamente diversificada (como se prova pela crescente qualificação das candidaturas aos concursos públicos do ICAM), composta por jovens autores em início de carreira e cineastas com obra já feita e reconhecida interna e externamente.
Assim, quando todos os indicadores apontam para uma consolidação da cinematografia portuguesa, em torno de uma produção numerosa e diversificada, o Governo pretende agora, num passe de ilusionismo, arruinar os fundos da cultura em negócios duvidosos, estrangulando a produção, produzindo muito menos filmes e muito mais caros, expulsando do sistema dezenas de criadores, em nome de um mirífico “cinema comercial” nacionalista, que em Portugal só deu prejuízo (cultural e financeiro), como continuará a dar no futuro.
A verdade é que nenhum raciocínio económico pode suportar a legitimidade deste cinema “caro e comercial”, nem o Governo - em absoluta e irresponsável navegação à deriva - se apoiou em qualquer estudo prospectivo.
Porque a verdade é que quanto mais dinheiro se investe num filme português mais prejuízo ele causa ; enquanto, pelo contrário, se tem demonstrado a muito melhor “performance comercial” de filmes muito mais baratos, muito mais livres e originais que circulam pelo mundo todo, mobilizando espectadores de gerações, culturas e mercados completamente diferentes.
Para o cinema – como para toda a arte e toda a cultura -, exigimos, assim, um Ministério da Cultura com uma efectiva política cultural e artística e não um Ministério do Negócio.
Não queremos políticas comerciais ou industriais no Ministério da Cultura (ainda por cima, completamente ilegais no quadro dos acordos internacionais do comércio), mas efectivas políticas de protecção e defesa do cinema português, num mercado selvaticamente abandonado aos interesses das grandes produtoras americanas.
Exigimos que o dinheiro do cinema seja para o cinema, que seja disputado em concursos públicos com regras e critérios transparentes, assegurando a liberdade e a independência da criação. Queremos que isto se faça em nome da soberania cultural do país, em nome da ligação do cinema a todas as artes e em nome, também, do património e da identidade de Portugal.

A tal “atractividade comercial” dos filmes “caros” defendida pelo Governo fica demonstrada pela relação custos/receitas dos dois filmes portugueses cujos custos ultrapassaram, nos últimos anos, os 3 milhões de euros: o primeiro “rendeu” nas bilheteiras cerca de 100 mil euros, tendo “realizado” um prejuízo de 2,9 milhões de euros; o segundo não passou dos 50 mil euros, para um prejuízo de 2,95 milhões de euros.

Exigimos do Ministério da Cultura um Instituto do Cinema, com receitas próprias e autonomia administrativa e financeira, assim como queremos uma separação clara entre a arte do cinema (uma só) e os interesses mercantis do audiovisual.
Quarenta anos depois do início do Cinema Novo português, não podemos admitir que o cinema português seja subjugado aos interesses das televisões privadas e públicas nem que o Governo se sirva do estatuto cultural do cinema, para financiar, pela calada – e como se presume pelo tal Fundo de Investimento -, os défices das televisões e a sua crónica incapacidade de produção.
Queremos mais legalidade na Lei. Exigimos que ela seja regulamentada no espírito do seu preâmbulo, proporcionando as condições de produção para mais filmes e mais diferentes, com mais gente a filmar de todas as gerações. E queremos, sobretudo, que o Estado se remeta ao seu papel de garante da liberdade e de defesa intransigente da independência dos criadores e das suas obras. Para que no futuro possamos saber, realmente, o que foi este País, em imagens e sons livres e autênticos, pensados e realizados fora das pressões de agiotas que, desde há muito, nada mais fizeram que hipotecar o imaginário e boa parte da vida dos portugueses aos interesses do cinema americano e às modas da televisão brasileira.
Sacrificar uma cinematografia a tais desígnios é um crime hediondo, incompatível com a história e as regras da democracia e a defesa da liberdade. E tudo indica poder ser este apenas o princípio do fim da soberania cultural portuguesa, um fim anunciado para a sua independência e originalidade, em nome de uma literatura de best-sellers, de uma pintura e de uma escultura decorativas, de um teatro de anedotas, de uma dança folclórica, o regresso, enfim, a um país de analfabetos e ao pesadelo de uma cultura retrógrada, completamente abandonada às conjunturas do mercado e aos interesses dos senhores que o comandam. Viva o CINEMA PORTUGUÊS !

A.P.R. Associação Portuguesa de Realizadores

sábado, 10 de maio de 2003

Communiqué de l'APR (français)

Au Portugal, plus de 60 réalisateurs de films protestent...

En 2003, au Portugal, une nouvelle loi du cinéma est toujours en cours de rédaction. Un premier avant-projet a été rendu public le 12 mars 2003 et catégoriquement rejeté par l'Association Portugaise des Réalisateurs - APR - qui a présenté une contre-proposition sous forme d'un programme minimum pour la production cinématographique.

Dans une réunion de concertation, le 1er avril, avec les différents secteurs de la profession dont l'APR, le Ministre de la Culture, Pedro Roseta, semblait avoir donné raison aux réalisateurs et promettait une nouvelle rédaction de la loi. Ce fut avec stupéfaction que l'APR découvrit que la veille de cette réunion de concertation avait été signé par le Secrétaire d'Etat à la Culture, au nom du Ministre, un Arrêté Ministériel réglementant les concours pour 2003, dans l'attente de la nouvelle loi. Cet arrêté reprenait les termes de la loi qu'avaient catégoriquement rejetés les réalisateurs. (Impossibilité pour les réalisateurs de présenter seuls un projet, attribution des subventions par des gestionnaires, absence de subvention pour les documentaires et les films d'animation, etc.)

Dans ce contexte, le 7 Mai 2003, au nom de 60 réalisateurs, plus de 40 réalisateurs se sont réunis au siège de l'I.C.A.M. Institut du Cinéma, Audiovisuel et Multimédia, pour présenter à la presse le communiqué suivant de l'Association Portuguaise des Réalisateurs - APR.
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COMMUNIQUÉ DE L'ASSOCIATION PORTUGAISE DES RÉALISATEURS - APR

L'Association Portugaise des Réalisateurs (APR) manifeste sa véhemente protestation devant la situation actuelle de la production cinématographique au Portugal.

L'Association des Réalisateurs exige la révocation de l'Arrêté Ministériel nª 317/2003 (Diário República de 17.04.2003) réglementant le Plan Intercalaire de Production qui, pour la première fois depuis la création d'un Institut du Cinéma au Portugal, empêche les réalisateurs de présenter un projet de film aux divers programmes d'appui au cinéma.

L'Association des Réalisateurs a auparavant, fin mars 2003, rejeté l'avant-projet de la Nouvelle Loi du Cinéma qui met en danger l'art cinématographique au Portugal et a présenté au Ministre de la Culture un programme minimum comme base pour assurer la continuité de la production du cinéma portugais.
Ce programme minimum, signé à ce jour par 62 réalisateurs, n'a encore obtenu aucune réponse.

L'Association des Réalisateurs aimerait d'urgence comprendre si le Ministre de la Culture, Pedro Roseta, disait la vérité quand il a affirmé publiquement (le 1er Avril, lors d'une réunion avec les organisations professionnelles, dont l'APR) que la nouvelle législation protégerait l'art cinématographique et ses auteurs. Ignorait-il que la veille avait été signé, en son nom, par le Secrétaire d'Etat un Arrêté Ministériel qui:
a) méprise les droits des créateurs portugais;
b) exclut diverses formes d'expression de l'univers de l'art cinématographiques (notamment documentaires et films d'animation);
c) conduit au chomâge la majorité des professionnels, techniciens et acteurs, du secteur.

Enfin, l'Association Portugaise des Réalisateurs tient à faire savoir clairement qu'aucun des trois films portugais qui vont être présentés lors de la prochaine édition du Festival International de Cannes, soit en Séléction Officielle, soit dans le cadre de la Quinzaine des Réalisateurs, n'aurait eu la moindre chance de recevoir un appui selon les nouveaux réglements de concours défini par le Secrétariat d'Etat à la Culture et l'ICAM (Institut du Cinéma, Audiovisuel et Multimédia.

L'Association Portugaise des Réalisateurs réunit des réalisateurs de films de fiction, documentaires et animation et a pour objectif principal de défendre le cinéma en tant que libre expression d'un art, de promouvoir le développement artistique du cinéma portugais et de la culture cinématographique.

Par le nombre, la diversité et la représentativité de ces membres, d'une ampleur jamais atteinte au cours de ces vingt dernière années, cette association ne pourra qu'être un partenaire incontournable lors des débats, présents et à venir, sur les politiques du cinéma au Portugal.

quarta-feira, 7 de maio de 2003

COMUNICADO DA ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE REALIZADORES

Quarta feira 7 de Maio de 2003, em nome de 60 realizadores mais de 40 realizadores reuniram-se na sede do I.C.A.M. Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimedia, para apresentar o seguinte comunicado da Associação Portuguesa de Realizadores, APR.

TEXTO DO COMUNICADO

A Associação Portuguesa de Realizadores (APR) manifesta o seu veemente protesto pela situação actual da produção cinematográfica em Portugal:
1) Pela confusão legislativa.
2) Pela diminuição drástica da produção.
3) Pela ameaça de transformação de uma arte num negócio de empresários.

A Associação de Realizadores exige a revogação da portaria nª 317/2003 (Diário República de 17.04) que é suposta regular o Plano de Produção Intercalar que, pela primeira vez desde a criação de um Instituto de Cinema, impede aos realizadores o acesso directo aos concursos.

A Associação de Realizadores repudiou, em devido tempo, o ante-projecto da Nova Lei do Cinema que punha em perigo a existência da Arte Cinematográfica em Portugal e apresentou ao Ministério da Cultura um programa mínimo (em anexo) como base para a continuidade da produção do Cinema Português.
Esse programa mínimo, assinado até agora por 60 realizadores ainda não obteve qualquer resposta.

A Associação de Realizadores gostaria urgentemente de perceber se o Ministro da Cultura, Dr. Pedro Roseta, disse a verdade quando afirmou publicamente (no dia 1 de Abril no Centro Cultural de Belém) que a nova legislação protegeria a arte e os seus autores, ou se simplesmente ignorava que na véspera havia sido assinada pelo Secretário de Estado e em seu nome uma
portaria que :
a) despreza os direitos dos criadores portugueses;
b) exclui diversas formas de expressão do universo do cinema (nomeadamente documentário e animação);
c) conduz ao desemprego a maioria dos profissionais deste sector: actores, figurantes, directores de fotografia, técnicos de imagem, engenheiros de som, maquinistas, electricistas, figurinistas, decoradores, aderecistas, assistentes de realização, anotadores, montadores, directores e assistentes de produção etc.

Por fim, a Associação de Realizadores faz questão de esclarecer que os três filmes portugueses que vão ser apresentados na próxima edição do Festival Internacional de Cannes, foram financiados em planos de produção anteriores à actual direcção do ICAM e que qualquer deles teria extremas dificuldades em ser aprovado segundo as novas regras dos concursos da Secretaria de Estado da Cultura / ICAM.

A APR reúne realizadores de filmes de ficção, documentário e animação e tem como objectivo principal defender o cinema como expressão livre da arte e promover o desenvolvimento artístico do cinema português e da cultura cinematográfica. Pela quantidade, diversidade e representatividade dos seus membros, numa expressão sem equivalente desde há duas décadas, esta associação assume-se como parceiro imprescindível em qualquer discussão, presente ou futura, sobre as políticas de cinema em Portugal.